Não vou cuspir no Tribunal Constitucional por discordar da interpretação da Lei de Limitação de Mandatos. Aqueles Juízes e Juízas têm dado provas de isenção nos seus acórdãos, não cedendo às inqualificáveis pressões a que têm sido sujeitos. A culpa é, antes, do legislador, neste caso especialmente ordinário, e dos políticos que se mantiveram passivos, aguardando pelo confortável desfecho que já todos conhecíamos.
Cumpre agora ao Povo mostrar-se indignado responsabilizando politicamente quem persistiu nesta fraude. Estou convicto que nos últimos quatro anos o País mudou, as pessoas despertaram, viram uma vida fora dos partidos e daquilo que eles têm tido de pior. Novas formas de acção directa pacífica foram utilizadas, grupos de interesses formados e manifestações gigantes concretizadas. As Pessoas começaram a ganhar uma voz que será cada vez mais ouvida, assim não afrouxe. A penalização nas urnas daqueles que beneficiarão da desilusão dos que achavam que estas eram as eleições da renovação tem de ser uma realidade. É uma prova de maturidade democrática que não pode falhar.
Responsabilidade política
André Couto,

Caro André Couto,
Subscrevo a primeira parte do seu comentário (com excepção das “inqualificáveis pressões” – acho as pressões normais e até saudáveis, desde que não sejam institucionais, como algumas vezes foram), mas discordo em absoluto da segunda.
Nestes últimos quatro anos o país, em termos de amadurecimento político ou democrático, pouco ou nada mudou. As manifestações ad hoc que apareceram foram, e aqui concordo, uma novidade ao fugir à usual esfera sindical ou dos partidos de extrema esquerda (PCP e BE), mas continuaram a ser estéreis em termos de ideias, com o mote de “Mudem de política porque está mal, para quê não sabemos”.
Tendo dois filhos pequenos, tenho alguma tendência para cair nas analogias com os mesmos, mas aqui não resisto. As manifestações assemelham-se a quando tiramos um brinquedo a uma criança (ou a proibimos de comer doces) de castigo e eles choram porque querem o brinquedo (ou doce) de volta, sem perceberem que isso lhes foi tirado por culpa deles. Irresponsáveis e infantis (e se nas crianças percebemos e desculpa-mos a irresponsabilidade, que é justa e adequada, já em adultos não o devemos fazer), sem o primeiro e mui importante passo de assumir as responsabilidades próprias. Que temos. Todos.
Tirando uma ou outra ideia mais válida (a discussão da saída do Euro, por João Ferreira do Amaral, parece-me uma das mais consistentes, apesar de pessoalmente discordar da mesma), o grosso são de uma esterilidade atroz. “Expulse-se a Troika” (e pague-se os salários com palavras de indignação, suponho) e outras imbecilidades do género não ajudam.
Não concordo com algumas (ou mesmo muitas) das medidas tomadas (ou não tomadas) por este Governo, mas num ponto têm razão (ou tinham, porque entretanto parece que mudou o disco). A responsabilidade da situação em que estamos é nossa, como nação, com governos democraticamente eleitos (um deles até reeleito após se saber o lindo estado em que tinham deixado o País) e a saída passa, porque tem de passar, por um empobrecimento generalizado do mesmo. Se me perguntar onde está a principal falha deste Governo, está no “generalizado”. O empobrecimento tem sido sectorial, não transversal, e sempre sobre os mesmos (trabalhadores por conta de outrem, e com mais impacto no privado que no público, e pequenas e médias empresas).
O mesmo se passa nas autárquicas locais: um país em que políticos condenados por desvio de verbas e corrupção são reeleitos (e aclamados), em que se vai (ao que parece…) eleger autarcas que depauperaram os seus municípios em municípios vizinhos (com a justificação de que este vai “investir”!), em que as pessoas – e repito-me – recusam a assumir as suas responsabilidades e acham que o dinheiro chega sempre ou é problema dos “maus do Governo” que não atiram dinheiro às autarquias como milho a galinhas (ou pérolas a porcos…) não é democraticamente maduro. É, ainda, oligárquico, com laivos de autocracia popularucha e demagógica. E estamos e vamos pagar, por muitos anos, a nossa falta de amadurecimento. E, por muito que me custe, é bem feito que assim seja.
A minha cabeça é uma ninhada de confusão ou alguma coisa não bate certo. Os defensores mais furiosos da actual constituição representarão aí uns 10% do eleitorado, o que deixa em aberto a questão da legitimidade da dita. E que tal parir uma nova e sujeita-la a referendo? É caso para perguntar quem tem medo da vontade maioritária do povo expressa livremente sem amarras ou obediências fraudulentamente calibradas. Trata-se da lei fundamental, porra !
Onde é que foi buscar a ideia de que a actual CRP só é defendida por 10% das pessoas? A minha é a contrária, a de que é cada vez mais apreciada e defendida. Aliás, não fosse ela e é imaginar onde iam alguns do nossos direitos…
É só uma ideia mas para tira teimas aceito referendo como aceitarei o engano se estiver enganado.
Artº. 43 /457 de 12.12.12
” …” Qualquer incitamento à abstenção em actos eleitorais, é punido com 12 anos de pena de prisão efectiva, no estabelecimento prisional da” Carregueira”…
Óptimo.
29 Setembro: início ajuste de contas.
A bem do Regime…
A minha cabeça é uma ninhada de confusão ou alguma coisa não bate certo. Os defensores mais furiosos da actual constituição representarão aí uns 10% do eleitorado, o que deixa em aberto a questão da legitimidade da dita. E que tal parir uma nova e sujeita-la a referendo? É caso para perguntar quem tem medo da vontade maioritária do povo expressa livremente sem amarras ou obediências fraudulentamente calibradas. Trata-se da lei fundamental, porra !
Estou totalmente de acordo consigo, não estou é tão crente nas decisões dos eleitores na hora de votarem. Infelizmente temos um povo muito pouco politizado. Infelizmente a maturidade democrática vai falhar. Deixei de acreditar.