O actual governo prepara-se para devolver ao mundo dos tribunais metade das férias que o anterior lhe usurpou, quando reduziu de dois meses para um as férias judiciais. [Obrigado, José]. Esta foi uma daquelas medidas em que o governo de Sócrates andou mal. Disse-o desde o princípio. Com o ímpeto reformista a todo o vapor, o anterior governo achou que, reduzindo as férias, estava a pôr os "privilegiados" magistrados na ordem, ganhando, com isso, o aplauso do povo. Não pôs. Com a agenda na mão, os magistrados depressa aprenderam a gerir os seus tempos e não houve ganhos na celeridade processual. Atrevo-me, até, a pensar que o efeito foi perverso. Logo, não houve aplauso do povo. Quem se tramou com a medida foram os advogados. É que, mesmo sem diligências processuais marcadas, os prazos para os advogados continuavam a correr. E as férias dos advogados em prática isolada transformaram-se numa nesga. Com a suspensão de prazos entre 15 e 31 de Julho, que agora se propõe, vai passar a respirar-se melhor. Pena foi que não tivessem pensado no assunto antes. Mas isso já seria pedir coisas a mais.
(Ando aqui a cumprir os serviços mínimos, enquanto a malta do DO se diverte em Lisboa. É o mínimo que posso fazer, depois de ter sido obrigado a faltar à comemoração do aniversário por razões profissionais inesperadas. Correu bem, amigos? Fico à espera da acta. Beijos e abraços.)

Estava bom de ver. Excepto para quem não quis ver.
O José é o faz e desfaz como não há igual.Como não estou no meio judicial, confio em quem vive na pele estes problemas e é como diz, pois tenho amigos advogados que têm a sua opinião.Ouvir e planear não são disciplinas que sejam dadas em nenhuma escola portuguesa,mas há mais que faltam, rigor e reponsabilidade por exemplo.
Correu muitíssimo bem, Joaquim. A acta segue dentro de momentos.
Perverso sim. Os Magistrados passaram a trabalhar apenas nas horas de expediente.
Passaram a marcar julgamentos atempadamente e sem correr riscos de adiamentos que até podiam não ocorrer.
Ou seja, passaram a marcar tudo direitinho até a agenda dar… e a dois e três , seis meses ou 10.
E, nas tais “férias judiciais” deixaram de trabalhar estupidamente para pôr o excesso de trabalho em dia.
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Mas não se preocupem, foi só no primeiro ano e meio. Já andam a trabalhar nas “férias” de novo.