Não foi só fumaça


André Couto,

(A partir dos 30 segundos.)

A minha vénia a todos aqueles que demonstraram que há esperança para além de toda a representação eleita, na qual a sociedade tende a não se sentir representada. Obrigado a todos os cidadãos e cidadãs, anónimos ou não, que saíram da sua zona de conforto e demonstraram que, ainda que o Povo pouco ordene nos dias que correm, talvez as coisas mudem num futuro mais ou menos próprio. Que o Povo seja sereno, mas não durma…

(E o futuro próximo promete que não foi só fumaça.)

35 comentários em “Não foi só fumaça”

    1. Apetece que de facto algo aconteça que ponha fim a este esmagamento despudorado dos infelizes que ainda têm a infelicidade (ou a teimosia) de ser “povo” em Portugal.

      Sucede, como bem sabemos, que o homem é o lobo do homem (pobres lobos…). Cuidado com o que desejamos. Uma desobediência generalizada, uma manifestação fora de controlo, facilmente serão a alegria da turba, dada a heroísmos de pacotilha e a imagens idealizadas de 1917 ou 68. Mas pode bem ser o meu, ou o seu, filho quem, da ou para a escola, leva uma pedrada na cabeça; pode ser o meu ou o seu carro a ser incendiado, ou de outra forma vandalizado.

      As “massas” habilmente manipuladas no seu desespero, quando destruírem um McDonald’s, glorificando-se por com isso derrotarem o odioso capitalismo, estarão na verdade a arruinar um qualquer português comum que investiu o que tinha e não tinha nesse “franchise”. A dependência bancária incendiada, para provar ao Ulrich que não aguentamos mais, bem poderá ser na verdade o pretexto para que o banco, seja ele qual for, encerre a dita dependência, possivelmente pouco rentável, despeça os funcionários da mesma, ou os recoloque algures no fim do mundo. E ainda faça algum negócio imobiliário.

      Os verdadeiros responsáveis por isto a que chegámos não serão tocados. “Estudam” em Paris, por nós generosamente estipendiados, directa ou indirectamente. Ou por cá, por serem os que agora “estão no poleiro”, servem diligentemente os interesses daqueles que, uma ou outra cor política no poder, de facto mandam.

      Costa

      1. Então o caro Costa o que propõe que se faça? (se não fosse a revolução francesa, mesmo com toda a sua violência revolucionária, não tínhamos nem metade dos direitos/dignidade humana que, apesar de tudo, a civilização ocidental alcançou).

      2. Caro Costa,
        Preocupa-me bem mais a generalização do seu discurso, do que qualquer dos males que referiu. Poderia, com facilidade, mostrar-lhe exemplos igualmente chocantes, como os que deu, com que me deparo todos os dias, frutos do que está mal. Se nada se fizer, esse exemplos multiplicar-se-ão como cogumelos…
        Uma mudança para melhor nada trará de mal. Se calhar somos um Povo exemplar, e sereno, e com iniciativas destas demonstramos que que ainda vai a tempo de acertar a rota.
        Um abraço e obrigado pelo seu testemunho.

        1. Prezados Baudolino e A. Couto, o que proponho que se faça, não sei. Não me é exigível que aponte a cura, para poder apontar uma doença. Nem partilho a sede de sangue, nem me encantam ideologias que levaram à opressão mais abjecta e à morte mais gente do que o nazismo levou (verdade, claro, muito politicamente incorrecta; mas, uma chatice, verdade ainda assim), e a que hoje permanecem fiéis – nunca lhes escutei uma admissão de erro, falha, o que fosse – aqueles que se “emocionam” no parlamento, com a sorte de “desempregados, idosos e pequenos empresários”.

          Isto dito, e em face dessa vossa sede de barricadas, fogo, pólvora, o que seja, fico por aqui. Se essa sede vem do desespero, respeito-a. Se vem do fanatismo ideológico, deploro-a. Em qualquer caso, lamento-a. Se e quando o pior acontecer, que vos não toque a vós. Mas se acaso assim for, estou convencid o que o encarariam como um preço irrisório a pagar pela glória da revolução. Tanto melhor para vós.

          Costa

          1. Caro Costa,
            Não me viu apregoar pólvora, barricadas ou guerras. O que defendo é um protesto pacífico, uma demonstração que o Povo existe e está atento. Está é, também, uma forma de controlo democrático da acção política… A minha ideologia, que não vem ao caso, não se situa em qualquer campo totalitário.
            Um abraço.

  1. Os comunistas portugueses totalitários e anti-democráticos, noutros tempos defendiam que Portugal nunca seria um Democracia Representativa, e chegaram até a cercar o parlamento em 1975. Nos tempos que correm, vão para lá cantar; já é uma evolução, mas a falta de respeito pela Instituição permanece inalterada.
    Chamar Povo àquela gente arregimentada, paga e transportada pelo PCP e pela Intersindical, é um insulto ao Povo que escolheu os deputados democraticamente eleitos que lá estão.
    É mais uma prova de que o Jaime Neves tinha razão, e o trabalho no 25 de Novembro, não ficou terminado.

    1. A vida trouxe-me a felicidade e a sorte de ser amigo de muitos deles, e esse retrato que faz é tão falso que nem merece ser rebatido, mais não seja por muitos serem figuras públicas e qualquer cultura geral mediana os poder reconhecer…
      Obrigado pelo testemunho!

      1. Fico feliz sempre que vejo alguém feliz, como é o seu caso.
        As figuras publicas que eu vi na tv foram o Carlos Mendes, que eu admiro como cantor desde os tempos dos Sheiks ( a versão dele do Summertime é soberba), e o Garcia Pereira de quem invejo o barquinho que tem, porque eu não tenho dinheiro para comprar um igual ou parecido, não deixaram de fazer tristes figuras, e um insulto ao Parlamento.
        E desculpará, mas não é falso que quer um, quer o outro, defendam para Portugal soluções politicas totalitárias.
        Já quanto a serem arregimentados, pagos e transportados pelo PCP e pela Inter, admito que me enganei: eles foram concerteza por meios próprios, e pagaram o almoço do bolso deles.
        Confesso que não entendo o que é uma “qualquer cultura geral mediana”, e fico com a esperança de que qualquer dia, tenha a paciência de me explicar.
        Também não tem de agradecer o meu testemunho, é sempre um gosto!

        1. Caro Alexandre Carvalho da Silveira,
          O que quis dizer com “qualquer cultura geral mediana” foi exactamente o exercício que o Alexandre aqui fez, chegando rapidamente à conclusão que nenhuma daquelas pessoas terá sido paga ou manipulada para perpetrar aquela acção simbólica.
          O facto de lhe agradecer o testemunho não tem ponta de ironia, é sincero. O Alexandre responde-me muitas vezes e já guardo alguns bons debates consigo. É neste tipo de debates que nos aprimoramos e crescemos, e eu sou um especial apreciador deles, ainda mais quando as pessoas, como é o caso, não concordam comigo!
          Um abraço!

      2. Até parece que nenhum ditador teve amigos…
        Mussolini quando foi morto estava com um dos seus amigos mais próximos que também foi morto, e os dois foram pendurados. Era o seu amigo Nicola Bombacci.
        Nicola Bombacci também tinha sido amigo de Lenine e foi um dos fundadores do Partido Comunista Italiano…

  2. Concordo inteiramente consigo,deixe-me usar o seu post para deixar aqui o meu agradecimento áquelas pessoas que hoje foram dizer á casa da Democracia,que há Voz no nosso País.
    Muito obrigada.

  3. É muito bonito.
    É muito …sei lá … exotérico.
    É muito …
    *
    Numa sociedade vazia isto vale zero, é bonito, é giro. E coisas dessas estamos fartos há 20 anos a esta parte.
    Nada mais.

  4. Um poste de um totalitário, claro porque Grândola Vila Morena quando usada politicamente é canção de totalitários.

    O Povo é que ordena e ordenou tudo o que se passou. no país nos últimos 40 anos.
    Quis a Igualdade que não dá Redundância e muito menos Liberdade e depois admira-se.
    Quis entregar mais e mais poder ao Estado a cada legislatura que passou e depois admira-se.
    Esses que cantam Grândola Vila Morena ainda querem mais Estado.

  5. Cara Isabel T.
    “… agradecimento àquelas pessoas que hoje foram dizer à casa da democracia que há Voz no nosso País”? Que pessoas?! Aquela gente a quem o Partido, do quanto pior melhor, paga o transporte e a sandes da ordem para, puras marionetes, executarem os movimentos que a “Voz” do dono lhes manda? Não serão essas pessoas, afinal, discípulos dilectos daquela gente que, de punhos cerrados e olhos flamejando ódios e rancores, em 1975 cercou a casa da democracia e sequestrou os representantes do Povo?

    1. Repito-lhe algo que já escrevi acima:
      “A vida trouxe-me a felicidade e a sorte de ser amigo de muitos deles, e esse retrato que faz é tão falso que nem merece ser rebatido, mais não seja por muitos serem figuras públicas e qualquer cultura geral mediana os poder reconhecer…”
      Obrigado pelo testemunho!

      1. Caro André: Gostaria que o meu amigo sentisse na pele o que eu senti e os meus pais, quando um grupo de energúmenos cantando o Grândola, entrou pela porta da empresa de meu pai adentro, gritanto que a nossa casa era grande de mais para nós os três, que tinha que ser dividida por mais gente, para que me mostrasse a sua tolerância com a ideologia dessa gente.
        Os que ficaram na retaguarda, incitando os outros, hoje já não são comunistas, já são tambem fascistas e burgueses, utilizando a linguagem própria do PCP. Os que vieram na frente continuam como estavam. Tomo a liberdade de lhe sugerir para que repense as suas amizades, pois são apologistas de regimes ditatoriais que comparando, o famigerado Hitler foi um santo.

        1. Caro singularis alentejanus,
          Respeito, obviamente, o que me contou. Felizmente sou muito novo para ter vivido histórias dessas pois não era nascido nesse tempo. De parte a parte houve erros, uns durante o Estado Novo, pelos quais muitos pagaram, outros no pós-25 de Abril, de reacção exagerada de quem muito sofreu e nem sempre tendo culpados como destinatários. O ideal, na minha opinião, era que não tivesse existido o primeiro, e se calhar ter-se-iam evitado os excesso na transição.

          As histórias que vivemos são o que temos de mais nosso, por isso não rebaterei o que disse, deixando-lhe apenas um abraço.

          1. Com poucas excepções, veja-se o caso das práticas carnais sugeridas para com “fiscais das facturas”, o que se escreve e discute em blogues tende a ser efémero. Não por seu demérito, mas pela velocidade a que, por estes dias, tudo se comenta e esquece.

            Ainda assim, volto a este caso, caro André Couto, pedindo-lhe a paciência de tolerar mais este comentário que adivinho bem longe do que perfilha, e já sei, já mo escreveu, que totalitarismos e autoritarismos não são coisa em que se filie.

            Mas não esqueça, rogo-lhe, apesar da sua confessada juventude, que entre esses que diz ter a felicidade de ter como amigos estão decerto alguns dos que em tais ideologias se filiam. Alguns que purificam tudo o que venha de um lado e estigmatizam tudo o que venha do outro. A desconsideração liminar do outro – do adversário – é uma consagrada prática política, maximizada nas tiranias. E aperfeiçoadíssima nas de esquerda.

            O meu caro não viveu, parece, mas eu vivi esses tempos diabólicos do PREC (e não só). Tempos em que ser-se proprietário de um bote de recreio com pouco mais de dois metros e um motor fora-de-borda de dois cavalos de potência, e ser-se arrendatário – arrendatário, note – de um T1 em Sesimbra, era ser-se “banhista-regalista” (janais esquecerei essa revolucionária acusação!), humilhantemente mandado parar e revistado na estrada por brigadas de cravo ao peito, sem ponta de legitimidade, e vivendo o medo da ocupação desse inaceitavelmente burguês palácio de férias que, vivendo em Lisboa, se deixava tentadoramente desabitado.

            Nesse tempo que não conheceu, meu pai, pequeno empresário, no turbilhão de uma economia já fragilizada pelos primeiros choques petrolíferos mas sobretudo arruinada por esse festim revolucionário, não aceitando encerrar a sua empresa enquanto o podia fazer com o mínimo de danos, por entender não poder abandonar o punhado de empregados que dependiam do salário que lhes pagava, acabou arruinado. E nunca verdadeiramente recuperou. Psicologicamente, desde logo.

            São exemplos puramente pessoais, bem sei. Outros bem mais graves, no plano global, poderiam ser aqui invocados. E outros, igualmente pessoais, também.

            Aqueles que hoje invocam, no parlamento e com indignação, a “comoção” que lhes suscita a sorte de “desempregados, idosos e pequenos empresários” são os mesmos, ou os seus seguidores directos, que manipularam as massas e provocaram esses longos dias absurdos; e nunca esboçaram o mais indirecto “mea culpa”, por esses tempos em que destroçaram material e psicologicamente tanta gente de bem. Crime pelo qual ficaram impunes e, alguns, longa e confortavelmente aboletados em sinecuras públicas.

            E, por favor, poupe-nos ao discurso que invocando as maldades do Estado Novo tudo desculpa a quem veio depois. Nem foram casos isolados, foi uma actuação concertada, planeada, amadurecida de saque e violação. Que nos deixou a um passo da guerra civil e cujas feridas ainda hoje não cicatrizaram plenamente.

            Esses, para si, serão boa alternativa aos que lá estão agora. Para mim, não.

            Costa

      1. Exacto vamos todos juntar-nos ao camarada Arménio anti-escurinhos ou aos anti-troikas.
        Fazer algo de útil é que nada. O Estado aka os contribuintes que nos sustentem

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