O sexo da escrita – Prova cega (7)


Ana Vidal,

 

“Não sei nada dos meus gestos. Nunca soube. Foram gestos do mundo, não meus, os que lhe passei pelo peito forte de deus olímpico. Eu sei que foi um sonho. Eu sei. O rochedo ainda lá está, meio na praia meio no mar. O meu sonho é que não. Aquela mulher foi mais forte do que eu, porque desde sempre lhe beija os pés, lhe abraça o corpo, o encharca dia após dia com as suas lágrimas salgadas de mãe que luta sempre para não perder o filho que gerou, naquela prisão de ser, de ser apenas o tempo a gastar-se em beijos e carícias. Eu vivi o instante, o instante que conteve em si a eternidade. Mas não passou dum instante. E foi a chorar que eu consegui sorrir, nessa vertigem de me enamorar pela beleza. E a beleza foi isso. O instante em que retive o sonho dentro da sensação sonhada. M. tinha razão. E ela ia-o cobrindo cada vez mais, cada vez mais, naquele abraço que só a rotação da terra, a outra Mãe, permite. As imagens sucediam-se, na sensação da imagem que aquela imagem me dava, e que era a Imagem afinal, daquele que eu procurava, e, que assim disfarçado de rochedo e abraçado pela água, Mãe, acabou por me ensinar mais um dos nomes de Deus.”

 

Pergunta-se: Este texto foi escrito por um homem ou por uma mulher? Fundamente a sua resposta. O nome do(a) autor(a) será divulgado logo que haja respostas suficientes para que este desafio tenha algum interesse. E, para que tenha realmente interesse, por favor evite a batota. Isto não é um concurso de erudição nem o objectivo é identificar os autores. O que realmente se pretende é discutir se existe ou não uma escrita literária sexuada, ainda que as amostras que aqui apresento sejam, como é óbvio, necessariamente insuficientes para classificar toda a obra de um autor.

 

Solução (Domingo, 23,50h): José Manuel Arrobas – “A impossível solidão”. Desta vez sem consensos nem maiorias absolutas, embora tenha havido mais respostas certas. Gostei das hesitações e das alterações do sentido de voto…

O sexo da escrita – Prova cega (6)


Ana Vidal,

 

“Muitas mulheres educadas como católicas tinham a sensação de que era urgente cometerem pecados, e passavam anos encadeando aventuras. Talvez ela fosse assim, talvez caminhasse pelo mundo cheia de sémen, sentindo-se carnal, talvez o sexo se tivesse convertido numa experiência mística, uma espécie de graça dada pelos homens, como no caso de santa Teresa de Ávila a quem era Deus que dava esse êxtase. Não posso sabê-lo ao certo, só posso imaginá-lo, mas tenho quase a certeza de que ela se empenhava em acumular homens por pura rebeldia, não por verdadeiro desejo. Eu desejei-a sempre, e quando ela me contava as suas aventuras sentia crescer em mim uma espécie de torvelinho interior, um misto de ciúmes e excitação. Os seus olhos negros enviavam-me obscuras mensagens sem palavras, que eu tentava  esforçadamente decifrar. Mas via-a sempre a olhar com olhos ávidos noutra direcção.”

 

Pergunta-se: Este texto foi escrito por um homem ou por uma mulher? Fundamente a sua resposta. O nome do(a) autor(a) será divulgado logo que haja respostas suficientes para que este desafio tenha algum interesse. E, para que tenha realmente interesse, por favor evite a batota. Isto não é um concurso de erudição nem o objectivo é identificar os autores. O que realmente se pretende é discutir se existe ou não uma escrita literária sexuada, ainda que as amostras que aqui apresento sejam, como é óbvio, necessariamente insuficientes para classificar toda a obra de um autor.

Nota: Texto traduzido por mim.

 

Solução (5a feira, 14.45h): Lucia Etxebarria – “Beatriz e os corpos celestes”. Desta vez voltou a haver uma quase unanimidade nas opiniões, e num texto que eu julgava suficientemente dúbio. Querem ver que tenho mesmo de rever a minha posição? Enfim, não cedo sem trazer aqui mais alguns textos. Sou teimosa, mas dou a mão à palmatória quando é caso disso. Fiquem atentos: até ao fim de Agosto haverá mais provas cegas, e no fim podem festejar comigo a glória ou a humilhação. Festejar, sim. É isso que acontecerá em qualquer caso, porque esta série já valeu pela discussão animada, pelas questões laterais que levantou (boas ideias para outras séries) e, sobretudo, pela vossa companhia aqui no Delito.

Frases


Ana Vidal,
“O último homem sobre a terra terá de ser um português que duvida do que é natural e que se indisciplina perante a consumação dos séculos.”

(Agustina Bessa-Luís)

O sexo da escrita – Prova cega (5)


Ana Vidal,

 

 

 

 

 

 

 

 

 

«O amor, dizes… O amor capaz de sacrifício. Ah, que fácil é dizê-lo! Compreendi que o amor mal interpretado, supostamente deslocado, mata mais do que o veneno, o automóvel e o cancro de pulmão juntos. As pessoas matam-se com o amor como se matam com um raio invisível e letal. Desejam cada vez mais amor, e que seja só para eles toda a ternura, unicamente para eles. Pretendem um sentimento completo, desejam sorver daqueles que os rodeiam toda a força vital, com a mesma avidez dessas plantas enormes que, sem piedade, absorvem energia, humidade, perfume e raios de luz dos charcos e sua envolvente. O amor é um egoísmo desenfreado. Não sei se haverá muitos que suportem a terrível tirania do amor sem sofrer danos irreparáveis. Olha à tua volta, observa das janelas, olha as pessoas nos olhos, ouve as suas queixas e encontrarás em todo o lado a mesma desesperada tensão. Não conseguem suportar a exigência do amor que respiram no ar. Por um tempo, toleram-na, mercam-na e cansam-se. Segue-se a acidez no estômago. A úlcera gástrica. A diabetes. Perturbações cardíacas. A morte.»

 

Pergunta-se: Este texto foi escrito por um homem ou por uma mulher? Fundamente a sua resposta. O nome do(a) autor(a) será divulgado logo que haja respostas suficientes para que este desafio tenha algum interesse. E, para que tenha realmente interesse, por favor evite a batota. Isto não é um concurso de erudição nem o objectivo é identificar os autores. O que realmente se pretende é discutir se existe ou não uma escrita literária sexuada, ainda que as amostras que aqui apresento sejam, como é óbvio, necessariamente insuficientes para classificar toda a obra de um autor.

Nota: texto traduzido.

 

Solução (Domingo, às 11.15h): Sándor Märai – “A mulher certa”. Ao contrário do que eu pensava, Märai foi quase consensual. O texto corresponde ao discurso de uma personagem feminina – e este era o truque – por isso, acho que acertaram também os que disseram que ele era feminino. “Nova voltinha, nova viagem” já amanhã ou depois. Fiquem atentos, e obrigada por alinharem nesta brincadeira. 

Rasgos (31)


Ana Vidal,

Natália Correia – “Verdadeira litania para os tempos da revolução”

Resposta a este repto de Mário Cesariny:

 

Burgueses somos nós todos

ó literatos

burgueses somos nós todos

ratos e gatos

 

Mário nós não somos todos burgueses

os gatos e os ratos se quiseres,

os literatos esses são franceses

e todos soletramos malmequeres.

Da vida o verbo intransitivo

não é burguês é ruim;

e eu que nas nuvens vivo

nuvens! O que direi de mim?

Burguês é esse menino extraordinário

que nasce todos os anos em Belém

e a poesia se não diz isto Mário

é burguesa também.

Burguês é o carro funerário.

Os mortos são naturalmente comunistas.

Nós não somos burgueses Mário

o que nós somos todos é sebastianistas.

O sexo da escrita – Prova cega (4)


Ana Vidal,

 

“é assim e é até ao fundo até o mais fundo da dor a vontade é uma festa e nós sobretudo nós que já a perdemos não podemos deixar de beber na fonte da palavra vontade não podemos deixar de largar tudo e ainda outra vez deixar tudo e ir atrás do abismo de Lampião seguir um bando uma coluna lançar-nos de novo naquilo que eventualmente chamamos de vontade porque essa vontade era a vontade de viver e reinventar a vida todos os dias e era e é sendo vontade sobretudo para nós bandoleiros que não a pronunciamos mais a própria vida o nosso coração contente.”

 

Pergunta-se: Este texto foi escrito por um homem ou por uma mulher? Fundamente a sua resposta. O nome do(a) autor(a) será divulgado logo que haja respostas suficientes para que este desafio tenha algum interesse. E, para que tenha realmente interesse, por favor evite a batota. Isto não é um concurso de erudição nem o objectivo é identificar os autores. O que realmente se pretende é discutir se existe ou não uma escrita literária sexuada, ainda que as amostras que aqui apresento sejam, como é óbvio, necessariamente insuficientes para classificar toda a obra de um autor.

 

Solução: Gisela Campos – “As idéias todas”. A minha teoria ganha peso, tendo em conta que o número dos comentadores que se inclinaram para a autoria masculina dobra o número dos que tiveram opinião contrária. Perante o reparo de estar a “encolher” os textos para dificultar a análise, prometo um texto mais longo para a próxima vez. Não foi propositado, garanto, mas a crítica não deixa de ser justa. Não faltem à próxima chamada, é já no sábado.

 

Da razão e das razões


Ana Vidal,

Já o disse por aqui numa caixa de comentários, mas parece-me importante reforçar esta ideia: sancionar, ou, de algum modo, tolerar a selvajaria gratuita dos distúrbios de Londres – como tenho visto fazer aos diletantes blasés da nossa praça, enquanto bebem tranquilamente o seu whisky de malte – é um total desrespeito por tantos outros protestos (de rua, inclusivamente) em nome de uma causa, mesmo que errada. Matar a pontapé um comerciante para lhe sacar um telemóvel topo de gama não é o mesmo, nem será jamais, que enfrentar de peito aberto um tanque de guerra na praça Tianamen. Haja decoro.

O sexo da escrita – Prova cega (3)


Ana Vidal,

 

“A primeira fotografia guarda para sempre a imagem de um altivo cavalheiro dolorido que procura em vão ocultar, sob elegantes atributos convencionais – um chapéu de copa, um colarinho engomado e uma bengala que as mãos seguram – o que o seu olhar tristíssimo denuncia: que é o mais infeliz dos homens. A segunda mostra-nos HJ com a mesma indumentária, olhando, não sem assombrosa incredulidade, o primeiro retrato. Esse jogo do homem visto pelos outros, do homem visto por si mesmo, foi sem dúvida sugerido por J. O rosto que qualquer uma das fotografias capta, corresponde, estóico e ausente, à inexorável imagem que a obra deixa transparecer.”

 

Pergunta-se: Este texto foi escrito por um homem ou por uma mulher? Fundamente a sua resposta. O nome do(a) autor(a) será divulgado logo que haja respostas suficientes para que este desafio tenha algum interesse. E, para que tenha realmente interesse, por favor evite a batota. Isto não é um concurso de erudição nem o objectivo é identificar os autores. O que realmente se pretende é discutir se existe ou não uma escrita literária sexuada, ainda que as amostras que aqui apresento sejam, como é óbvio, necessariamente insuficientes para classificar toda a obra de um autor.

 

Solução (às 22.45h): Jorge Luis Borges – Prólogo para o conto de Henry James “The friends of the friends”. Desta vez o labiríntico Borges não enganou a maioria dos argutos – e cultos – comentadores do Delito de Opinião. Talvez o próximo texto não seja tão consensual.

 

O sexo da escrita – Prova cega (2)


Ana Vidal,

 

“Pasmaram os deuses por encontrarem entre os homens aquela imaginação infinita do Mal, aqueles inumeráveis recursos e angústias do prazer e do pecado. Num pântano ao fundo do cemitério, a cabeça de Kali ondulava como um lótus, e os seus longos cabelos negros nadavam à sua volta como raízes flutuantes. Recolheram piedosamente aquela bela cabeça exangue e puseram-se em busca do corpo que a sustentara. Um cadáver decapitado jazia junto à margem. Tomaram-no, pousaram a cabeça de Kali naqueles ombros e reanimaram a deusa. Esse corpo era o de uma prostituta, executada por tentar inquietar as meditações de um jovem Brâmane. Privado de sangue, aquele pálido cadáver parecia puro. A deusa e a cortesã tinham na coxa esquerda o mesmo sinal preto.”

 

Pergunta-se: Este texto foi escrito por um homem ou por uma mulher? Fundamente a sua resposta. O nome do(a) autor(a) será divulgado logo que haja respostas suficientes para que este desafio tenha algum interesse. E, para que tenha realmente interesse, por favor evite a batota. Isto não é um concurso de erudição nem o objectivo é identificar os autores. O que realmente se pretende é discutir se existe ou não uma escrita literária sexuada, ainda que as amostras que aqui apresento sejam, como é óbvio, necessariamente insuficientes para classificar toda a obra de um autor.

 

Solução (7 Agosto às 21.15h): Marguerite Yourcenar – “Contos Orientais”. Como eu calculava, desta vez as opiniões dividiram-se e as apostas rondaram os 50%/50%. O que prova que o tema não é, pelo menos, linear. Obrigada a todos pela participação, e já amanhã estará aqui novo desafio. Vamos aos palpites!

O sexo da escrita – Prova cega (1)


Ana Vidal,

 

 

 

 

 

 

 

 

“Nós, os que escrevemos, temos na palavra humana, escrita ou falada, grande mistério que não quero desvendar com o meu raciocínio que é frio. Tenho que não indagar do mistério para não trair o milagre. Quem escreve ou pinta ou ensina ou dança ou faz cálculos em termos de matemática, faz milagres todos os dias. É uma grande aventura e exige muita coragem e devoção e muita humildade. O meu forte não é a humildade em viver. Mas ao escrever sou fatalmente humilde. Embora com limites. Pois do dia em que eu perder dentro de mim a minha própria importância, tudo estará perdido. Melhor seria a empáfia, e está mais perto da salvação quem pensa que é o centro do mundo, o que é um pensamento tolo, é claro. O que não se pode é deixar de amar a si próprio com algum despudor. Para manter a minha força, que é tão grande e helpless como a de qualquer pessoa que tenha respeito pela força humana, para mantê-la não tenho o menor pudor.”

 

Pergunta-se: Este texto foi escrito por um homem ou por uma mulher? Fundamente a sua resposta. O nome do(a) autor(a) será divulgado logo que haja respostas suficientes para que este desafio tenha algum interesse. E, para que tenha realmente interesse, por favor evite a batota. Isto não é um concurso de erudição nem o objectivo é identificar os autores. O que realmente se pretende é discutir se existe ou não uma escrita literária sexuada, ainda que as amostras que aqui apresento sejam, como é óbvio, necessariamente insuficientes para classificar toda a obra de um autor.

 

Solução (às 22.30h): o texto foi retirado do livro “Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres”, de Clarice Lispector. A maioria dos comentadores inclinou-se para uma escrita feminina, mas bastam três opiniões em contrário para derrubar a tese do reconhecimento infalível. E aposto que os próximos textos serão menos consensuais. Obrigada pela animada participação e fiquem atentos, haverá duas provas cegas em cada semana.

O sexo da escrita


Ana Vidal,

 

Tenho habitualmente dúvidas sobre se existe uma escrita “feminina” e outra “masculina”, ainda que os próprios conceitos variem conforme o prisma. Mas quando, como hoje, leio belos textos claramente musculados como este, essas dúvidas diluem-se: António Lobo Antunes nunca poderia ser uma mulher. Não porque lhe falte sensibilidade, abrangência ou cor, mas porque tem uma inequívoca “andro-escrita” (às vezes dá-me jeito inventar palavras), que por sinal lhe fica muito bem. Vem isto a propósito de uma dicussão entre amigos sobre o tema, em que ambas as barricadas defendiam acaloradamente a sua dama. Dei comigo a saltitar entre uma e outra, incapaz de me fixar numa opinião definitiva. Havia quem defendesse que, perante uma “prova cega” de textos (como se faz com os vinhos ou com os perfumes), saberia dizer, com uma quase certeza, se eles teriam sido gerados no cérebro de um homem ou no de uma mulher. Do outro lado, contrapunha-se nomes de escritores que se revelaram profundos conhecedores do universo feminino – como Märai, por exemplo – ou de escritoras  – como Yourcenar – cuja escrita forte e vigorosa se afasta do cânone feminino e pode levar facilmente um leitor ao engano. Enfim, debateu-se animadamente o eterno assunto, sem que tenha faltado na liça o nome de Amandine-Aurore-Lucile Dupin, baronesa de Dudevant, literariamente travestida  de George Sand.

 

(Nota – Apeteceu-me hoje trazer o assunto para os leitores do DO, com a pergunta sacramental: acha que existe, de facto, uma escrita feminina e uma escrita masculina? Diga de sua justiça.)

 

Adenda: Por sugestão da Laura, vou promover aqui no Delito, durante o mês de Agosto, algumas provas cegas de textos. Veremos o que dá a experiência. Para evitar que haja muita batota – o google é a cábula perfeita para brilharetes! – as respostas terão de ser fundamentadas.

Dois nomes, dois símbolos


Ana Vidal,

Ia escrever qualquer coisa exactamente sobre o tema deste excelente texto de Fernanda Câncio. Mas está lá tudo o que eu diria, e muito mais bem dito. Limito-me a acrescentar um ponto que me parece importante: infelizmente, existem loucos, fanáticos e psicopatas em todas as ideologias políticas. Breivik pertence à extrema direita (Hitler fez escola, este caso é mais uma triste prova disso), mas também podia ser da extrema esquerda e escolher outros alvos (seguindo o mestre Estaline) com o mesmíssimo objectivo, mas de sinal contrário. O que quero dizer é que recuso acreditar que por detrás deste grau máximo de malignidade não esteja um muito sério distúrbio mental. Porque é sempre nestes perfis estranhos – autênticas bombas-relógio à solta nas sociedades – que melhor medram o fanatismo religioso ou político, a amoralidade e o ódio, transformando-os em exterminadores implacáveis num qualquer banho de sangue que glorifique a sua distorcida noção de justiça. E será sempre muito difícil – se não mesmo impossível – identificá-los como tal antes de perpetrarem as suas desvairadas vinganças.

Leituras de férias


Ana Vidal,

 

“Amo esta língua. Não é uma língua fácil. É um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve querendo roubar às coisas e pessoas a sua primeira camada superficial. É uma língua que por vezes reage contra um pensamento mais complexo. Por vezes o imprevisto de uma frase causa-lhe medo. Mas eu gosto de manejá-la – tal como outrora gostava de montar um cavalo para o levar pelas rédeas, umas vezes lentamente, outras a galope”.

 

Conhecendo um pouco (só um pouco, e já é muito) do pensamento de Clarice Lispector, e a avaliar pela belíssima metáfora deste texto, aposto que ela não subscreveria esta aberração que dá pelo nome de acordo ortográfico. Não me parece que a grande Clarice gostasse de ver o seu desafiante ginete transformado numa insípida e amorfa pileca.

 

(Imagem: aguarela de Luís Leal)

Frases


Ana Vidal,

“Estamos todos unidos pelas tripas!”

 

Rosa Mota, a propósito da guerra autárquica entre o Porto e Vila Nova de Gaia por causa da candidatura das “tripas à moda do Porto” às 7 Maravilhas da Gastronomia.

Leituras de férias


Ana Vidal,

 

“Se uma pessoa perfeita do planeta Marte descesse e soubesse que as pessoas da Terra se cansavam e envelheciam, teria pena e espanto. Sem entender jamais o que havia de bom em ser gente, em sentir-se cansada, em diariamente falir; só os iniciados compreenderiam essa nuance de vício e esse refinamento de vida.”

 

Clarice Lispector, in Laços de Família