O caricato episódio protagonizado por Manuel Pinho no Parlamento não deve ser lido à luz da imputada e merecida fama de arrogância deste governo. Nem deve ser tida como uma manifestação do claro esboroamento do poder "rosa". Se é verdade que qualquer das leituras é justificável, parece-me que o problema é mais grave: o que o episódio revela é a degradação do regime. Uma degradação que tem a ver, desde logo, com o facto de muitos dos que ocupam – e ocuparam – altos cargos políticos não terem ponta de classe para tal. Muitos deles, nem bons presidente de Junta de Freguesia dariam. E, assim, é difícil acreditar neste país.
A degradação do regime
oanonimoanonimo,

O inexorável apodrecimento
alastra de forma viciosa,
repele o desenvolvimento
e atrai a cultura capciosa.
Limpando a podridão
da nossa sociedade,
tamanha é a devassidão
repleta de imbecilidade.
Camilo Castelo Branco no seu livro ” Senhor Ministro” definiu assim o “manguito”: “.. trejeito de ante-braço e mão… gesto anguloso que exprime mudamente todos os desdéns e ironias figuradas da retórica ; não se acha assinalado como indecente nos compêndios da civilidade, mas também não está bastante usado em desavenças de deputados nas salas das sessões ondem se fazem as leis e os manguitos para a nação.”
Qual a melhor defenição camiliana actual para o gesto do Sr. Ministro?
Para que exista democracia não basta que existam eleições. Óbvio.
Importa também os requisitos para o exercício dos cargos públicos. A lista tem que ter um Bom Engenheiro. É insuficiente ser economista.
E a abstenção?
Os que votam em candidatos a primeiros ministros que não podem sufragar directamente?
É apenas surrealismo?