Nas últimas eleições internas do PSD, votei em Pedro Passos Coelho. Digamos que não foi um voto pela afirmativa, mas, sobretudo, por exclusão de partes. Conheço mal PPC, nunca falei com ele, já ouvi sobre ele os maiores elogios e já ouvi sobre ele que não passa de um Sócrates de segunda. Manuela Ferreira Leite não me apetecia (muito menos os barões emproados que a empurravam) e Pedro Santana Lopes – sobre quem tenho melhor opinião do que a generalidade das pessoas – estava ainda muito fragilizado pela derrota eleitoral contra Sócrates.
Como candidato de "facção", pareceu-me que PPC era o que melhor se adequava a ir a eleições, ainda que fosse para perder, porque marcava um corte geracional no PSD.
O PSD perdeu as eleições. E perdeu-as por culpa própria. Manuela Ferreira Leite não era uma boa candidata a primeiro-ministro. Os barões do PSD que a apoiavam mostraram a sua incapacidade para perceber que há um PSD da carne-assada sem o qual não se ganha eleições. E o cavaquismo ajudou à festa.
Pelo meio, foram sendo triturados líderes. Durão Barroso foi andando, Santana Lopes ficou com o menino no colo e deitou-o fora com a água do banho, Marques Mendes não conseguiu impor-se, ao mal-amado Menezes deu-lhe aquela coisa e veio embora. Muitas trapalhadas em pouco tempo. E Paulo Portas a somar, como se viu nas últimas legislativas. Que é como quem diz, a tentar partir a espinha ao PSD.
Enquanto isso, dentro do PSD não há apenas adversários – há inimigos figadais que dificilmente se sentarão na mesma mesa, a não ser se for para distribuir poder. Um poder que não há, nem se vislumbra. PSD, por isso, na encruzilhada. E, assim, a equação parece ser simples: ou encontra uma solução de liderança o mais federadora possível, que garanta a sobrevivência do PSD como maior partido da oposição, ou dificilmente sobrevive a mais uma guerra de facções.
Creio que é precisamente isso que Marcelo Rebelo de Sousa pretende dizer com a sua linguagem cautelosa. Não haverá, neste momento, no PSD, figura que possa federar mais. E quem não perceber isto, arrisca-se a ser o liquidatário da loja. A não ser que, entretanto, Sócrates se suicide. E, aí, tudo pode acontecer – basta estar lá. Mas esperar pelo acaso pode ser fatal. Para o PSD. Porque, para o país, nem sei bem: talvez não fosse mau de todo que o regime partidário se reorganizasse. À esquerda e à direita.