Sempre que leio uma notícia como a que hoje vinha no Correio da Manhã a dizer que “quinze mil docentes reformados custam ao Estado cerca de vinte e seis milhões de euros”, fico um pouco baralhada.
“Custam”? Mas então nós não andamos a descontar, para ter direito à reforma? A reforma não será a contrapartida do que entregámos para ela? Claro que eu sou paga pela geração seguinte, como a geração anterior foi paga por mim.
O verbo “custar” tem por isso, aqui, um significado abusivo. Não é ao Estado que custa. É a nós. O Estado foi apenas o fiel depositário do que previamente lhe entregámos para mais tarde receber. Ou não?!


Não.
-o dinheiro entregue hoje é para um … de hoje.
-amanhã…logo se vê;
Muito bem…
Só que devia substituir o termo “baralhada” por Ofendida…
Concordo inteiramente, Helena. A forma como se fala dos reformados é abusiva, e estou a falar de reformados ‘normais’, que trabalharam e descontaram. É como a história de não haver reformas daqui a 20 anos. Não me descontem então da maneira que o fazem.
Tem toda a razão – custa é ouvir isso. Ninguém nos está a dar nada, nós é que demos e damos.
Já agora aproveito para lhe dar os parabéns, Helena, por estar no Delito. Já visitava o Fio de Prumo, agora visito-a tb aqui , até mais facilmente – sou um bocadinho viciada no DO:). Não lhe tinha dado ainda os parabéns, porque o país inteiro os estava a dar – quis afastar-me da multidão::)) e aguardei. Boa escrita, boa diversão, bom ano. Tudo em doses muito industriais e com afe(c)to, pois claro.
Helena
Mas este Estado não é de fiar!
Não percebo este post.
Ou é a ironia que me escapa, ou é a ingenuidade que me desconcerta.
Também me fica a dúvida: afinal, a baralhação é com a palavra “custo”, ou com a expressão “ao Estado”?…
Apenas para lhe lembrar que os funcionários públicos só começaram a pagar “impostos” no reinado do Cavaco, quando ele foi primeiro-ministro, se não estou em erro. Isto, por parte dos funcionários, porque, pela parte do Estado, nunca houve verdadeiramente descontos. Dizia-se que não fazia sentido…
Penso assim…centenas de vezes ..Não exagero.!
Sempre que oiço ou leio que os reformados “custam” ou que as novas gerações “pagam” e “suportam”
O que é feito dos valores que entreguei ao Estado para assegurar a minha reforma?
Comecei descontar para a SS aos 24 anos e descontei durante 41 anos.
Podem devolver-me o dinheiro … eu sou capaz de o gerir… E deixam de ter de me “suportar” e não me roubarão 2 meses de reforma..!
Exemplos de expressões em português arcaico que devem ser evitadas a todo o custo nesta Era pós Acordo Ortográfico:
– Fiel depositário;
– Pessoa de bem;
– Cumprir a palavra;
– Honrar o compromisso;
– …
Acrescentar
-Dançar o tango
Custam? mas custam o quê? Cada dia se ouve mais essa conversa. Põe-me a ferver! Descontei verbas (foi um dever), do meu vencimento, por 36 anos, para garantir a minha aposentação (é um direito). Não tenho culpa que os “fiéis” detentores dessas verbas não tenham sabido preservá-las condignamente. Prestei um serviço ao Estado, cumprindo … Então esse Estado só tem que cumprir também. Ponto final parágrafo.
Cumptos
Pois é. Aos reformados é que “custa” a perceber!
Responder ao Tiro ao Alvo: Está enganado! Os FP sempre descontaram para a CGA. Está a fazer confusão com o IRS.
Quanto ao post a HSC tem toda a razão. Também me irrita a conversa do “custo”.
Obrigada M. Martins!
É a mesma lógica de chamar “benefícios fiscais” às regras que definem o que cada um tem de pagar de impostos levando em consideração parâmetros que o legislador considerou relevantes para o efeito. O contribuinte não tem que agradecer nenhum “benefício”, nem este constitui um “privilégio”. Não se espera do Estado que seja um benfeitor, basta que seja um Estado de direito. Mas estas figuras de retórica são usadas contra os cidadãos na próxima oportunidade.
Tem toda a razão. Também me irrita essa dos benefícios.
Tenho a mesma visão, mas pela notícia citada (não a li, pelo que vou pela citação da Helena), fico com uma dúvida diferente: admitindo que estes custos são mensais, a média das pensões é de 1700 euros mensais. Em custos ao estado, o que significa que a este valor ainda são cortados os impostos e contribuições sociais. Alguém se deu ao trabalho de calcular quanto isso corta nos “custos” do estado e quanto dá em termos líquidos aos professores? É que me parece muito pouco para quem trabalhou uns 30 ou mais anos a educar as gerações. Sinceramente, devem ter gerado muito mais riqueza que o pobrezinho do Catroga.
É que nem ginjas, pode ter a certeza!
“Fiel depositário”? Com todo o respeito, penso que estará equivocada, Helena.
O estado a que chegámos diz bem da forma como os depositários guardaram o que lhes foi entregue por várias gerações de contribuintes.
Se o que aconteceu com o fiel depositário Estado acontecesse num processo judicial com os fiéis depositários nomeados pelo tribunal, isso dava processo crime. E eventualmente prisão face aos contornos de reincidência escabrosa que o caso apresenta.
Tem razão. Deveria ter dito (in)fiel!
Depende dos valores não é? Do que se descontou, do que se recebe e da valorização-ou não-, inflação, que os descontos tiveram entretanto.
Eu acho que para lá da questão ética da Liberdade o desconto entre gerações é um erro enorme.
Desresponsabilização e analfabetismo económico como consequência.
E ainda pior para quem tenha feito descontos para a segurança Social e para a CGAposentações.
Com essa gracinha perdi uma parte da reforma a que teria direito!