Salários


cadernoelastico,

Há uma parte pouco referida nesta história dos salários de 4 euros à hora. E essa parte deveria ser uma vergonha nacional: quem ganha 500 ou 600 euros entrega metade disso ao Estado, em impostos e segurança social. Quem é o verdadeiro explorador?

15 comentários em “Salários”

  1. Que eu saiba, quem ganha 500 ou 600 euros mensais não paga impostos (IRS) praticamente nenhuns.
    Paga segurança social, claro, mas esse dinheiro é basicamente uma poupança (forçada) para efeitos de reforma.

    1. Ai não? Se estiver a recibos verdes tem de pagar à Segurança Social 30% do que aufere. Como é bom ser professor universitário e vir para aqui debitar disparates sobre quem ganha uma MISÉRIA!!!! A cátedra sobranceira é muito confortável.

  2. É uma vergonha. Desgraçados dos que dependem dos ‘recibos verdes’. Mas isso não tira em nada o desrespeito de pagarem 4 euros à hora a um enfermeiro, só piora a situação. É como digo, mais vale ir limpar casas.

    1. A Leonor parece considerar que um indivíduo, só por ser enfermeiro diplomado, tem um direito qualquer a auferir melhor salário do que outro que, por exemplo, limpa casas.
      É impressionante ver uma pessoa, nos tempos que correm, a afirmar que é “um desrespeito” pagar tal salário, como se ainda estivéssemos no tempo em que o respeito (pelos “doutores”) era muito bonito.
      É naturalíssimo que, havendo mais enfermeiros disponíveis do que pessoas para limpar casas ou para cavar a terra, estas últimas tarefas aufiram melhor salário do que a enfermagem.

      1. Eu concordo com a Leonor, não é porque é doutor, mas porque se especializou nisso. Um enfermeiro, se tiver de o fazer, lava escadas. Um lavador de escadas, se tiver que o fazer, não é enfermeiro. parece-me simples… a saúde não é um mercado de fruta. ou outro mercado qualquer. essa cegueira, essa obsessão com o mercado levou-nos onde levou. A saúde precisa de pessoas especializadas, sim. tal como precisa a polícia, a justiça, as finanças e tal.

      2. ‘A Leonor parece’ mas parece-lhe muito mal para manter o seu estilo único.
        Está em causa um trabalho especializado, de enorme responsabilidade. Não lhe parece que só por isso deviam ser pagos condignamente? Pois eu tenho a certeza. Essa dos doutores e engenheiros deve ser delírio seu. Alguma vez disse tal?
        E outra coisa: parece-me então que o Luis Lavoura está a auferir o seu salário indevidamente. Faça as contas: 4 euros à hora x 8 horas de trabalho, são 32 euros. x 5 dias da semana são 160 euros. Multiplique por 4 semanas: 640 euros, agora retire 30% restam-lhe sensivelmente 426 euros. Tudo o que ganhar acima disto é de mais. Andou a estudar? É ‘doutor’? acha-se bem pago porque tem um lugar que considera compatível com o seu salário e competente? Temos pena. Ou julga que lá porque andou a estudar acha-se mais que os outros?

    1. Há quem prefira mandar no seu dinheiro e tomar as decisões que o afectam por si mesmo.
      Não prefere?
      Eu sei o que fazer para a minha reforma e que medidas tomar com a saúde. E uma coisa lhe digo, preocupo-me mais comigo do que o estado ou os burocratas que vivem de se preocuparem comigo.

  3. As reacções a esta história demonstram que o país nunca vai mudar. É estruturalmente Social-Fascista.

    O que nos diz a informação – assumindo que não é um caso especial:
    Há demasiados enfermeiros e ou há poucas empresas que contratam enfermeiros.

    Mas parece que ninguém liga para tais factos.
    Um até fala em “lucros oportunistas”.

    1. Portugal está muito atrasado e, entre outras coisas, nunca compreendeu a economia moderna – aquela que surgiu com a revolução industrial – que não chegou a haver aqui senão de um modo muito incompleto.
      O que compreendemos bem é a distribuição de favores, e as esmolas vinda de cima, memória dos tempos de um estado rico num país pobre.

    2. Os factos é que há espaço para intermediários nas relações de trabalho, e isso só acontece porque há um laxismo nas leis ou na sua aplicação.

      O que está em causa quanto a mim não tanto o preço do trabalho como o facto de, de pouco, ainda se tirar algum para alimentar actividades não produtivas.

      Se há trabalho para enfermeiros, pouco ou muito, porque é que permitimos que não sejam os empregadores e os enfermeiros os únicos a intervir na negociação?

      1. “Se há trabalho para enfermeiros, pouco ou muito, porque é que permitimos que não sejam os empregadores e os enfermeiros os únicos a intervir na negociação?”

        Então quer impedir a liberdade de comércio e associação?

        O Estado quer deixar de gerir pessoas passando essa gestão para os privados. Porque será?
        Será por causa das leis que o próprio Estado cria?
        Essa é a questão principal.

  4. “… os enfermeiros que aceitem trabalhar nos Centros de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, receberão apenas mais uns cêntimos do que um empregado de limpeza.”

    Não se trata de qualquer depreciação a quem trabalha em limpezas, actividades tão dignas como qualquer outra, mas antes, a vergonha a que chegaram alguns empresários da treta. Com um Estado que devia regular a nada fazer, e, ainda incentivar; numa área que deveria ser considerada “nobre”: os cuidados de saúde!

    Contra esta rebaldaria, só me apetece alvitrar uma coisa a todos os Enfermeiros. Cada vez que um dos responsáveis por estes malefícios precisem dos vossos cuidados, programem uma das seguintes actividades:

    – Algaliem-nos, passando primeiramente a algália (em vez de gel anestésico), por areia fina (em alternativa sal grosso);

    – Ou como diz o Ricardo Araújo Pereira, metam-lhes uma sonda anal pelas “nalgas adentro”!

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