‘A estratégia parece-me clara. Em lugar de assumir a sua desconfiança política face à escola pública, o ministro da Educação optou por encontrar um bode expiatório que lhe permitia sugerir que o investimento no parque escolar é exemplar da ineficiência genérica do Estado. Pelo caminho, ocultou a relevância deste esforço na resposta à contração do investimento privado no início da crise, a necessidade de reabilitar edifícios em acelerado estado de degradação, quando não em ruínas, e o potencial de geração de receitas próprias de muitas das escolas reabilitadas. Acima de tudo, manipulou uma auditoria que não só não identifica desvios colossais, como vai ao ponto de elogiar o conselho de administração da Parque Escolar por ter adoptado “boas práticas de gestão (e) garantido o controlo das derrapagens de custo das empreitadas”.
Para além de nos dizer alguma coisa sobre o perfil do Ministro Crato, a sensação com que se fica deste processo é que, no fundo, o objectivo passava por encontrar uma cortina de fumo para substituir uma administração de uma empresa pública que tinha dado provas.
Não menos relevante é o papel da comunicação social neste processo. Já sabemos que os governos têm o péssimo hábito de fazer tábua rasa de tudo o que foi feito pelos governos anteriores. Acontece que esta estratégia de terra queimada encontra na comunicação social um importante auxiliar, através da reprodução acrítica do que os governos (todos) dizem. Como é possível que vários órgãos de comunicação social tenham reproduzido acriticamente o que o Ministério afirmava serem as conclusões da auditoria? Bastava ter lido para se perceber que havia uma grande diferença entre o que dizia o relatório e o que era dito a propósito do seu conteúdo.’
Pedro Adão e Silva, Um exemplo de manual escolar [na última edição do Expresso]
Ninguém desta gente da Parque Escolar está presa para responder por acusações tão graves de esbanjamento de dinheiros públicos? Com o país deprimido, na bancarrota, sem futuro para os nossos netos – ninguém vai de cana? Neste país a culpa continua a morrer solteira?
‘A estratégia parece-me clara. Em lugar de assumir a sua desconfiança política face à escola pública, o ministro da Educação optou por encontrar um bode expiatório que lhe permitia sugerir que o investimento no parque escolar é exemplar da ineficiência genérica do Estado. Pelo caminho, ocultou a relevância deste esforço na resposta à contração do investimento privado no início da crise, a necessidade de reabilitar edifícios em acelerado estado de degradação, quando não em ruínas, e o potencial de geração de receitas próprias de muitas das escolas reabilitadas. Acima de tudo, manipulou uma auditoria que não só não identifica desvios colossais, como vai ao ponto de elogiar o conselho de administração da Parque Escolar por ter adoptado “boas práticas de gestão (e) garantido o controlo das derrapagens de custo das empreitadas”.
Para além de nos dizer alguma coisa sobre o perfil do Ministro Crato, a sensação com que se fica deste processo é que, no fundo, o objectivo passava por encontrar uma cortina de fumo para substituir uma administração de uma empresa pública que tinha dado provas.
Não menos relevante é o papel da comunicação social neste processo. Já sabemos que os governos têm o péssimo hábito de fazer tábua rasa de tudo o que foi feito pelos governos anteriores. Acontece que esta estratégia de terra queimada encontra na comunicação social um importante auxiliar, através da reprodução acrítica do que os governos (todos) dizem. Como é possível que vários órgãos de comunicação social tenham reproduzido acriticamente o que o Ministério afirmava serem as conclusões da auditoria? Bastava ter lido para se perceber que havia uma grande diferença entre o que dizia o relatório e o que era dito a propósito do seu conteúdo.’
Pedro Adão e Silva, Um exemplo de manual escolar [na última edição do Expresso]
Ninguém desta gente da Parque Escolar está presa para responder por acusações tão graves de esbanjamento de dinheiros públicos? Com o país deprimido, na bancarrota, sem futuro para os nossos netos – ninguém vai de cana? Neste país a culpa continua a morrer solteira?