Não gosto de Fátima Felgueiras, pronto


oanonimoanonimo,

Peço imensa desculpa, mas tenho que lhes dizer que não gosto de Fátima Felgueiras. E não é por aquilo que eu sei que estão a pensar. Não gosto da senhora, porque ela, que não me conhece, é dada a estragar-me o efeito. Em 2001, quando fui candidato à Câmara de Marco de Canaveses, contra Avelino Ferreira Torres, eu tentava atrair a atenção do media para o facto do meu adversário estar pronunciado por crimes praticados no âmbito das suas funções políticas (e acabou condenado), e ninguém me ligava nada, preocupados, todos, com as trapalhadas da senhora. Durão Barroso, então líder do PSD, passou por essa altura pelo Marco e, em vez de falar de Avelino, falou… de Felgueiras. Eu sei que lhe era difícil falar contra um autarca que então era do CDS, partido com quem viria a coligar-se pouco depois. Mas ainda assim… Não gostei e disse-lho, logo aí, era Novembro e Luís Filipe Menezes, que fazia anos e também estava, era líder distrital do Porto.

Oito anos depois, a senhora voltou a pregar-me uma partida. Domingo à noite, completamente embalado na minha função de mandatário de Manuel Moreira (presidente da Câmara do PSD na Câmara do Marco), à espera da vitória da noite – a vitória contra um regressado Ferreira Torres -, aquela que iria demonstrar ao país que o Marco voltava a ser uma terra normal e que o país ainda tem emenda, eis que sou surpreendido com um telefonema lapidar que me diz que Fátima perdeu Felgueiras. Percebi logo: os holofotes já não seriam do Marco.

O lado bom da história é que não foi apenas um – foram dois os que cairam. Trambolhão. A ruralidade teve juízo. A suburbanidade, nem por isso e Valentim lá prossegue em Gondomar, enquanto, em Oeiras, supostamente concelho de excelência, revigora Isaltino. Há qualquer coisa aqui que não bate bem. 

9 comentários em “Não gosto de Fátima Felgueiras, pronto”

  1. Houve muitos resultados surpreendentes nestas eleições autárquicas. Gostei de ver alguns, e de outros nem por isso.

    – PSD perdeu a Trofa para o PS. O concelho com mais militantes do PSD, tem de ser mesmo muito mal gerido para virar PS. Terá sido isso juntamente com outras “coisas” que fez o PSD perder e deixar muita gente em “choque”.

    – PSD perdeu a Figueira da Foz para o PS. Desde Santana Lopes que a Figueira era laranja, e assim continuaria se não houvesse tanta gente a querer servir-se do poder. As lutas dentro do PSD ao longo dos últimos 4 anos fizeram com que o fraco candidato do PS vencesse sem esforço.

    – Rui Rio reforça no Porto. Desde 2001 digo que Rui Rio é o melhor autarca do país, e há mais tempo que afirmo ser este o melhor político português. Muitos me contradisseram e duvidaram do que dizia. A prova de que é verdade é este resultado histórico.

    – Santana Lopes perde para Costa em Lisboa. Sinceramente pensei que Santana pudesse ganhar, ou pelo menos empatar. Mas realmente o povo português nunca foi muito de arriscar. Prefere o seguro ao imprevisível. Caso para dizer: quem não arrisca não petisca. Mas enfim, somos muito comodistas, principalmente os Lisboetas.

    – Fátima perde em Felgueiras, Avelino perde no Marco de Canavezes, Valentim e Isaltino perdem maiorias. É este tipo de resultados que me dão uma réstia de esperança em relação à mudança de mentalidades neste país. Era de facto incrível como gente manifestamente desaconselhável continuava a dominar nas suas cidades.

  2. Deixe lá. Muitos cidadãos anónimos que nem votam no seu PSD ficaram felicíssimos. Pelo menos cá em casa, a derrota do Ferreira Torres foi tão festejada como a da Fátima.

  3. O Sr. só fala mal de quem não conhece. Como a maioria da gente, que por sua vez SÓ SABE criticar em vez de conhecer realmente a pessoa em questão.

    1. É irresistível meter-me. Antes de mais, NÃO GRITE que nos irrita. Depois, toda a gente conhece «a pessoa em questão» – de ginjeira.
      A diferença entre si e ela é que V., pelo modo como (não) assina, parece que ainda tem um resto de vergonha.

  4. Escrevi qualquer coisa parecida na Ágora acerca da diferença entre os voto “urbano” e o voto “rural” e as lições de moral que daí se podem retirar. Já agora, espero que Ferreira Torres tenha acabado politicamente e que Manuel Moreira possa continuar a pôr o concelho em ordem.
    Já quanto ao post do Luís tenho duas ressalvas: uma é a de Rio ser o melhor autarca do país, coisa em que não acredito – e se apenas os votos lhe dessem razão, então o mesmo se diria de Fernando Gomes nos anos noventa, que sem coligações obteve ainda maiores percentagens. Outra é a de Santana representar o “desconhecido”, quando esteve quase 3 anos à frente da CML.

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