Também acho que foi deslocada a forma como José Lello se referiu ao carácter de Manuel Alegre. E também acho que Almeida Santos, ao criar a dicotomia "nós" e "ele", denota que o PS já não considera Alegre um dos seus. E também me parece evidente que nada disto teria sido dito se não tivessem o beneplácito do chefe supremo. Mas também acho que a posição que Alegre vem assumindo começa a tornar-se intolerável.
Manuel Alegre não pode estar e não estar no PS conforme lhe dá jeito ou não. Não pode usufruir da vantagem de ser um "histórico" do PS e andar de braço dado com o Bloco de Esquerda, que parece ser o principal adversário do seu partido. Não pode andar a fustigar permanentemente o PS e deixar de ir debater o PS ao congresso ou noutros fóruns do seu partido.
Lendo o Expresso deste fim de semana, vê-se que é o próprio Alegre quem admite que está a esticar a corda até ao limite. A táctica ate pode ser boa, se Manuel Alegre pretende ser candidato presidencial com o apoio de toda a esquerda. Mas, confesso, que tanto tacticismo já me está a criar urticária. Se Alegre é mesmo um caso de gente séria que está a tentar refundar a esquerda à sua imagem, então está na hora de ser consequente e fazer o seu caminho â margem do PS. Ou corre o risco de se tornar igual aos que critica.


