Jerónimo tem razão


oanonimoanonimo,

Ao afirmar, por estes dias, que o caso Freeport é um assunto de Estado, Cavaco Silva quis, certamente, dizer alguma coisa importante. O quê, não se sabe bem. E, por isso, bem andou Jerónimo de Sousa em pedir satisfações. De outro modo, ficamos sem saber o que pensa o PR sobre a questão.

O assunto é de Estado porque Cavaco acha que Sócrates está envolvido no esquema? Ou será que Cavaco entende que envolver um PM num escândalo destes é de tal forma abusivo que se torna, por isso, assunto de Estado? E, se assim é, quererá dizer o PR que a liberdade de imprensa tem sido ilegitimamente exercida neste caso, porque põe em causa o normal funcionamento das instituições e lança um inaceitável labéu de desconfiança sobre um governante sem indícios relevantes? Ou quererá Cavaco dizer que a justiça não cumpriu o seu papel de perseguição de criminosos num caso que envolve poderosos que põem em causa os pilares do Estado? Ou pretenderá Cavaco salientar que estamos perante um inadmissível atentado de uma agência inglesa à soberania nacional? Ou será que o PR quis criticar a forma desajustada como as autoridades judiciárias têm respondido às questões que têm vindo a ser suscitadas? Ou será que Cavaco nos quis dizer que os pilares que sustentam o regime estão de tal modo corroídos pela corrupção que se impõem medidas drásticas?

O "camarada" Jerónimo quer saber. Eu também. E não devemos ser os únicos.

A importância do cão português


oanonimoanonimo,

Obama conta com todos para levar por diante o seu projecto de uma nova América e de um novo mundo. Entre os que lhe são próximos, haverá, certamente, americanos com raízes em todas as partes do globo. Uns, para o aconselhar nos assuntos da economia; outros, para o ajudar a decidir sobre as questões da guerra; outros para escreverem os seus discursos; outros para ajudar a ultrapassar as inevitáveis trapalhadas a que qualquer político está sujeito. Portugal não fugirá à regra. Não sei se entre o pessoal próximo do presidente eleito haverá alguém com origens em Portugal. Mas a portugalidade marcará presença na Casa Branca, através de um cão de água português, que poderá ser o futuro companheiro de brincadeiras das filhas do presidente, conforme revelou hoje o próprio Barack Obama.

Contas de cabeça


oanonimoanonimo,

Depois de 48 anos sem dor, comecei a visitar os hospitais nos últimos tempos. Coisa que, não tendo a ver só com os cigarros, também tem a ver com os cigarros. Por junto, paguei por aí 80 euros em taxas moderadoras. Um destes dias, perdendo de vista o essencial, pensei no preço real das consultas e exames. Não consigo imaginar, sequer. Deve ser muito o que ando a gastar ao Estado. Depois, tentei calcular quantos cigarros fumei até hoje para, daí, tentar calcular quanto de impostos paguei ao Estado. Esforço inglório. Não consigo chegar lá. Mas, ainda assim, tenho a certeza de que o que já dei ao Estado através dos cigarros comprados deve bastar para cobrir as minhas despesas de saúde no SNS. Sinto-me um pouco melhor.

O que diz Marinho


oanonimoanonimo,

Estive a ler as afirmações mais polémicas de Marinho Pinto, segundo o JN. Vale a pena lê-las. Para pensarmos nelas e, sobretudo, para que um dia mais tarde possamos avaliar o seu efeito. O estilo é discutível. A oportunidade também pode ser. Mas a substância talvez não seja tanto.

 

Adenda: e também vale a pena ler aqui.

Câmara de tv


oanonimoanonimo,

Depois de João Carvalho (actor dos Malucos do Riso), de Cecília do Carmo e de Hernâni Carvalho (ambos jornalistas televisivos), aventa-se, agora, a hipótese de o mediático ex-inspector da PJ Gonçalo Amaral também ser ser candidato do PSD. À Câmara de Olhão. Se fosse nos consulados de Santana Lopes ou de Luís Filipe Menezes, não teríamos qualquer dúvida em dizer que estávamos perante uma deriva populista. Mas como estamos na era de Manuela Ferreira Leite, a única conclusão possível é que as lideranças credíveis atraem figuras de inestimável capacidade política que têm andado desperdiçadas.

 

Assim, não vale


oanonimoanonimo,

Ninguém diria que por detrás daquele ar sisudo que lhe deu aura de credibilidade está uma personalidade com espírito de contradição. Ainda ontem – ontem, apenas – falei no retomado silêncio de Manuela Ferreira Leite e eis que, horas depois, a senhora desafia Sócrates para um duelo televisivo. Isto é o que chama capacidade de influência. Mas não gostei – estragou-me o post. Não se faz!

Duas vezes mal


oanonimoanonimo,

Vale de Salgueiro, aldeia de Mirandela, é conhecida por uma tradição segundo a qual, na noite de 5 de Janeiro, as crianças são incentivadas pelos familiares a fumar cigarros. Está mal. Entretanto, nas televisões a tendência é para "moranguizar" as crianças, ensinando-lhes coisas igualmente impróprias. Também está mal.

Justiça como deve ser


oanonimoanonimo,

Corria o julgamento e faltava ouvir ainda muitas testemunhas quando o sistema de gravação avariou e se concluiu que tudo teria de voltar à estaca zero. O juiz saiu da sala de audiências, foi ao átrio do tribunal e, em nome do Estado, pediu desculpas às testemunhas pelo incómodo de terem de voltar outra vez. É o que se lê no JN de hoje.

A atitude não é inédita. Por duas ou três vezes, vi outros juízes, na impossibilidade da realização da audiência, mandarem entrar as testemunhas para, eles próprios, explicarem as razões do adiamento. Não é inédito, mas não é comum. E, daí o título do JN.

Não sendo comum, deveria, contudo, ser esta a regra. Mas como não é, aplaude-se a atitude de magistrados como estes, que explicam aos intervenientes processuais, directamente, sem intermediários, as incidências da máquina. São atitudes como esta que dignificam os magistrados e que ajudam os utentes a perceberem melhor como funciona a justiça.

No fim de contas, não custa nada agir assim – não custa nada ser educado; não custa nada ser cortês.

Perante o que se relata, custa ainda mais saber que há magistrados que estão nos antípodas. Também conheço alguns. Há magistrados que chegam duas horas atrasados aos julgamentos e nem sequer dão uma breve justificação pelo atraso a quem chegou a tempo e teve de fazer uma longa viagem. Há magistrados que, sabendo de véspera que o julgamento não se vai realizar, não têm a amabilidade de informar os advogados (para que estes possam informar as partes e estas as testemunhas) do adiamento. Há magistrados que tratam com tal rudeza os advogados, as partes e as testemunhas que, por vezes a contenção torna-se um tormento.

Infelizmente, nem todos são como os primeiros; felizmente, não são muitos como os segundos. Mas que há um longo caminho a percorrer, lá isso há.

 

Olá, então por aqui


oanonimoanonimo,

O curioso do caso propriamente dito é que entro nesta aventura sem conhecer – fisicamente – qualquer dos outros companheiros de estrada. De alguns, sei o que deles leio e sei da amabilidade e do entusiasmo do Pedro Correia, que foi quem me convidou para fazer parte desta delinquência. Aceitei. Com muito gosto. E espero que com entusiasmo não excessivo, porque o tempo que vai sobrando não é muito.

Previno, desde já, que não sou muito cuidadoso com a escrita, porque escrevo muito depressa e porque não releio o que escrevo. Foi sempre assim. Tentarei mudar. Não sei se com êxito.

Dizendo donde venho, recordo-me que fui jornalista nos tempos áureos de O Comércio do Porto. Estive no Semanário quando ainda era um jornal de ponta. Fiz crónicas na Rádio Nova. Comentei política na TSF. Escrevi crónicas noutros jornais. Saí do jornalismo para não voltar, razão pela qual tive uma passagem fugaz pelo gabinete de Luís Filipe Menezes na secretaria de Estado dos Assuntos Parlamentares. Dediquei-me à advocacia a tempo inteiro e, aqui, tenho uma história ligada a casos de delitos de opinião. Passo de vez em quando pela RTP (para comentários essencialmente de casos jurídicos) e resolvo as faltas de última hora no Porto Canal (para comentário político).

Nascido em Marco de Canaveses (1960), dirigi jornais locais ainda não tinha 20 anos, fui vereador da Cultura nos primeiros anos de Avelino Ferreira Torres (imagine-se!) e, mais tarde, afastei-me a correr. Em 2001 – num atribulado embuste – fui candidato à Câmara local pelo PSD (de que sou militante desactivado). Perdi. Ainda bem para mim. De outro modo, hoje devia ser um tipo bem mais chato do que já sou.

O primeiro blogue em que participei foi nos Cordoeiros, lançado por magistrados ilustres, que, depois, deu origem ao Incursões (que ainda mexe). Pelo meio, fui animando blogues locais (ainda o Marco), estabeleci-me por contra própria n’O Anónimo (uma magnífica tertúlia que mais parece uma família) e, no dia 1, criei com um amigo o Marco 2009. Vida dura, como vêem, para quem tem de ganhar a vida todos os dias e, além disso, sofre de insónias.

Apesar da minha ligação à blogosfera ser intensa, sou obrigado a confessar que leio poucos blogues. Já estou a ver a minha dificuldade na rubrica o blogue da semana.Lá iremos. Para além disso, trabalho no Porto (e por onde calha) e vivo numa pontinha de Gaia, virado para o Porto.

Não esperem de mim grandes dissertações sobre política e cultura. Nem sobre nada. Penso pela minha cabeça e desenvolvo umas teses um bocadinho provocadoras. Mas tenho um trato fácil. Não prevejam situações desagradáveis comigo, mesmo quando sou teimoso.

Vamos então a isto, companheiros.