MAMAOT (pronuncie-se mama hot)


Rui Rocha,

A propósito de certas nomeações, formulo algumas perguntas, identifico certas evidências através de frases feitas e deixo ainda um aviso que, dizendo respeito à gestão dos comentários, acaba também por ser uma reflexão sobre o país:

 

A Primeira Pergunta:

No caso das nomeações de Manuel Frexes e Álvaro Castello-Branco para a Águas de Portugal, o primeiro dos quais Presidente da Câmara do Fundão que, como se sabe, tem um litígio por dívidas com aquela entidade, ainda vale a justificação, utilizada a propósito da EDP, de que as escolhas são imputáveis aos accionistas privados?

 

A Segunda Pergunta:

O facto de o Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Território responder pela sigla MAMAOT (pronuncie-se mama hot) corresponde apenas a uma apropriada descrição do que está a acontecer por estes dias em termos de nomeações ou deve atribuir-se-lhe um alcance mais vasto de previsão da actuação governamental nos próximos anos?

 

A Terceira Pergunta:

O Primeiro-Ministro Passos Coelho pretende ser avaliado pelo teor facial da promessa que fez de não colonizar o aparelho do estado e adjacências com boys ou pela capacidade de a cumprir?

 

As Evidências: a situação não está para brincadeiras, esta merda está um barril de pólvora e não convém chegar fogo ao rastilho, é fundamental não perder a ligação ao país, à mulher de César não basta e tal, bem prega Frei Coiso e não é nada boa ideia meter a mão no vespeiro.

 

O Aviso: por motivos higiénicos, reservo-me o direito de não responder a comentários que tenham como único objectivo branquear o passado por comparação com o presente ou desculpar o presente contrapondo-o ao passado.

24 comentários em “MAMAOT (pronuncie-se mama hot)”

  1. Não se preocupe, meu caro. É só fumaça, como diria o saudoso Pinheiro de Azevedo. O povo é sereno.

  2. Sou relativamente novo, de direita, apoiei Passos Coelho nas ultimas eleições e neste momento sinto que levei uma facada de alguém que se dizia diferente, honesto, contra as clientelas, e afinal vem mais do mesmo…
    Com estas nomeações e mais algumas que se irão saber nos próximos dias acabou o estado de graça deste governo. Estou pronto, como jovem sem direitos e com todos os deveres, a juntar-me a algo que realmente mude este estado e estes políticos
    Andamos todos sentados num barril de pólvora, já faltou mais para alguém o atear…

    1. Creio que o estado de graça termina com estas situações, com declarações sobre emigração e com comportamentos que revelam uma progressiva “descolagem” do país e da realidade, AI.

  3. Para além de uma sigla cuja pronúncia nos remete para o universo de um Al Goldstein ou algo similar, quase apetece repetir Mouzinho, depois do combate de Macontene, ” é quase de ter inveja dos mortos ” .

    Podem fechar o estabelecimento …

    1. Sei que o presente está irremediavelmente comprometido, Helena. Mas, queria tanto que os meus pequenitos tivesse um país decente (mesmo se tiver de ser pobre) para viver…

  4. Rui,
    o seu post diz tudo. É pertinente no conteúdo e brilhante na forma.
    Os comentários que aqui encontrei fazem o sublinhado merecido.
    Que me sobra?
    Passo o marcador fluorescente para realçar..

    Já agora, ouviu as declarações do PGR? Estamos num país de sonho…

    Cumps.

  5. Justo, rigoroso e acutilante.
    Um post (mais um) para mais tarde recordar.
    Obrigado Rui Rocha, pelos seus valores e coerência.
    Fique bem.

  6. A única diferença entre os políticos portugueses é que uns são merda, outros cagou o cão.
    Assim se fala(escreve), em bom alentejano, e desculpem-me mas tenho que gritar: FUI ENGANADO CARAÇAS!!!!!

  7. Subscrevo, Rui. Ainda bem que por aqui ainda vão aparecendo pessoas com alguma distância para verem estas coisas.

    De mim não ouvirás branquear o passado. E tenho pena que a liderança do PS ainda não tenha sabido fazer o necessário ajuste de contas com o passivo da herança recebida.

    Além do mais, se os outros que saíram fizeram mal, estes não têm qualquer justificação para o que estão a fazer.

    O Governo está nas mãos de um menino do coro manobrado por um perigoso apparatchik e é isso que as pessoas têm de perceber. Eu percebi-o demasiado cedo e todas as semanas vou tendo confirmações que me fazem doer a alma.

    O festim que começou com a CGD , prosseguiu no AIECP , na EDP (como se alguém acreditasse que os nomes para o Conselho de Supervisão não tivessem sido soprados aos accionistas) e nas Águas, não tem fim. Enquanto não se alambazarem todos não descansam e se alguém disser alguma coisa vêm falar no passado para branquear o presente.

    E o espectáculo tem tido exemplos bastantes a nível regional e local. Aqui, pelos meus lados, do Hospital de Faro ao IEFP, da Direcção Regional de Educação aos serviços da D.R . de Agricultura, ou enquanto se aguarda mais um par de bandarilheiros para a CCDR Algarve (onde as pessoas literalmente nada fazem já que não vêm quaisquer indicações de cima e tudo está parado), o que se tem passado faria corar a Linda Lovelace .

    Pior é que, como no caso de Manuel Frexes , para além da obscenidade que é “enfiar” o devedor na credora, se estejam a colocar nas empresas autarcas que não terão qualquer hipótese de ser reeleitos, por estarem impedidos por lei de se recandidatarem.

    Nada justifica o que está a acontecer. Para maior desgraça nossa esta gente em nada se distingue da que saiu. Sofre dos mesmo vícios. Sendo pior na petulância, como se vê por seis parcos meses. A entrevista de ontem de Eduardo Catroga devia ser passada até à exaustão, essa sim, para que quem não viu pudesse perceber o que se está a passar.

    E ou me engano muito ou este Governo será mais um a não chegar ao fim da legislatura. É só aguardar pela privatização da RTP e pelo que atrás dela se esconde. E nada mais te digo. Podes tomar nota.

    Um abraço, Rui.

    P.S. Peço-te desculpa pela dureza de algumas metáforas mas como elas correspondem ao momento que estamos a viver e tu não és nenhuma flor de estufa, estou certo que me perdoarás.

  8. Socialismo de Direita segue-se ao Socialismo de Esquerda.
    What else is new?

    Claro que isto acaba quando o Estado tiver menos poder económico.
    O estranho é muitos que critiquem isto queiram que o Estado continue a ter tanto ou ainda mais poder económico. Querem Virgens no Bordel.

  9. Acompanho-o integralmente nestas preocupações, de que também tenho dado eco lá pelas minhas páginas. Quando pensávamos que tínhamos entrado num outro tempo, a frustração é ainda maior… As pessoas aceitam sacrifícios, mas dificilmente aceitam traições!

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *