O caminho de Alegre


oanonimoanonimo,

Também acho que foi deslocada a forma como José Lello se referiu ao carácter de Manuel Alegre. E também acho que Almeida Santos, ao criar a dicotomia "nós" e "ele", denota que o PS já não considera Alegre um dos seus. E também me parece evidente que nada disto teria sido dito se não tivessem o beneplácito do chefe supremo. Mas também acho que a posição que Alegre vem assumindo começa a tornar-se intolerável.

Manuel Alegre não pode estar e não estar no PS conforme lhe dá jeito ou não. Não pode usufruir da vantagem de ser um "histórico" do PS e andar de braço dado com o Bloco de Esquerda, que parece ser o principal adversário do seu partido. Não pode andar a fustigar permanentemente o PS e deixar de ir debater o PS ao congresso ou noutros fóruns do seu partido.

Lendo o Expresso deste fim de semana, vê-se que é o próprio Alegre quem admite que está a esticar a corda até ao limite. A táctica ate pode ser boa, se Manuel Alegre pretende ser candidato presidencial com o apoio de toda a esquerda. Mas, confesso, que tanto tacticismo já me está a criar urticária. Se Alegre é mesmo um caso de gente séria que está a tentar refundar a esquerda à sua imagem, então está na hora de ser consequente e fazer o seu caminho â margem do PS. Ou corre o risco de se tornar igual aos que critica.

Viagem a pagar?


oanonimoanonimo,

José Sócrates vai a Cabo Verde de 12 a 14 deste mês, numa deslocação em que pretende reforçar as áreas de cooperação tradicionais, acrescentando-lhe novos caminhos, como o das Novas Tecnologias da Informação e as Energias Renováveis. Leva nove ministros e sete secretários de Estado.

Esperemos que desta vez não se esqueçam de pagar o Falcon da Força Aérea…

Tranquilos com Mortágua


oanonimoanonimo,

Quando, pela manhã desta sexta-feira, ouvi na TSF notícia das declarações que o juiz-conselheiro António Mortágua prestou, como testemunha abonatória de Pinto da Costa, em processo que corre em Vila Nova de Gaia, pensei, por momentos, que estava a ler o Inimigo Público. Ex-presidente do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol (actualmente no Comité de Apelo da UEFA), o magistrado esclareceu, com impressionante naturalidade, que na época futebolística de 2002/2003 era corrente "comprar" árbitros.

Suponho que Mortágua falou daquela época porque é a esse tempo que se reportam os factos imputados a Pinto da Costa. E suponho, também, que em épocas anteriores não teria sido muito diferente, ainda que possa admitir que, a partir daí, as coisas possam ter melhorado um bocado.

O magistrado foi mais longe ao discorrer sobre factos concretos de corrupção desportiva de que teve conhecimento, tudo para demonstrar a improbabilidade de Pinto da Costa ter subornado o árbitro em causa no processo, até porque o montante era baixo para os usos e costumes da época.

Pasmei. Se tais afirmações tivessem sido feitas por um qualquer desses básicos dirigentes desportivos que povoam o nosso futebol, teriam piada. Mas não. Quem assim falou foi um magistrado de um tribunal superior (ainda que jubilado), que presidiu ao tribunal máximo do futebol nacional.

Presumo que os magistrados que o ouviram na sessão de julgamento terão ficado incomodados. Presumo que os magistrados que lerem as declarações de António Mortágua não terão motivos para estarem orgulhosos de um dos seus que, tendo conhecimento de casos de corrupção, não os tenha denunciado e fale deles com tamanha naturalidade. Por fim, presumo também que qualquer cidadão que leia o que disse o conselheiro não terá razões para ficar muito sossegado. Não por causa do futebol, mas por causa da Justiça. Porque é de Justiça que se fala neste post – não é de futebol.

(A notícia no CM)

Não sei se é milagre


oanonimoanonimo,

 

O Santuário de Fátima era um dos melhores clientes do BPP, garante o CM. Mas, com a construção da nova Basílica, os capitais foram sendo desmobilizados, razão pela qual o Santuário escapou à crise de liquidez do banco, que traz os clientes à beira de um ataque de fúria. Milagre?

Assim, sim, c…


oanonimoanonimo,

Quem acha que o nosso Parlamento não tem tribunos de primeira linha e de verbe ousada – como frequentemente vejo escrito -, fica desmentido com a troca de galhardetes entre os deputados Afonso Candal (PS) e José Eduardo Martins (PSD).

 

(Adenda: José Gomes André fornece as imagens em comentário)

E o PSD aguenta?


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Depois de Sócrates, o PS ficará numa encruzilhada, diz Tiago Moreira Ramalho, no Corta-Fitas. Explica porquê:

 

«A extrema-esquerda manter-se-á: quem entra dificilmente sai, e o PSD recuperará quem anteriormente perdeu para o PS. Teremos, caso a alternativa seja boa e a gestão melhor, um PSD fortíssimo com o seu eleitorado de sempre e para o qual sabe falar e um PS numa encruzilhada: sem capacidade para abarcar o centro-direita e com um eleitorado de esquerda já demasiado desligado. O Partido Socialista terá bastantes dificuldades em recuperar depois de passar dez anos como Partido Sócrates.»

 

O raciocínio não é mau. A única dúvida é saber se o PSD ainda existirá por essa altura. A avaliar pelo caminho dos últimos anos…

Fiquemos, pois, à espera


oanonimoanonimo,

O jornal Frankfurter Allgemeine faz um perfil de Cavaco Silva e proclama que o nosso PR é «um político para os tempos difíceis». Se não estou em erro, vivemos um tempo propício a que Cavaco mostre o que vale. Não só no domínio da crise económica – onde muito pouco poderá fazer -, como, sobretudo, na crise política e de valores que grassa. Ou não era disto que o jornal estava a falar?

O selo da Justiça


oanonimoanonimo,

O post abaixo – A cor da Justiça – revela uma situação caricata. Mas não é única. Há uns anos, requeri a um tribunal do Sul do país que me enviasse por correio a carta de condução de um cliente que ali fora julgado em processo-crime por condução com excesso de álcool. Por descuido, não foi enviado envelope selado para o efeito e nem sequer tinha ainda dado pelo lapso quando recebi uma notificação do tribunal – em carta registada – com um despacho onde se lia que se queria a carta, havia que enviar envelope selado. E eu enviei. Não sem pensar, claro, que o tribunal poderia ter aproveitado o dinheiro e o tempo despendidos com o despacho e a carta registada para me enviar a carta de condução. E não se falava mais no assunto.

Elisa tem Pinto da Costa


oanonimoanonimo,

Elisa foi, ontem, lançada como candidata do PS à Câmara do Porto. «Este é o meu momento» – garantiu. Sim, pois. Mas, antes disso, há que assegurar o lugarzinho no Parlamento Europeu, onde se ganha bem e não se faz muito, não vá isto correr mal, como, provavelmente, vai. Vai-se lendo que Pinto da Costa marcou presença e que Elisa ostentou a presença. Não havia necessidade de marcar terreno por aí. Mas, pronto, fica-se a saber que a política e o futebol já lá estão de mãos dadas. Falta saber quem são os homens do betão de Elisa.

 

(três posts seguidos?! Estou à beira de um cansaço)

Mudam-se os tempos


oanonimoanonimo,

Os clientes do BPP, que ontem ocuparam a sede daquele banco no Porto, vão ser recebidos por um dos administradores em Lisboa, na próxima semana. Estranho! Até para tentarem receber o que é seu têm que se deslocar a Lisboa? Aposto que quando se tratou de depositar o dinheiro, foram-lho buscar a casa, cheios de mesuras.

O chato do espelho


oanonimoanonimo,

Seis particularidades que eu vejo todos os dias ao espelho, pede o João Carvalho, aqui mais abaixo. Como eu gosto destas correntes, João! Manda mais, está bem?

Aí vai, então:

 

1 – Raios!, pareço um zombie, até estou com a vista embaciada! Se não tivesse que trabalhar, voltava a deitar-me…

2 – Raios!, juro que logo vou consegui dormir mais cedo, nem que tenha de duplicar a dose! Ou será que já dupliquei esta noite?

3 – Raios!, ainda por cima agora não posso fumar! Bebe um danacol, pá!

4 – Raios!, adormeci a pensar que gostava de mudar o mundo e acordo a esperar que hoje não me mandem uma corrente blogosférica…

5 – Raios!, estas meias são azuis ou pretas? Deixa-me ir à janela e esperar que a vizinha não me veja nu.

6 – Raios! Afivela lá um sorriso, que ninguém tem culpa. Olá, bom dia!

 

E, agora, vem a parte melhor (quase tão boa como acordar), que é fazer linques, que é como quem diz, uma maldade a mais seis pessoas. Ora, façam o favor, então:

Para a Cleopatra, para a Ni, para maresia, para Margarida, para Júlia e para Cristina.

 

Portugal de verdade


oanonimoanonimo,

A Cavaco Silva bastou a palavra de Dias Loureiro de que nada há a apontar ao seu comportamento enquanto administrador da SLN para que o homem fosse "absolvido". E nem mesmo as mais recentes notícias que dão Loureiro a não ter falado verdade na Assembleia da República parecem demover o PR, que fez notar que não tem mais nada a dizer sobre o assunto que envolve o conselheiro de Estado. Não sei se José Sócrates já falou com Cavaco Silva sobre a «campanha negra» que o envolve. Mas se não o fez, deve fazê-lo, garantindo a sua inocência. Cavaco "absolve-o" a a vida continua, poupando-se, assim, uma rima de dinheiro em investigações que, como é sabido, não levam a lado algum.

 

Por causa da “fruta”, lembrei-me do IVA


oanonimoanonimo,

Lembram-se daquele processo em que Pinto da Costa era arguido, por causa da "fruta" para os árbitros? Sim, aquele que Maria José Morgado, depois de ouvir Carolina Salgado, decidiu recuperar das catacumbas para levar a julgamento? Sim, esse mesmo em que o juiz de instrução criminal achou que não havia motivos para julgar Pinto da Costa e, por isso, não pronunciou? Claro, aquele que teve recurso do MP e que, agora, o Tribunal da Relação veio dizer que Carolina não é de confiança? Sim, esse. Não sei, nem tenho a mais pálida ideia sobre o acerto da decisão. Mas também não é isso que me preocupa agora. O que eu gostava de saber é se Mme Carolina Salgado ainda beneficia de protecção policial diária por parte da PSP. Não, não quero atentar contra a senhora, nem pretendo aproximar-me. É só porque tal protecção diária, 24 sobre 24 horas, deve custar uma fortuna ao Estado. Lembrei-me disto, porque amanhã é dia de pagar IVA.

 

Os cenários que se abrem no PSD. Se é que…


oanonimoanonimo,

A questão que se coloca é esta: haverá ainda quem acredite que Manuela Ferreira Leite tem condições para ganhar as legislativas, descontando aquela parte em que pode haver um terramoto político? Não me parece.

E, aqui, importa questionar: estará ainda o PSD a tempo de mudar de liderança com mínimas possibilidades de sucesso, ou mudar de liderança nesta altura será pior a emenda que o soneto?

E se for para mudar de líder, deve o PSD optar por uma figura já firmada, uma figura tipo Rui Rio, que tem fama de ser duro, coerente e sério, com a vantagem de que "passa" melhor no resto do país do que no Porto e além disso sabe de finanças, mas que se arrisca a afastar a ala "populista"?

Ou será que o PSD, desesperado pela falta de poder prolongada e sem poder à vista, optará por uma figura como Alberto João Jardim, com o argumento de que tem obra feita, gosta de "malhar" em Sócrates e não tem problemas de notoriedade, mas que se arrisca a afastar de uma vez por todas as "elites" do PSD?

Ou será que o PSD abdica desde já de ganhar as próximas eleições e lança uma cara lavada como Pedro Passos Coelho, a pensar no que virá depois, com a vantagem de que pode ser o mais bem colocado para agregar o partido a prazo?

Ou será que Manuela Ferreira Leite acaba por ficar, mesmo assim, à espera de um cenário, que não desagradaria a Cavaco, em que PS e PSD tenham de entender-se para formar governo?