“Gorduras do Estado” (58)


Pedro Correia,

«Nunca ninguém falou da Comissão Nacional para o Centenário da República. Essa comissão, para além de ter um orçamento de dez milhões de euros, que é uma coisa que não se entende, num país que não é pobre desde ontem, foi criada em 2008, as comemorações tiveram lugar em 2009 – e foi uma festarola. Os livros editados chegaram a pouquíssimos cidadãos e gastou quase 100 mil euros num torneio de golfe para o centenário da República. Um torneio de golfe! E outros 100 mil euros só para o seu site. Um site por 100 mil euros?»

 

Reflexão do dia


Pedro Correia,

«O Estado já fica com 70% do nosso rendimento, entre impostos directos e indirectos. É o próprio modelo de estado social que deixou de ser sustentável. Não produzimos riqueza suficiente para o manter. Seria um erro voltar a subir impostos como se mexe numa linha de ‘excel’. A recessão e a execução orçamental deste ano estão aí para o demonstrar. Convém lembrar que os portugueses, até agora, têm vindo a aceitar pacificamente os sacrifícios porque perceberam o que nos trouxe até aqui. Mas isso só se vai manter enquanto estiverem convencidos que o caminho da austeridade, apesar de difícil, serve para alguma coisa, reduzindo as dívidas que nos aprisionam. Ou seja: que a história não se repete todos os anos, com sacrifícios cada vez piores para as futuras gerações.»

Paulo Marcelo, no Diário Económico

Salários


cadernoelastico,

Há uma parte pouco referida nesta história dos salários de 4 euros à hora. E essa parte deveria ser uma vergonha nacional: quem ganha 500 ou 600 euros entrega metade disso ao Estado, em impostos e segurança social. Quem é o verdadeiro explorador?

Desafio….


fiodeprumo,

“Há que regular a máquina do Estado com tal precisão que os ministros estejam impossibilitados, pela própria natureza das leis, de fazer favores aos seus conhecidos e amigos”.

 

Quem disse isto? E quando?

Ali Babá só enfrentou 40


Rui Rocha,

A auditoria ao modelo de gestão, financiamento e regulação do sector rodoviário, hoje publicada, apresenta conclusões que apontam, de forma inequívoca, para a existência de um comportamento deliberado do Governo liderado por José Sócrates (e em que era Secretário de Estado Paulo Campos) de sonegação de informação ao Tribunal de Contas e de violação de elementares interesses do Estado. Mais, e em concreto, tal Governo terá promovido a celebração, no âmbito das PPP, de contratos paralelos que importaram o agravamento das condições financeiras a suportar pelo Estado em 705 milhões de euros. A confirmar-se tal situação, todos devem assumir as suas responsabilidades. Desde logo, a Procuradoria-Geral da República, a quem se pede que, por uma vez, cumpra com diligência e competência as suas obrigações, promovendo a investigação que se impõe para determinar a viabilidade da responsabilização, em primeira linha, dos membros desse Governo envolvidos neste esquema predatório do erário público. Mas, também, das concessionárias e entidades bancárias envolvidas na assinatura dos contratos paralelos, cujas consequências e intuitos não podiam desconhecer. Por outro lado, o PS tem a estrita obrigação de tomar uma posição clara sobre este assunto, uma vez que é o partido que suportou politicamente esse Governo e  tem como militantes e deputados da sua bancada parlamentar os autores de tais actos. A gravidade da matéria não permite que António José Seguro a ignore ou a desvalorize, sob pena de comprometer irremediavelmente qualquer réstia de credibilidade. Por último, o actual Governo deve ser consequente com os factos apurados, recusando-se a efectuar qualquer pagamento previsto nos ditos contratos paralelos e promovendo a desvinculação jurídica do Estado português de quaisquer obrigações ali previstas. Se isto não for assim, teremos de concluir que Ali Babá teve muita sorte pois só teve de enfrentar 40 enquanto os portugueses se debatem, a cada dia, com muitos mais.