A seriedade da Lusoponte…


fiodeprumo,

Não posso deixar de me perguntar o que se deve chamar a uma empresa que recebe em Agosto a mesma importância em duplicado e a não devolve de imediato.

Antes, em anos anteriores, como naquele mês não se pagavam portagens, a Lusoponte recebia uma compensação paga pelo governo.

Este ano os passageiros perderam o citado benefício e pagaram portagens. Logo, não haveria lugar a qualquer compensação. Mas, por um qualquer erro dos serviços, o pagamento foi realizado e a empresa aceitou-o sem hesitar.

O que é que se chama a tal comportamento?!

 

PS: Acabo de ouvir na Sic Notícias a explicação dada por Morais Sarmento sobre o assunto. Não fiquei mais esclarecida.

A diferença é que foram as Estradas de Portugal quem recebeu e que até ser finalizado um novo acordo há que continuar a pagar.

Continuo a não perceber a razão de um pagamento antecipado, ou por outras palavras, porque é que há uns que a lei protege e outros que a lei penaliza, sobretudo num quadro de crise, como aquele que vivemos. 

Menos receita fiscal…


fiodeprumo,

 

“Ao fim do primeiro mês de execução orçamental, o Estado arrecadou menos 7,9% em receitas fiscais do que em Janeiro do ano passado. Para esta diminuição contribuiu uma quebra na receita com o IRS e o IRC.”

 

A Direcção Geral do Orçamento explica que tal se ficou a dever à “variação negativa de 18,8% nos impostos directos”, ou seja, IRS e IRC, e à “variação positiva de 0,5% nos impostos indirectos”, onde se inclui o IVA.



Se este efeito fosse retirado, aquele departamento considera que a receita fiscal “registaria um decréscimo de cerca de 1,6% face ao período homólogo de 2011”.

Pode ser que seja assim. Mas o que é que vai ser feito para corrigir a situação, se ela se prolongar?  

O adiantado mental, a filha dele e o avô dela


Rui Rocha,

  

Invistamos então um par de minutos na leitura do próximo parágrafo que aqui transcrevo com uma vénia que praticamente me faz tocar com o nariz na tijoleira e que acumulo com a devida genuflexão (posição que, como compreenderão, é assaz incómoda e não poderei manter durante muito tempo):

 

“O Dr. José Brissos, testamentário do homenageado, apresentou a exposição depois de enaltecer a “cultura de lembrança” e o papel decisivo que nela tem a universidade. Agradeceu à artista “pelo seu ousado exercício de decifração do mundo humano de Jorge Borges de Macedo, através da lente performativa – como hoje se diz – da obra de arte” acrescentando que a presença enigmática do mocho, escolhido como símbolo da Exposição, proscreve qualquer ideia convencional e constitui uma espécie de advertência de complexidade, muito eficaz e sintomática para a leitura de imagens indiciais que nos é oferecida.” Afirma ainda estar certo que o homenagenado reagiria a esta leitura socorrendo-se “do lado caústico do seu humor, para nos convidar a olhar para o mundo em que viveu, de modo a enquadrar o homem no seu tempo.”

 

Tomemos uns momentos para nos recompormos, situemo-nos e vejamos então quem é quem. Jorge Borges de Macedo foi Jorge Borges de Macedo e até aí tudo bem. A exposição referida no emotivo parágrafo evoca-o e chama-se Jorge Borges de Macedo Privado e Público. Foi promovida pelo IICT (Instituto de não sei quê e Investigação Tropical). O Instituto tem como missão dedicar-se ao Saber Tropical,  desenvolvendo investigação científica tropical nas áreas das Ciências Humanas e Naturais, aumentando a capacitação científica e técnica dos países com que coopera e promovendo a preservação do Património. Este laboratório de Estado do Ministério dos Negócios Estrangeiros (sublinhado meu) tem por missão trabalhar em prol dos países das regiões tropicais, em particular, da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

 

Uns quantos, com os nervos já em franja, perguntarão, neste momento, qual a especial relação de Borges de Macedo com o Saber Tropical. Deviam ter mais calma. Isso agora não importa nada. O que está em causa é a preservação dos laços familiares. E isso foi conseguido. O Presidente do Conselho Directivo do Instituto que promoveu a exposição é Jorge Braga de Macedo, filho de Borges de Macedo. A artista plástica responsável pela instalação é Ana Macedo, filha de seu pai, que calha ser Braga de Macedo e neta do seu avô que… pois. O sucesso foi tão grande que a exposição teve derivações para outros espaços e conceitos. Por esta altura, já todos podemos imaginar qual a dimensão pública da exposição Jorge Borges de Macedo Privado e Público.

 

É claro que podíamos falar da instalação que Ana Macedo fez em Moçambique com o apoio do Instituto dirigido pelo filho do avô. Mas, o JPT já o fez aqui com toda a propriedade e o assunto foi também abordado pelo Daniel Oliveira. Pela minha parte, prefiro realçar a importância pública de homenagearmos os nossos pais e avós. Posto isso, agora que Jorge Braga de Macedo foi escolhido pelos accionistas privados da EDP, sem nenhuminha intervenção do governo no assunto, resta-me esperar que Ana Macedo seja convidada para, com a sua lente performativa, embelezar as facturas da electricidade. Entretanto, confesso que me continua  a inquietar a presença enigmática do mocho.

Esquizofrenias


cadernoelastico,

Se eu for reformada, posso perfeitamente continuar a trabalhar, e auferir um salário, que acumulo com a minha pensão. Se eu for bolseira, estou impedida de ganhar mais um cêntimo que seja, e dependo em absoluto do grande e magnífico Estado. Se esse mesmo Estado, por algum motivo, congela o meu pagamento, paciência. Espera uns meses, pode ser que passe. Mas entretanto, vai pedindo dinheiro emprestado, que ganhar dinheiro a trabalhar não é para todos. A minha overdose de qualificação trama-me.

 

MAMAOT (pronuncie-se mama hot)


Rui Rocha,

A propósito de certas nomeações, formulo algumas perguntas, identifico certas evidências através de frases feitas e deixo ainda um aviso que, dizendo respeito à gestão dos comentários, acaba também por ser uma reflexão sobre o país:

 

A Primeira Pergunta:

No caso das nomeações de Manuel Frexes e Álvaro Castello-Branco para a Águas de Portugal, o primeiro dos quais Presidente da Câmara do Fundão que, como se sabe, tem um litígio por dívidas com aquela entidade, ainda vale a justificação, utilizada a propósito da EDP, de que as escolhas são imputáveis aos accionistas privados?

 

A Segunda Pergunta:

O facto de o Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Território responder pela sigla MAMAOT (pronuncie-se mama hot) corresponde apenas a uma apropriada descrição do que está a acontecer por estes dias em termos de nomeações ou deve atribuir-se-lhe um alcance mais vasto de previsão da actuação governamental nos próximos anos?

 

A Terceira Pergunta:

O Primeiro-Ministro Passos Coelho pretende ser avaliado pelo teor facial da promessa que fez de não colonizar o aparelho do estado e adjacências com boys ou pela capacidade de a cumprir?

 

As Evidências: a situação não está para brincadeiras, esta merda está um barril de pólvora e não convém chegar fogo ao rastilho, é fundamental não perder a ligação ao país, à mulher de César não basta e tal, bem prega Frei Coiso e não é nada boa ideia meter a mão no vespeiro.

 

O Aviso: por motivos higiénicos, reservo-me o direito de não responder a comentários que tenham como único objectivo branquear o passado por comparação com o presente ou desculpar o presente contrapondo-o ao passado.

Reformas


fiodeprumo,

Sempre que leio uma notícia como a que hoje vinha no Correio da Manhã a dizer que “quinze mil docentes reformados custam ao Estado cerca de vinte e seis milhões de euros”, fico um pouco baralhada.

“Custam”? Mas então nós não andamos a descontar, para ter direito à reforma? A reforma não será a contrapartida do que entregámos para ela? Claro que eu sou paga pela geração seguinte, como a geração anterior foi paga por mim.

O verbo “custar” tem por isso, aqui, um significado abusivo. Não é ao Estado que custa. É a nós. O Estado foi apenas o fiel depositário do que previamente lhe entregámos para mais tarde receber. Ou não?!

Só mais uma graça!


fiodeprumo,

 

Julgo que a notícia passou despercebida, ao contrário do que seria de supor. De que se trata? Só isto: num depósito a prazo constituído ainda em 2011, mas que vença este ano, 25% dos juros vão directamente para o Estado, em vez dos anteriores 21,5% com que o mesmo foi originalmente constituído.

Ou seja, a partir de agora, o Estado fica com um quarto do que possam render as nossas magras poupanças. É poupar, amigos. Que é para o Estado arrecadar. Nem mais!