“Muitas mulheres educadas como católicas tinham a sensação de que era urgente cometerem pecados, e passavam anos encadeando aventuras. Talvez ela fosse assim, talvez caminhasse pelo mundo cheia de sémen, sentindo-se carnal, talvez o sexo se tivesse convertido numa experiência mística, uma espécie de graça dada pelos homens, como no caso de santa Teresa de Ávila a quem era Deus que dava esse êxtase. Não posso sabê-lo ao certo, só posso imaginá-lo, mas tenho quase a certeza de que ela se empenhava em acumular homens por pura rebeldia, não por verdadeiro desejo. Eu desejei-a sempre, e quando ela me contava as suas aventuras sentia crescer em mim uma espécie de torvelinho interior, um misto de ciúmes e excitação. Os seus olhos negros enviavam-me obscuras mensagens sem palavras, que eu tentava esforçadamente decifrar. Mas via-a sempre a olhar com olhos ávidos noutra direcção.”
Pergunta-se: Este texto foi escrito por um homem ou por uma mulher? Fundamente a sua resposta. O nome do(a) autor(a) será divulgado logo que haja respostas suficientes para que este desafio tenha algum interesse. E, para que tenha realmente interesse, por favor evite a batota. Isto não é um concurso de erudição nem o objectivo é identificar os autores. O que realmente se pretende é discutir se existe ou não uma escrita literária sexuada, ainda que as amostras que aqui apresento sejam, como é óbvio, necessariamente insuficientes para classificar toda a obra de um autor.
Nota: Texto traduzido por mim.
Solução (5a feira, 14.45h): Lucia Etxebarria – “Beatriz e os corpos celestes”. Desta vez voltou a haver uma quase unanimidade nas opiniões, e num texto que eu julgava suficientemente dúbio. Querem ver que tenho mesmo de rever a minha posição? Enfim, não cedo sem trazer aqui mais alguns textos. Sou teimosa, mas dou a mão à palmatória quando é caso disso. Fiquem atentos: até ao fim de Agosto haverá mais provas cegas, e no fim podem festejar comigo a glória ou a humilhação. Festejar, sim. É isso que acontecerá em qualquer caso, porque esta série já valeu pela discussão animada, pelas questões laterais que levantou (boas ideias para outras séries) e, sobretudo, pela vossa companhia aqui no Delito.


eu diria por uma mulher, pela forma cuidada como lida literariamente com o sexo.
mas é um texto demasiado curto.
e claro que existe uma escrita feminina e uma masculina. se pensamos de forma diferente sobre várias coisas, também escrevemos de forma diferente, Ana.
Não acho esse raciocínio assim tão linear, Luís, e o meu ponto não é bem esse: acredito que um texto literário, mesmo que marcadamente sexuado, não tem de corresponder necessariamente ao género do escritor. Mas talvez tenha razão e eu não…
Mulher. ‘Acumular homens por pura rebeldia’ é frase de mulher e uma perspectiva feminina.
Sabes muito, Leonor… 🙂
😀
Mulher.
A referência aos êxtases místicos de santa Teresa de Ávila é um paralelo que os homens gostam de fazer quando falam dos êxtases carnais, sabe-se lá porquê, mas a frase :”cheia de sémen, sentindo-se carnal” é frase de mulher, isto implica um conhecimento de causa pós-extático que um homem pode ter, obviamente, mas que não diria assim.
Pode até ser uma personagem masculina a falar, mas o texto parece-me escrito por uma mulher.
É uma personagem feminina a falar, o que é ainda mais curioso. Mas já vi que não te engano nunca, Ivone…
Eu até sou uma pessoa muito enganável. Confesso que a referência a santa Teresa me baralhou, talvez porque, não poucas vezes, li escritos de homem em que o êxtase teresiano, na versão de Bernini, lhes parecia ser perfeita a representação de certos íntimos torvelinhos.
Mas tudo resto era muito de mulher.
Mas, Ivone, eu sou mulher e também acho que aqueles torvelinhos teresianos têm muito de físico! Toda a peça, aliás, me parece uma alegoria nada inocente da parte de Bernini.
Mulher: “Eu desejei-a sempre, e quando ela me contava as suas aventuras sentia crescer em mim uma espécie de torvelinho interior, um misto de ciúmes e excitação”
Também é da turma dos que acham que os homens não sentem torvelinhos? 🙂
Mulher. Projectando-se na narrativa do prazer de outra mulher e tentando descodificar o desejo dessa mulher, tendo como referência o seu. Ou seja: uma “fantasia” de sujeito e objecto femininos
Good point, Leonor.
Engraçado, a mim soa-me a homem, por o texto parecer muito directo na forma como aborda o sexo. Mas isso pode ser mulher a escrever como homem, como se refere noutros comentários. Vejo neles muito bons argumentos para eu estar errado.
E estava, João. Mas com bons argumentos também.
Bom, pelo menos pode-se dizer que a autora sabia escrever “à homem”, coisa que não é nada fácil.
Mais uma ideia: num texto onde o discurso seja de uma personagem masculina, descortinar se se trata de um homem ou uma mulher a escrever. Ou vice-versa.
Gosto destes jogos Ana 🙂
Homem e provocador.
PS: Só agora reparei na sua Nota “texto traduzido por mim”. Espanhol, verdad? 😉
Verdad. Pero… mujer, no varón.
“Eu desejei-a sempre”, em princípio o narrador é um homem, o que me leva a supor que o autor é mulher, pois se o género fosse coincidente esta prova seria demasiado fácil. Mas claro que o truque pode ser induzir os leitores a este raciocínio. Aposto numa mulher.
E apostas muito bem. Tudo isso, e o contrário, pode acontecer… aqui vale tudo, Teresa! 🙂
«Sentia crescer em mim uma espécie de torvelinho interior, um misto de ciúmes e excitação.» Frase que só poderia ter sido escrita por uma mulher.
Concordo. Os homens não sentem ‘torvelinhos interiores’.
Qual o original de torvelinhos? 🙂
A tradução pode criar “confusão”. Na língua portuguesa há palavras que podem induzir em erro.
Ya veremos!
lol
Ana, vou abrir uma excepção e dar pistas adicionais antes de anunciar a conclusão. Porque levantou aqui uma questão de tradução e essa foi da minha responsabilidade. O original é espanhol, sim. Hesitei entre traduzir “torbellino” por “turbilhão”, “torvelinho” ou “redemoinho”, mas optei por deixar ficar a tradução directa porque a palavra existe também em português, com o mesmo significado. “Turbilhão” seria forçar a nota, “redemoinho” pareceu-me menos adequado. Seja como for, para este teste não me pareceu muito importante… mas talvez esteja enganada. Os homens sentem “turbilhões interiores” mas não “torvelinhos interiores”? Não sei, mas penso que todos os sentimos de vez em quando, quer sejamos homens ou mulheres. 🙂
Mas há outra nota de tradução que hei-de trazer aqui no fim, porque essa sim, é reveladora de uma opção pessoal (embora não altere em nada o significado).
Ana, ainda há 10 minutos coloquei aqui uma correcção.
Encontra aí nos comentários por publicar. Muito obrigada:
«Qual o original de torvelinhos? 🙂
A tradução pode criar “confusão” e há palavras que podem induzir em erro.
Ya veremos!
lol»
Deixo um texto:
«En él todo es cerebro y corazón. Todo pasa en el interior; las cosas del exterior le interesan poco, y no tiene más que vagas tendencias hacia la belleza plástica, la forma pura, la significación de las cosas, esta vida en la que los poetas animan la materia; pues el es muy poco poeta, aunque él lo diga.
Confiesa que visitando la galería de Dreste, permaneció frío ante los Rubens y los Rafael, porque no tenía en su mano la de su querida condesa Hanska, que más tarde se convertiría en su esposa.
Es ante todo un torbellino de ideas: un espiritualista; lo dice, lo afirma y lo repite. Es un inventor prodigioso más que un observador. Concebía de entrada sus personajes de una pieza; luego, de los caracteres que les había dado, deducía infaliblemente todos los actos que éstos debían llevar a cabo en todas las ocasiones de su vida. No veía más que el alma. El objeto y el hecho no eran para él más que accesorios.»
BALZAC SEGÚN SUS CARTAS
( Balzac d’après ses lettres )
Texto publicado en La Nation, el 22 de noviembre de 1876.
Traducción de José M. Ramos González para http://www.iesxunqueira1.com/maupassant euvre
Versión en francés: http://maupassant.free.fr/cadre.php?page=o
No caso desse texto sobre Balzac, por exemplo, eu teria claramente usado a palavra “turbilhão”. Mas a verdade é que é uma tradução de outra tradução, por isso seria mais correcto traduzir directamente do francês. 🙂
Uma coisa é certa: todas as traduções são interpretativas, por muito que se procure ser fiel ao original.
Olá Ana,
Não podia deixar de passar por aqui e ver se já há pistas adicionais conforme escreveu ontem. 🙂
Também não quis deixar de dizer que esta prova tem sido muito interessante, enriquecedora e divertida.
Faltou-me deixar o texto “Balzac d’après ses lettres” no seu original:
Chez lui tout est cerveau et coeur. Tout passe en dedans ; les choses du
dehors l’intéressent peu, et il n’a que des tendances vagues vers la beauté
plastique, la forme pure, la signification des choses, cette vie dont les poètes
animent la matière ; car il est fort peu poète, quoi qu’il en dise.
Il avoue qu’en visitant la galerie de Dresde, il est resté froid devant les
Rubens et les Raphaël, parce qu’il n’avait point dans sa main celle de sa chère
comtesse Hanska, qui plus tard devint sa femme.
C’est avant tout un remueur d’idées : un spiritualiste ; il le dit,
l’affirme et le répète. C’est un inventeur prodigieux bien plus qu’un
observateur ; seulement il devinait toujours juste. Il concevait d’abord ses
personnages tout d’une pièce ; puis, des caractères qu’il leur avait donnés il
déduisait infailliblement tous les actes qu’ils devaient faire en toutes les
occasions de leur vie. Il ne visait qu’à l’âme. L’objet et le fait n’étaient
pour lui que des accessoires.
E uma música que achei uma delícia para não esquecer esta Prova Cega…
http://www.youtube.com/watch?v=c22cy6wg3 mY
Torvelinho
E de repente era um nada, um buraco, um vão.
E de repente era um vento, um tufão.
Um redemunho varrendo o mundo
-senti o tempo me envolver como um turbilhão.
Eclipses, luzes, anos novos e velhos.
Os astros no universo sem ontem e sem amanhã.
Um torvelinho girando as linhas
dos rastros da nossa estrela-anã.
Deus e o diabo sãos enrodilhados
jogavam dados pra escolher a direção.
No universo um redemunho
varreu o tempo como um furacão.
Um torvelinho, mil claro-escuros,
e a existência perdeu duração.
Bjs e até mais logo
Bem, não há dúvida de que os torvelinhos mexeram consigo, Ana!! 🙂
Obrigada pelos presentes de luxo. O Manoel de Barros é a minha mais recente paixão poética, acertou em cheio. E a canção é muito boa.
Outro exercício interessante seria colocar a tradução (pessoal) de um texto e propôr aos leitores que identificassem o idioma de origem.
Mais uma ideia para uma série, João André.
Uma boa ideia.
Vou nessa!
Voltaste ao quadro de honra, Pedro.
Errata:
Qual o original de torvelinhos? 🙂
A tradução pode criar “confusão” e há palavras que podem induzir em erro.
Ya veremos!
Sem querer abusar do seu espaço, não resisto a deixar isto:
estorvo, estorvar, exturbare, distúrbio,
perturbação, torvação, turva, torvelhinho,
turbulência, turbilhão, trovão, trouble,
trápola, atropelo, tropel, torpor, estupor,
estropiar, estrupício, estrovenga, estorvo
CHICO BUARQUE
ESTORVO
Ana, é sempre reconfortante saber que quem lê os comentários é alguém que merece a nossa admiração.
Beijinho
Outro para si, e não abusa nada! Pelo contrário, o contributo de comentadores da sua qualidade é que enriquece estes temas. Esta série não teria o menor interesse sem comentários como o seu.
(aqui entre nós, acho que o Chico – que eu amo “de paixão” e a quem tudo perdoo… – é que abusa dos sinónimos, neste caso) 🙂
Cara Ana, obrigada pelas suas palavras tão
simpáticas.
Aqui entre nós, também amo o Chico pra caramba! 🙂
http://www.youtube.com/watch?v=9yroPUCHU 1s
Ouviu o que ele disse: a música viaja mais fácil….não precisa nem de tradução! 😉
http://www.youtube.com/watch?v=wk-0b8yLy EQ&feature=related
Chico vai ao Programa Jô Soares Onze e Meia para divulgar o lançamento de seu primeiro romance, Estorvo. Dezembro de 1991
Será que vamos continuar o papo sobre o Chico? Estou fugindo ao essencial… a Prova Cega!
Ora, aqui entre nós, de Ana para Ana… quando entra o Chico na dança, nada mais é essencial! 😉
É que nada, nada mesmo, viu?!;-) LOL
Aposto numa mulher.
“… de que ela se empenhava em acumular homens por pura rebeldia, não por verdadeiro desejo” – um homem talvez tivesse aproveitado para lamentar o sofrimento que ela causaria aos homens de quem se aproveitava, acusando-a de ser uma “maneater”. Os homens não perdem uma oportunidade para lamentar a sua condição, a sua incapacidade de resistirem a certas mulheres… 😉
Isso é uma grande verdade, Cristina. Os homens adoram fazer-se de vítimas das mulheres… 🙂
O texto era dúbio, sim, eu ainda hesitei, por causa da frase: “Eu desejei-a sempre”. Claro que pode ser sempre uma mulher, mas uma pessoa, instintivamente, pensa num homem.
Excelente série, Ana, claro que haverá razões para festejar, independentemente do resultado, sem lugar para “humilhações” 😉
“Humilhação” era brincadeira, Cristina. E “glória” também. Aliás, não sei se chegaremos sequer a alguma conclusão inequívoca, acho que não… 🙂
Mulher. Embora numa ou noutra frase pareça que tem a escrita directa de um homem.
Mas um tipo que fica excitado com as aventuras da mulher que deseja?
Acha impossível que isso aconteça, Lucklucky? Eu não. Acho que há mistos de ciúmes e excitação muito masculinos também…
Impossível é demasiado forte, uma vez que há gente para tudo. O comum num homem seria só ciume e tapar os ouvidos.
Talvez tenha razão. Eu gosto de vos imaginar mais complexos do que são, deve ser isso.
Posso fazer uma sugestão? Já a tinha feito na Prova do J. L. Borges mas o comentário não entrou.
Gostaria de ler o texto no seu original.
Puede que esté muy bien la traducción pero hace tiempo he leído que la buena traducción es cuando lees un texto y crees que así fue escrito.
Vá lá, Ana, saia lá desse torvelinho que eu já estou num turbilhão de nervos! 🙂
Ana, não li esse seu comentário nem sei porque se extraviou. Mas respondo-lhe agora à mesma questão: eu não traduzi estes dois textos (por acaso em castelhano, mas podia ter sido noutra língua) para aumentar-lhes a dificuldade ou passar rasteiras a quem se propõe adivinhar o sexo do(a) escritor(a). Pelo contrário, traduzi-os para abrir o leque de participação a quem não domina outras línguas. Não são traduções profissionais (já fiz algumas também, mas nessas tenho muito mais cuidado) e, como todas as traduções, são necessariamente interpretativas. Mas acho que não faz sentido pôr aqui um texto no original e depois o mesmo texto traduzido, porque isso só desviaria a questão da sua essência, não é a tradução que está em causa. Além de que reduziria o jogo a autores portugueses, já que todos os outros são naturalmente traduzidos (por mim ou por outra pessoa qualquer). Dito isto, abriria mais uma excepção para si neste caso, só para não deixá-la nesses torvelinhos (gosto da palavra) mas infelizmente não tenho aqui o livro comigo. Sorry. 🙂
Na minha opinião faz toda a diferença ou sentido pôr o texto no original e depois o mesmo traduzido (nem que seja, depois da prova).
Se o texto foi escrito por um homem e traduzido por uma mulher, particularmente nesta Prova do Sexo da Escrita, pode sentir-se aquela marca de escrita feminina perdida num labirinto masculino.
Já cá canta um Häagen-Dazs à custa dos torvelinhos. Adoro. Os torvelinhos. 🙂
Olhe que eu não quero ser responsável por um furo na sua dieta… mas os torvelinhos são um pretexto tão bom como outro qualquer para comer um bom gelado!
Ana,
Eu esforço-me por engordar e conservar o meu peso de sempre, mas confesso que perdi um quilito com esta Prova Não Cega mas Sim de Esforço! 🙂
Quanto ao resultado pensei tratar-se de um homem e provocador. Agora já percebo porquê.
Lucia, Lucia 🙂 Para ser franca não sou grande fã dos seus livros.
O caso de Lucia dava para uma Prova de Plágios:
http://fernandajimenez.com/2010/05/31/lu cia-etxebarria-verdadeira-ou-copia/
Dos aspectos característicos emergen de la definición: en primer lugar, que la necesidad es excesiva y que, por tanto, no se reduce a la propia de una relación amorosa. En segundo lugar, que dicha necesidad es de carácter afectivo y no de otro tipo.
Ya no sufro por amor (2005) pág. 45
LUCÍA ETXEBARRIA.
Dos aspectos característicos emergen de la definición: en primer lugar, que la necesidad es excesiva y que, por tanto, no se reduce a la propia de una relación amorosa. En segundo lugar, que dicha necesidad es de carácter afectivo y no de otro tipo.
Dependencia emocional y violencia doméstica (2004)
JORGE CASTELLÓ.
Fica o original do excerto desta Prova Cega de Lucia Etxebarria para memória futura:
«Muchas mujeres educadas como católicas han tenido la sensación de que era urgente cometer pecados y se han pasado años encadenando aventuras. Quizás ella era así, quizás caminaba por el mundo llena de esperma, sintiéndose carnal, quizás el sexo se convirtió en una 57 experiencia mística que era una gracia de los hombres, lo mismo que a santa Teresa de Ávila era Dios el que le concedía el éxtasis. Yo no puedo saberlo, sólo puedo imaginarlo, pero estoy casi segura de que ella se empeñaba en acumular hombres por pura rebeldía, no por verdadero deseo. Yo la deseé siempre, y cuando ella me relataba sus aventuras sentía crecer en mí una especie de tronante torbellino interior, una mezcla de celos y de excitación. Sus ojos negros me enviaban oscuros mensajes sin palabras que yo intentaba deletrear como una párvula esforzada. La miraba y sentía cómo el deseo me echaba un balón llamándome a jugar con Mónica. Pero siempre me la encontraba mirando a otro lado con ojos ávidos. »
Fim dos torvelinhos LOL
Saludos y hasta la proxima cita
Mi perdoa, tá!? 😉
Caramba, Ana, que zelo! Não me admira que perca peso.
Mas, como já disse aqui antes, isto não é um concurso e não tem mal nenhum errar.
Quanto à Lucia E, este foi o único livro que li dela. Mas gostava de saber como é que alguém ainda tem a ilusão de escapar num plágio, se hoje em dia, com a net, tudo aparece à luz do dia num instante. Não sei o que é pior, se a desonestidade se a burrice!
(um pormenor curioso: não sei se por gralha, mas no livro de onde tirei este texto não está a palavra “tronante” antes de “torbellino”.)
Nem o nº 57, que não faz sentido ali…
57 e tronante devem ser gralhas.
Tem toda a razão, Ana, excesso de zelo não leva a nada. Mea culpa:-)
Nem de propósito: “Há que apenas saber errar bem o seu idioma.”
Manoel de Barros
🙂
Mais uma vez aposto em mulher, pelas mesmas razões – frases longas e sinuosas, repetições, imagens contraditórias:
“(…) educadas como católicas (…) urgente cometerem pecados (…)”
“Talvez ela (…), talvez caminhasse (…), talvez o sexo (…).”
“(…) ela se empenhava em acumular homens por pura rebeldia, não por verdadeiro desejo.”
Vou ter de esperar até amanhã…
Deixo um poema e a pergunta e resposta mais abaixo:
Acha que foi escrito por um homem ou por uma mulher?
Por viver muitos anos
dentro do mato
Moda ave
O menino pegou
um olhar de pássaro –
Contraiu visão fontana.
Por forma que ele enxergava
as coisas
Por igual
como os pássaros enxergam.
As coisas todas inominadas.
Água não era ainda a palavra água.
Pedra não era ainda a palavra pedra. E tal.
As palavras eram livres de gramáticas e
Podiam ficar em qualquer posição.
Por forma que o menino podia inaugurar.
Podia dar as pedras costumes de flor.
Podia dar ao canto formato de sol.
E, se quisesse caber em um abelha, era só abrir a palavra abelha
e entrar dentro dela.
Como se fosse infância da língua.
http://www.youtube.com/watch?v=E18cMXvRE bo&feature=related
Especialmente para si.
Boa noite, Ana
Primeiro parece ser um homem, depois uma mulher.
Reparei que questionaram a escolha de algumas palavras na tradução. Mais tarde, talvez possa colocar um texto com duas traduções, uma feita por si, outra por um homem, sem estarem identificadas, para ver se existe, de facto, alguma diferença.
Essa é outra excelente ideia para um teste, Helena. E aproveito este seu comentário para ilustrar a minha convicção de que a tradução – essa, sim – pode revelar alguma coisa sobre quem a fez. Na minha tradução “talvez caminhasse pelo mundo cheia de sémen”, a palavra que estava no original era “esperma”. Poderia tê-la usado, já que é igual em português, mas acontece que eu detesto a palavra. Por isso usei “sémen”, que tem o mesmo significado e não me arranha o ouvido. E nestas pequenas opções é que um tradutor – sem desvirtuar o texto – põe muito de si.
Eu não dizia?
Pronto, estás quase a levar a bicicleta…
Tem de colocar excertos mais dúbios, este pareceu-me bastante fácil:)
Vou tentar, mas só tenho comentadores inteligentes… 🙂
Li esse livro, há uns anos, mal sabia eu que era tradução tua. Não reconheci o texto. Terceiro sexo, hein? Isso é uma rasteira tão grande que roça a batota 🙂
Não é, Teresa, só traduzi este excerto aqui.
Olha, a batota não me valeu de muito… 🙂
Não vim a tempo. Mas, teria dito mulher. Agora, provavelmente, julgam que o digo porque já sei. Porém, não é o caso…
Acredito, Carla. A intenção aqui não é fazer brilharetes.
O texto foi escrito por uma mulher.
“…Talvez ela fosse assim…”
um homem escreveria assim:
“…Talvez a mulher fosse assim…”
—–
“…mas tenho quase a certeza de que ela…”
um homem escreveria assim:
“…mas tenho quase a certeza de que santa Teresa de Ávila…”
Homens preferem dar nomes as coisas, mulheres usam mais pronomes.