PSD


oanonimoanonimo,

Amanhã, vou votar no PSD. Não me perguntem porquê. Pode ser assim? Obrigado.

O lamentável caso TVI


oanonimoanonimo,

Não sendo especial adepto do jornalismo de Manuela Moura Guedes, nem do seu jornal das 6ªs feiras, fico, ainda assim, perplexo com a anunciada decisão da administração da TVI de suspender o programa. Sobretudo depois de se ter tornado público que seria transmitida uma peça sobre o caso Freeport.

Se, apesar da suspensão do programa, a peça for para o ar em algum serviço noticioso da TVI, a situação será menos grave. Se não for para o ar, dificilmente algum português ficará convencido de que a suspensão do programa não teve a ver com o Freeport e que o governo não teve a ver com a suspensão do jornal.

Apontemos para a segunda hipótese. E, nesse caso, seremos levados a pensar que algo de muito grave seria revelado na reportagem sobre o Freeport. Só assim se percebe que José Sócrates tenha optado por pôr a cabeça a jeito, sujeitando-se à suspeição de ter interferido nos critérios editoriais da TVI.

A questão que sobra é a seguinte: quem irá ser o próximo director de informação da TVI? Há, no meio, quem aponte para Emídio Rangel. Ora, se tal acontecer, passa o canal a ser liderado por um impenitente "socratista". E, aí, ficaremos completamente esclarecidos sobre a forma como este governo lida com a comunicação social. E sobre a forma como (alguma) comunicação social se deixa domar pelo poder. Lamentável, num caso e noutro.

 

E a gripe, como vai?


oanonimoanonimo,

As notícias sobre o crescendo de casos de gripe A preocupam-me. É que eu conheço muitas pessoas, mas não conheço ninguém que tenha contraído a doença. E também não conheço alguém que conheça alguém que esteja com gripe A. E – entendamo-nos – conheço pessoas que estiveram de férias no México, no Algarve, em Londres e conheço pessoas que conhecem pessoas que estiveram em muitos outros sítios suspeitos. Nada, de nada, por mais que até conheça pessoas que, deitadas no meu sofá, estarreciam, pedindo-me que lhes lesse na net os sintomas, para ver se convergiam com o mal-estar. Nada, outra vez. Com estas e com outras, fico na dúvida: será que não conheço as pessoas certas, ou será que ainda vai sobrar para mim?

Intuições que podem sair caras


oanonimoanonimo,

Já fiz tantas apostas de que o PS perde as próximas eleições legislativas, que, se a coisa corre mal, arrisco a insolvência. Ainda por cima, já não me lembro com quem apostei que o PSD ganharia as europeias, pelo que nem sequer posso opôr compensações. Mas há mais: meteu-se-me na cabeça que o resultado vai ser tão tortuoso, que o próximo PM vai sair do Porto, numa solução de emergência. Deliro?

Será o homem da Marmeleira?


oanonimoanonimo,

A leste das notícias, soube pelo Ricardo Jorge Pinto (Expresso e RTP), ao jantar, da balbúrdia que vai no PSD por causa das listas de deputados. Ponderei e a questão é muito simples: ou o PSD não quer mesmo ganhar as eleições (tese que não é de descartar), ou anda por aí algum génio à solta, que nos vai surpreender.

Que mandato?


oanonimoanonimo,

Sete anos de prisão e perda de mandato para Isaltino. A história do sobrinho-taxista-rico-na-Suiça não pegou. É claro que o homem vai recorrer. É claro que o caso ainda vai fazer correr muita tinta. Mas a questão que deixo (a algum especialista em direito administrativo em serviço) é esta: a perda de mandato refere-se a que mandato? Àquele durante o qual os factos imputados foram praticados (e que já lá vai)? Ao presente? Ao que eventualmente correr quando a decisão transitar em julgado? E quais são os efeitos dessa perda de mandato na elegibilidade do homem em mandatos seguintes?

Boa ventura


oanonimoanonimo,

Eu bem sei que a Justiça entregue aos juristas não é grande coisa: Mas ter que ouvir Boaventura Sousa Santos a perorar sobre o tema, torna-a pior. Ainda por cima aquela gravata…

O dilema


oanonimoanonimo,

Dou já como adquirido que José Sócrates vai perder as eleições. A coisa é assim: houve um tempo em que o homem podia fazer coisas tolas, que os tolos perdoavam. Mas, a partir de certa altura, o homem até pode fazer coisas boas, mas já ninguém está para o aturar. Cansou. O homem de plástico cansou. Logo, a partir de agora, o que deve preocupar Manuela Ferreira Leite não é saber como chegar ao poder – é saber o que fazer com ele. Sabe? Alguém sabe?

O desafio de Rui Rio


oanonimoanonimo,

No Porto, salvo se acontecer um improvável cataclismo, Rui Rio tem a reeleição garantida e com o melhor resultado de sempre. A sua principal concorrente, a "voadora" Elisa Ferreira, é um tiro de pólvora-seca, uma candidata de pernas partidas, uma desilusão, até para os seus potenciais apoiantes. Elisa suicidou-se e o PS do Porto – o aparelhismo partidário no seu pior – empurrou-a para a cova, com os seus desatinos habituais. Mas Rio não pode descansar. A bitola está alta. Há sondagens que o dão muito à frente, há eleições legislativas à mistura e, por isso, Rio tem de combater a inércia do eleitorado. Este é o seu principal desafio.

Um salto ao Cleopatra Moon


oanonimoanonimo,

Apesar de eu andar relapso – muito relapso, ó vida louca… -, nem por isso se esqueceu o Pedro Correia de me vir recordar que é a minha vez de indicar o blogue da semana. Opto pelo Cleopatra Moon. É o blogue de uma querida amiga, que conheci precisamente na blogosfera, onde a discussão de assuntos sérios, com tendência para o Direito, se mistura com deliciosos apontamentos do dia-a-dia de quem vive a vida com prazer. Umas vezes mordaz, outras vezes suave, mas sempre inteligente, a autora é uma magistrada dum tribunal superior que não teme dar opinião mesmo quando os temas fervem.

A degradação do regime


oanonimoanonimo,

O caricato episódio protagonizado por Manuel Pinho no Parlamento não deve ser lido à luz da imputada e merecida fama de arrogância deste governo. Nem deve ser tida como uma manifestação do claro esboroamento do poder "rosa". Se é verdade que qualquer das leituras é justificável, parece-me que o problema é mais grave: o que o episódio revela é a degradação do regime. Uma degradação que tem a ver, desde logo, com o facto de muitos dos que ocupam – e ocuparam – altos cargos políticos não terem ponta de classe para tal. Muitos deles, nem bons presidente de Junta de Freguesia dariam. E, assim, é difícil acreditar neste país.

O homem de plástico


oanonimoanonimo,

Ou estou muito enganado (o que acontece com frequência), ou José Sócrates «está feito». Aos olhos dos portugueses, o homem – que era um assombro de teimosia e de arrogância – está a dar imagem de hesitante e tenta mudar de pele ao sabor da circunstância. Costuma ser fatal. Havia quem não gostasse de Sócrates, porque era um «animal feroz». E havia quem gostava de Sócrates, porque ele era um «animal feroz». Ao mudar de figurino, arrisca-se a que os não gostavam dele continuem a não gostar – a mudança cheira a falso -, e os que gostavam começam a deixar de gostar – desiludidos. Costuma ser este o fim dos políticos de plástico.

O que vale o resultado?


oanonimoanonimo,

Perguntam-me, esta noite: Será que este resultado das "europeias" é o fim do socratismo? Respondo: Não sei. Mas sei que se o PSD não tivesse vencido, o fim do socratismo não estaria para breve. Agora tudo é possível. Foi a pensar que seria esse o sentimento de muitos portugueses, que não hesitei em vaticinar – antes do fim do jogo… – a vitória de Paulo Rangel. Sim, de Paulo Rangel. Porque a persistência e a boa prestação de Rangel teve a sua importância no resultado. Admito-o, mesmo quando é certo que, em determinado momento, tive dúvidas do acerto da escolha. Paulo Rangel pode ir longe. E mais depressa do que se julga.

Época de incêndios


oanonimoanonimo,

Leio que o país está em polvorosa e eu prognostiquei este tempo – parece que vai piorar -, ávido de tempos novos, dum recomeço com esperança. Lamento – fui apanhado no contratempo, que me dispersa, enquanto vou escrevendo por aí:

 

Luto, demente, entre o dormonoct e a ansiedade, pelo mais logo e pelos dias que hão-de vir, por aí, entre a planície de fogo e o medo do regresso à circunferência inexpugnável que me mirrou as asas, mesmo quando, nos olhares distraídos, havia a arrogância da águia. Há entre ti e eu a linha ténue da perplexidade, que não sei se é tua, se minha, se nossa, meu amor, que – por fim – tem rosto.

 

Está desculpada a ausência? Eu volto já, incendiário.

Orgia suspensa


oanonimoanonimo,

PS, BE e PCP apresentaram projectos para a introdução da educação sexual nas escolas. Tanto quanto sei, o caso é levado tão a sério que se prevê mesmo a distribuição de preservativos à gandulagem. Hoje, não me apetece discorrer sobre o que penso de tudo isto. Ao que venho? Manifestar a minha perplexidade pelo facto de uma professora de Espinho ter sido suspensa pela DREN por ter dissertado sobre uma orgia sexual numa aula. Suspensa? Mas, então, falar sobre orgias sexuais não tem a ver com educação sexual?

O público, o privado e a notícia


oanonimoanonimo,

Interessante a divergência que aqui se nota sobre a importância pública dos comportamentos privados de quem nos governa e a possibilidade desses comportamentos privados serem ou não escrutinados pela comunicação social.

Há quem entenda que a esfera da vida privada dos governantes não tem qualquer interesse para o cidadão. Pelo menos, um interesse legítimo. Que não importa, designadamente, se um governante é viciado em casinos, desde que jogue com dinheiro seu; que não importa saber se um governante compra roupa na loja mais cara do mundo, desde que o faça com dinheiro seu. E, obviamente, há quem entenda ser sagrada, por exemplo, a não violação da privacidade de um governante quanto, por exemplo, à sua orientação sexual.

A questão não pode ser vista de forma tão linear. Mesmo que o governante gaste apenas o que é seu, nos seus vícios ou hábitos privados, ficamos a saber duas coisas: em primeiro lugar, que o governante é honesto porque não gasta os dinheiros públicos. Mas ficamos, também, a saber que o governante tem uma compulsão para o jogo ou para um ostensivo modo de vida. Ou que, enquanto pede contenção aos seus governados, ele vive na ostentação. Não é relevante? É. Não o será quando se fala do rico empresário (que será escrutinado pelos seus trabalhadores ou pelos seus credores, mas isso é outra história), mas é-o quando se fala de quem elegemos para determinado cargo. Porque quando votamos em alguém, votamos não apenas na sua competência, mas também no que conhecemos do seu carácter, na sua capacidade para se adaptar aos sinais dos tempos que correm e na sua capacidade para dar exemplos de cidadania. Daí que os limites da liberdade de expressão se alarguem quando escrevemos sobre as designadas as figuras «da história do tempo».

Mais complexa é a questão da orientação sexual do governante. Se um governante é homossexual, ninguém tem nada a ver com isso. Se o é e o assume, não dever ser fustigado ou vangloriado por isso. É-o. E, sobre isso, cada qual tirará as suas conclusões na hora do voto, se achar que é uma questão relevante.

Mas já será escrutinável pela comunicação social – porque tem interesse público – saber se, por exemplo, um deputado faz hoje uma violenta intervenção no Parlamento contra a homossexualidade e, dias depois, se descobre que ele próprio é homossexual. Como é evidente, ele poder ser o que queira. Mas os eleitores têm o direito de saber se um dos seus eleitos é pessoa de carácter e se as suas intervenções públicas são concordantes com os seus comportamentos privados.

E, neste caso, ouso ir um pouco mais longe: se as acrobacias sexuais de uma figura pública – mas sem responsabiilidades públicas, mesmo que seja, por exemplo, um arquitecto do regime – não são escrutináveis, o mesmo não se aplica, por exemplo, ao padre de uma qualquer paróquia, que nas missas defende a moralidade e os bons costumes e acaba descoberto numa orgia. Neste caso, os paroquianos que o ouvem, também terão direito a saber que o homem faz o contrário do que prega.

Podiam ler as leis antes de as aprovar


oanonimoanonimo,

A lei de financiamento dos partidos foi aprovada por todos (excepto pelo deputado António José Seguro). Acesa polémica, ao concluir-se que a lei significa um retrocesso no que deve ser a transparência do financimento partidário que, tanto quanto se sabe, pode muito bem ser um dos cancros da vida política portuguesa e um meio para o enriquecimento ilícito de alguns.

Lê-se, agora, que Manuela Ferreira Leite anunciou que o PSD está disponível para ajustar a lei, se houver interpretação de que as recentes alterações têm efeitos perversos. Assinala-se. Mas lamenta-se que os partidos aprovem leis sem que, antes, tenham o cuidado de ver até onde elas nos levam. Para, depois, as alterarem quando a turba reage.

Sei que pedir leis bem feitas nos tempos que correm é pedir muito. Mas é no mínimo exigível que os deputados saibam o que aprovam. Ou também é pedir muito?