Quando o que se devia discutir é o pântano de corrupção em que o país parece ter caído e a impunidade que grassa à volta do assunto; quando o que se devia discutir é se um país que é assim é viável e se ainda tem emenda; quando o que se devia discutir é se a classe política tem classe e se há ou não magistrados corajosos quando se trata de açaimar os poderosos, há quem, como Francisco Assis, venha pedir penas mais pesadas para os violadores do segredo de justiça. Percebe-se mal. É claro que quem viola o segredo de justiça pratica um crime. E, se o fez, deve ser condenado, depois de se apurar que não existem causas que excluam a ilicitude e a culpa. Mas será este o problema? O país vai mal, não porque se viola o segredo de justiça – mas porque há corruptos e impunidade e falta de classe e de coragem. Logo, a violação do segredo de justiça é um mal menor. Ou, por vezes, o último reduto de esperança.
A técnica da prioridade invertida
oanonimoanonimo,

Tens toda a razão. Assino por baixo.
Assistimos a este paradoxo: a violaçao do “segredo de justiça”, sustentam tantas vozes, mina o estado de direito; mas de corrupçao, que nenhuma dessas vozes denuncia, vamos bem, obrigado. Como se a corrupçao nas suas diversas formas que alguns jamais vislumbram (mas existe, e de que maneira) nao minasse o estado de direito mais do que qualquer outra coisa.
Vindo de Francisco Assis e neste contexto, percebe-se até muito bem…
Então a tua proposta é: como não conseguimos combater um crime, resignamo-nos perante um outro?