Aplaudir é tranquilo


André Couto,

Diz o artigo 16.º 1 q), do Regimento da Assembleia da República, sobre as competências do seu Presidente, que compete ao titular deste cargo “manter a ordem e a disciplina, bem como a segurança da Assembleia, podendo para isso  requisitar  e  usar  os  meios  necessários  e  tomar  as  medidas que  entender convenientes”. Quando, nos últimos tempos, alguém apupa uma intervenção de um membro do Governo, as galerias são imediatamente evacuadas, escorraçando-se o Povo da sua Casa, como se de cães se tratassem. Já hoje, quando um conjunto de polícias aplaudiram o Ministro da Administração Interna, nada aconteceu. Aplaudir é tranquilo, é um balão de oxigénio para os carbonizados pulmões do Governo. Já apupar, ou grandolar, é chato, abre telejornais, e desgasta. (E não, não me interessa que não fosse Assunção Cristas a presidir aos trabalhos, naquele momento.) Assim se trabalha na Casa da Democracia.

PS. É giro ver que a reacção dos polícias foi um momento de aplauso do populismo, porque o Orçamento de Estado para 2014 aumenta os cortes e nada muda no estatuto desta classe. Os próprios dirigentes sindicais esclareceram, no fim, que aquele aplauso havia sido uma espécie de equívoco… 

Livros de cabeceira (19)


André Couto,

Divido a mesa de cabeceira em três, como se de uma roda dos alimentos se tratasse.

Num canto um livro mais relacionado com política, e a sua ciência, uma das áreas que mais me prendem.

Actualmente, e por muito tempo, estou a ler Ideologia e Razão de Estado, de Jaime Nogueira Pinto, leitura obrigatória que tanta falta faz à maioria da nossa classe política.

Noutro canto dou lugar à fantasia, à vivência de outras histórias e mundos. Debruço-me então sobre Lídia Jorge e o seu Combateremos a Sombra, onde vou psicanalisando o psicanalista Osvaldo Campos.

Porém nem só de livros vive o espírito.

Tendo o mau hábito de ter televisão no quarto, os DVDs também marcam lugar.

The Stanley Kubrick Collection, já a ser percorrida pela segunda vez, é o embalar definitivo, e o aglutinador das pragas que rogo de manhã, percebendo que mais uma vez não dormi o que devia…

Até a escravatura tinha vantagens


André Couto,

 

O Expresso publicou um artigo sobre as vantagens de um estágio não remunerado. Narra a jornalista Maria Martins, num discurso positivo e entusiasmante, tipo televendas, que, entre outros aspectos, um estágio destes torna o estagiários “mais responsável”, dá-lhe “melhor imagem” e proporciona-lhe uma experiência que “não tem preço”. Quanto à perversão que isto representa, nem uma palavra. É este o discurso que vai grassando por aí, como cogumelos venenosos no bosque. Por trás de um estágio não remunerado está alguém que, pior do que não ser remunerado, paga para trabalhar e (sobre)vive privado de sustento. Está também um patrão que beneficia de mão de obra pela qual não paga, o que pode, em última análise, dispensar que contrate alguém. O vangloriar de soluções destas é um retrocesso civilizacional. Uma jornalista, parte de uma das classes mais exploradas nos dias que correm, devia pensar meia dúzia de vezes antes de fazer um texto daquele género.

Os escravos e as escravas, noutros séculos, também tinham vantagens: eram mais vigorosos fisicamente, mais atraentes e, para além disso, tinham uma vantagem relativamente aos escravos e às escravas modernos: davam-lhe casa e comida. Hoje nem isso.

Viveram felizes para sempre, mas enganaram-se muitas vezes no caminho…


André Couto,

Certamente que a teoria já foi explicada e assinada por alguém de renome, mas há muito digo que o problema das nossas frustrações em adultos reside nas histórias com que nos embalam em crianças. Aquela lengalenga do “e viveram felizes para sempre”/”fim”, com base na parte encantadora da história e deixando por explicar como é que fizeram quando começaram a acordar gordos, sem base e com os olhos por limpar, quando passaram a ter de defecar com uma porta de madeira de permeio para a pessoa amada, como fizeram quando ficou evidente que ambos eram desprovidos de talento para a cozinha e as mães já não estão presentes, é algo assassino que não estamos preparados para gerir. “E agora?! Raios! A Cinderela limpava a casa e cozinhava como ninguém, e o Príncipe era cortês e sempre lindo de morrer…”
“E viveram felizes para sempre…?”, “Au bout du conte”, no título original, problematiza tudo isto, com um argumento inteligente e um leque de actores desprovido de estrelas, mas profundamente envolvidos na vivência das suas personagens, que encarnam como nenhum outro. No balanço isto é mais importante que ter visto Pitt ou Johansson.

Agnès Jaoui, a realizadora, é uma das intervenientes no filme, algo que adoro pois mantenho a ideia de que quando um realizador sai da cadeira, e vive o enredo, contagia os restantes.

Mas o que interessa é a forma feliz, ao bom estilo de Woody Allen, para quem gosta, como a narrativa se desenrola. Como a felicidade está ali ao lado e todos os guias de acção são úteis, menos os das histórias que nos ensinam em crianças, as quais marcam abundante presença simbólica no filme. A não perder!

PS. Infelizmente o livro não chega ao ponto de educar gentalha como o Manel, ou de ensinar como se lida com uma Senhora num casamento, ou mesmo depois dele.

A causa pública como orgulho


André Couto,

 

Testemunhei ontem dois exemplos, que guardarei na memória, de como estar na causa pública. Na tomada de posse dos órgãos autárquicos da Cidade de Lisboa para o próximo quadriénio, Simonetta Luz Afonso, presidente cessante da Assembleia Municipal de Lisboa, tomou o lugar de simples deputada municipal. Simultaneamente, Manuel Salgado, até então vice-presidente da autarquia, assumiu a função de mero vereador sem essa prerrogativa.

Falamos de figuras públicas com percursos profissionais dignos de inveja. Simonetta Luz Afonso foi, entre outras funções, presidente do Instituto Português de Museus e presidente do Instituto Camões. Manuel Salgado, um dos representantes de uma geração fabulosa de arquitectos portugueses, foi Prémio Valmor, assinando projectos como o Centro Cultural de Belém, a Expo’98 ou o Estádio do Dragão.

Segundo as más tradições políticas do burgo, qualquer manga de alpaca veria esta alteração como uma despromoção e uma afronta ao seu estatuto. Estes dois cidadãos não. Foi fantástico vê-los tomar posse com o mesmo sorriso de há quatro anos e com o mesmo vigor nos abraços. A causa pública não confere galões eternos, e tão nobre é aquele que lidera sob os holofotes, como aquele que trabalha em posição discreta. O desapego ao lugar e à hierarquia, e a capacidade de recuar da mesma forma que um dia se avançou é pouco comum em Portugal. Servir na causa pública é um orgulho em si, independentemente da posição em que o façamos. É por isto que o projecto de Lisboa é especial, por ser protagonizado por gente deste calibre.

O meu longo aplauso, de pé, aos dois.

Responsabilidade política


André Couto,

Não vou cuspir no Tribunal Constitucional por discordar da interpretação da Lei de Limitação de Mandatos. Aqueles Juízes e Juízas têm dado provas de isenção nos seus acórdãos, não cedendo às inqualificáveis pressões a que têm sido sujeitos. A culpa é, antes, do legislador, neste caso especialmente ordinário, e dos políticos que se mantiveram passivos, aguardando pelo confortável desfecho que já todos conhecíamos.
Cumpre agora ao Povo mostrar-se indignado responsabilizando politicamente quem persistiu nesta fraude. Estou convicto que nos últimos quatro anos o País mudou, as pessoas despertaram, viram uma vida fora dos partidos e daquilo que eles têm tido de pior. Novas formas de acção directa pacífica foram utilizadas, grupos de interesses formados e manifestações gigantes concretizadas. As Pessoas começaram a ganhar uma voz que será cada vez mais ouvida, assim não afrouxe. A penalização nas urnas daqueles que beneficiarão da desilusão dos que achavam que estas eram as eleições da renovação tem de ser uma realidade. É uma prova de maturidade democrática que não pode falhar.

Blogue da semana


André Couto,

Depois de, na semana passada, a Ana Vidal nos ter feito uma cura de desintoxicação política, trago-nos de volta ao vício.
Deixo como blogue da semana o Filibuster, um projecto com seis meses, mas já sedimentado, de gente por quem tenho grande consideração política e intelectual. Fazem parte de uma nova geração e não querem deixar tudo na mesma. Embora não sejam bloggers experientes, espero que se consigam adaptar a este mundo e que o seu projecto venha a ser uma referência.

Que a insubmissão inconstitucional gere insubmissões legítimas


André Couto,

Há muito sinto que o Governo vai além do mandato que lhe foi conferido, das competências que tem e da Constituição da República que regula a sua acção. Como muitos fui lutando em manifestações, em textos e acções enquanto cidadão. Ontem deparei-me com uma situação diferente, uma “ordem do Governo”, que nos dias que correm é assim que designam as coisas, que obrigava a que os subsídios de férias dos funcionários não fossem pagos, contrariando um recente Acórdão do Tribunal Constitucional.

Acho que um Governo que é insubmisso perante as regras que regulam a sua acção, legitima que contra si se ergam insubmissões que só não são semelhantes, porque vão de encontro à Constituição que nos rege, não estando feridas na sua democraticidade. Foi por isso que decidi, ainda ontem, que os trabalhadores da Autarquia que dirijo, facto que não tem nada a ver com o lugar que ocupo neste espaço, receberão, em devido tempo, o subsídio de férias que remunera o seu trabalho, e que foi sua legítima expectativa até há algumas horas.
Como tive oportunidade de escrever, venha o Gaspar à Junta de Freguesia de Campolide, em Lisboa, ordenar que não posso, que eu explico-lhe o que é um Estado de Direito e a Constituição da República que alegremente arruína.

Futebol é xadrez e o Benfica anda a jogar às damas


André Couto,

A 6 de Maio de 2013 o FC Porto precisava de dois improváveis acontecimentos para ser Campeão Nacional: que Benfica não ganhasse ao Estoril e que o próprio FC Porto ganhasse na difícil deslocação a Paços de Ferreira. Exactamente um mês depois, Licá (ex-Estoril), Carlos Eduardo (ex-Estoril) e Josué (ex-Paços de Ferreira) já são jogadores do Porto, e Paulo Fonseca (ex-Paços de Ferreira) foi hoje anunciado como seu novo treinador. O Estoril recebeu €2,8M e o Paços de Ferreira €1,5M. Já o Benfica prepara-se para roubar Steven Vitória ao Estoril, facto assumido há muito pelo próprio jogador, a custo zero, aproveitando o fim do contrato, privando o Estoril de um dos seus maiores activos.
É moralmente censurável o que fez o FC Porto? É! Mas a deontologia do futebol não chega aqui. O que conta é que o FC Porto festejou o seu 27.º título e que o Benfica recolheu as faixas do 33.º.

É preciso aprender que o futebol é xadrez e as jogadas mais eficazes nem sempre são as mais previsíveis. A Direcção do Benfica não pode continuar a falar neste aspecto.

O porquê da renovação de Jorge Jesus ser justa e obrigatória


André Couto,

1. A Jorge Jesus, no Benfica, é pedido muito mais que o mero papel de treinador e gestor de recursos humanos, é pedido o papel de criador e valorizador de activos, activos esses que são alienados para enfrentar o passivo do clube. Não fosse isto e o Benfica podia, como fazem outros grandes da Europa, acumular no plantel valores como os vendidos nos últimos anos, e que dariam uma dimensão desportiva diferente pela antiguidade e desempenho técnico.

2. Ao analisar esta época, recuando a Setembro, tempo da venda de Witsel e Javi Garcia e lesões de Pablo Aimar e Carlos Martins, exercício que poucos analistas fazem, o que estranho não é o Benfica ter perdido três finais, é o facto de, perante os meios disponíveis e gestão seguida, lá ter conseguido chegar.

3. Vejamos, à entrada para a época desportiva 2012/13 o Benfica fez €71,49M em vendas e investiu €26M em aquisições. Mais uma vez o património desportivo do clube foi delapidado, com as vendas de Witsel e Javi Garcia, como sucedeu nas épocas anteriores. Nem assim, o Benfica deixa de, 9 meses volvidos, ter mais uma série de nomes cobiçados pelo mercado, como Garay, Matic, Enzo Perez ou Nico Gaitán, que prometem encaixe financeiro semelhante. 

4. Especialmente grave foi a oportunidade em que se desinvestiu este ano. Witsel e Javi Garcia são vendidos à segunda jornada, depois de toda uma pré-época trabalhada à volta de um meio campo composto por eles. Mais, quando o plantel parecia tornar-se curto, Bruno César e Nolito são dispensados em Janeiro, para reduzir custos. Em qualquer destes quatro caso não é feita qualquer contratação para suprir lacunas. Acresce a isto as indisponibilidades de Carlos Martins e Pablo Aimar, meio campo da época anterior e de Luisão, capitão e líder da equipa.

5. Nunca, desde que me lembro de ser gente, vi o Benfica jogar tão bom futebol e dar tanta luta na conquista das competições. Eu não sou da geração que viveu nas épocas de glória, sou da geração que só viveu vitórias dos adversários, e nunca o Benfica esteve tão perto de as quebrar. Se hoje assim é, deve-se a alguma visão estratégia de quem dirige, e a um grande gestor de activos e recursos humanos, que pratica autênticos milagres: Jorge Jesus. 

Se algo estiver errado no Benfica actual não é o treinador, é a estratégia da Direcção. É o atirar de areia para os olhos dos associados, com objectivos que contrariam a gestão praticada. É o momento absolutamente danoso em que são tomadas as decisões desportivas, privando o plantel de jogadores fulcrais com as épocas em curso, como aconteceu com todos os principais, à excepção de Di Maria e Coentrão. O Benfica não pode ser Campeão Nacional, muito menos Europeu, com esta estratégia, o triplete que este ano esteve quase a acontecer deve-se apenas ao facto de contar com um dos grandes treinadores da Europa nas suas fileiras. É importante que assim continue a ser.

É jogada do Relvas, pá!


André Couto,

A petição que anda aí a pulsar tem o alvo errado.
Passo a explicar: Miguel Relvas percebeu que o PS não descola nas sondagens porque António José Seguro não se impõe na comunicação social, uma vez que há rostos do PS que ocupam o espaço mediático da esquerda, e que não lhe têm especial carinho. Feito o diagnóstico do insólito sucesso do PSD nos estudos de opinião, tendo em conta o estado a que chegámos, toca de mandar vir José Sócrates, que António José Seguro tanto pontapeou enquanto deputado na legislatura anterior, e enquanto Secretário-geral desde que foi eleito.

Por um lado potencia o contínuo ocaso do líder do PS, por outro lado reaviva o fantasma Sócrates, uma vez que ainda há meia dúzia de pessoas que pensam que, com José Sócrates, as coisas estariam piores do que estão. Aqui comete um erro de análise. Na minha opinião não há muita gente a achar isso, em especial os que se lembram de Pedro Passos Coelho, em 6 de Junho de 2011, a dizer que ia cumprir o acordo com a Troika, que era o seu plano de governo, e surpreenderia indo mais além.

Pessoalmente saúdo o regresso de José Sócrates. A sua experiência será uma mais valia no debate político.

 

E Miguel Relvas é um génio.

Não era má ideia…


André Couto,

 

… que Vítor Gaspar viesse tranquilizar a malta e dizer que, caso o acórdão do Tribunal Constitucional venha no sentido que não deseja, a solução não passará por inventar um plano B, que confessou não ter, à base da receita usada em Chipre. Digo eu, só para não desatar tudo a levantar os poucos cobres que restam.

Não foi só fumaça


André Couto,

(A partir dos 30 segundos.)

A minha vénia a todos aqueles que demonstraram que há esperança para além de toda a representação eleita, na qual a sociedade tende a não se sentir representada. Obrigado a todos os cidadãos e cidadãs, anónimos ou não, que saíram da sua zona de conforto e demonstraram que, ainda que o Povo pouco ordene nos dias que correm, talvez as coisas mudem num futuro mais ou menos próprio. Que o Povo seja sereno, mas não durma…

(E o futuro próximo promete que não foi só fumaça.)

Um abraço colectivo ao Adolfo


André Couto,

Sou politicamente insuspeito no elogio ao nosso Adolfo Mesquita Nunes, a quem hoje foi entregue a Secretaria de Estado do Turismo. Estou certo que todos neste espaço, autores e leitores, lhe damos a maior força, certos de que estará à altura de tão nobre desafio.
A aposta no Turismo por parte do Governo tem sido curta e, diga-se, por parte da oposição as críticas têm sido estilo calças pelos tornozelos. Não é preciso, no entanto, ser visionário, para perceber que este pode ser um sector chave na recuperação económica do País, através da geração de emprego e captação de investimento. Até a aparente sazonalidade deste sector pode ser contornada, Portugal não é só um País de praias, havendo todo um outro País a divulgar…
O Adolfo Mesquita Nunes sabe isto melhor que nós. Este é um dia feliz, porque alguém indubitavelmente competente foi designado para o Governo.

“Óh Arménio… Pede desculpa, porra!”


André Couto,


“Daqui a pouco vêm aí outra vez os três reis magos, um do FMI e dois brancos, o do Banco Central Europeu e o da Comissão Europeia, e já se fala em mais medidas de austeridade”. O Arménio não foi racista, se calhar enganou-se a ler…
O Arménio foi infeliz, ponto. Fugiu-lhe o discurso para o preconceito e ninguém morre por isso, mas já morre pela reacção: dos Homens de causas e convicções, de voz grossa e atitude firme, espero a mesma frontalidade na assunção dos erros próprios que na crítica aos erros dos outros e, nesse aspecto, esteve bem pior do que nas polémicas palavras.

Como já li hoje: “Óh Arménio… Pede desculpa, porra!“.

José Matos Rosa procura explicador para aulas de dicção


André Couto,

O Programa Novas Oportunidades conferia qualificações mínimas, a quem não havia tido possibilidade de as adquirir ao longo da vida. Como o Governo extinguiu os Centros de Novas Oportunidades, José Matos Rosa, Secretário Geral do PSD (?!), não vai ter oportunidade de, em doze mil e treulje (0:28), xuxistar (0:40) a soliriadiedade (2:42) do Estado para suprir as suas dificuldades. Procura-se, assim, explicador para aulas de dicção.

 

PS. Juro que há mais pérolas como as referidas, mas este vosso amigo ainda curtia as agruras da passagem de ano e não teve paciência para passar do terceiro minuto. 

É esguichar, minha gente!


André Couto,

 

Atirar calhaus aos Polícias não está com nada.
Os projecteis batem nos escudos e não no lombo dos decisores políticos eventualmente merecedores da “mensagem”. Por outro lado dão lugar a que os decisores políticos, os tais destinatários da “mensagem” frustrada, mandem distribuir bordoadas pela malta e apagar da memória colectiva os dados que o Banco de Portugal divulgou naquele dia. (Desculpem mas sentia-me mal por ser o único português que não tinha mandado o seu bitaite.)

Só se ganha a um Chico Esperto, seja este o Ministro da Administração interna por si, ou o Primeiro Ministro que o desautoriza, se se for mais esperto que ele.
Parecendo que não, o leite entranha-se na roupa e o cheiro não é agradável, para além do desconforto que causa dado o frio.
Queria ver um Chico Esperto a justificar uma carga policial porque os “gandins” estavam a esguichar leite da vaca para cima da Autoridade. Até a CGTP se sentiria orgulhosa e ajudaria no transporte dos animais. Isto não esquecendo a satisfação das “vaquinhas ordenhadas todas umas atrás das outras”, como o nosso Presidente da República tão superiormente retratou há uns anos…

(PS. Para este último ponto googlar “cavaco silva vaquinhas” e abrir o primeiro resultado.)