Olhai os sírios do campo


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Estão aí a chegar dois sírios vindos do campo de Guantanamo. Dizem as notícias que «chegam a Portugal com um visto especial» e que «vão viver em local seguro e vigiados permanentemente». Reparem que os dois homens vão viver por cá como nenhum português vive. Assim vale a pena. A partir de agora, já sabem: se quiserem viver em local seguro e sempre vigiados por seguranças gratuitos, mudem-se para o sítio em que ficarem instalados os sírios. Está cada vez mais difícil encontrar um lugar seguro e bem vigiado.

As não-verdades e o não-dizer


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«É frequente encontrarem-se não-conformidades [que resultam em] recomendações de correcção».

«A não-conformidade, no fim de contas, é uma situação em que determinadas normas não se encontram implementadas ou não se encontram implementadas da forma que deviam estar».

«Não há nenhuma inspecção em que o Infarmed não detecte algumas não-conformidades».

«As "não-conformidades" usualmente detectadas podem ser "menores" ou "mais importantes"»

«[O relatório] não estabelece nenhum nexo de causalidade entre essas não-conformidades e os acontecimentos relacionados com o Avastin».

«A inspecção incidiu sobre as condições de preparação e dispensa de medicamentos e identificou não-conformidades, algumas delas consideradas críticas».

«O Infarmed reinspeccionará o circuito (…) a fim de verificar a correcção das não-conformidades detectadas».

(As não-explicações do sim-presidente do Infarmed Vasco Maria sobre as não-conclusões da não-inspecção aos sim-casos do Hospital de Santa Maria.)

TGV ou Pendular?


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[Alfa-Pendular-light.jpg]

«Este recorte de jornal com texto de Jack Soifer foi enviado para mim pelo meu amigo Luís Miguel. Vale bem a pena ler isto pois realmente não há nada como quererem explorar de qualquer forma o nosso país. Pior ainda é quem se deixa induzir por estas tecnologias que de avant-garde não possuem nada! É uma infelicidade que tenhamos que andar sempre a reboque dos mais poderosos, daqueles que já não sabem mais onde despejar a sucata das suas tecnologias. Mas, conforme diz o ditado, cada um tem aquilo que merece!!! Quero deixar bem claro neste blogue que o mesmo não está disponível para discussões políticas mas, tão só, alertar para problemas que envolvem, neste caso, o caminho de ferro que afinal é de todos nós! Uma vez que as imagens no blogue estão sujeitas a determinadas medidas aconselho a que façam uma ampliação desta ou cliquem na mesma para poderem ler com mais facilidade ou ainda clicar acima no nome do autor do texto. O jornal em referencia é o "Oje" de 20 de Janeiro de 2009.»

 

(Post do Jorge Rêgo, publicado aqui. Se precisarem, sugiro que vão lá para aumentar o texto do jornal, porque é muito esclarecedor.)

Tudo pela derrota?


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Não é fácil conseguir uma boa derrota. Especialmente quando o principal adversário está desacreditado. Claro que há umas medidas capazes de gerar danos eficazes. Destroçar tropas, por exemplo, ajuda imenso a perder a batalha seguinte. Com uma vantagem possível: a soldadesca que resta de um exército esfrangalhado é sempre muito fiel à voz de comando. O problema é que o comandante não costuma ter tempo para contar quantos ficaram. Porquê? Por também ser considerado despojo de guerra.

A memória do outro lado da rua


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O Pedro Sales explica aqui muito bem (e o Pedro Correia recomenda-o aqui em baixo) que a ideia peregrina de pagar 200 euros por cada rebento não incentiva a natalidade, mas antes premeia a banca, que passaria a receber um bónus anual que só ela pode utilizar durante 18 anos. Passado esse tempo, a importância libertada talvez desse para suportar um almoço em família.

Se a hipotética iniciativa se torna ainda menos agradável vista deste modo, a conclusão não é mais atraente: por via daquele almocito familiar 18 anos depois, «talvez então se recordem de José Sócrates com outros olhos». Longe vá o agoiro. Se alguém vier a recordar-se dele com outros olhos, ao menos que a memória circule no passeio oposto.

O convite visto à lupa


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A Ana Lourenço conseguiu ter, na SIC-Notícias, os dois protagonistas do caso do convite socialista a Joana Amaral Dias. Esta, no Jornal das 9, puxou daquele ar sobranceiro habitual para dizer que já tinha explicado tudo antes, que entendeu não falar mais e ir uma semana de férias e que a imprensa demorou muito tempo a procurar a verdade. Como é que isto se conjuga não sei, mas ouvi-a rejeitar qualquer contacto mais intimista ou baseado na amizade, porque só tinha estado com Paulo Campos uma vez e a proposta que este lhe lançou foi feita por telefone. Acrescentou ainda que não teve qualquer dúvida em recusar a ideia, por ter sido muito crítica em relação ao PS durante estes quatro anos e tal.

Depois, na hora seguinte, a Ana Lourenço chegou à fala com o secretário de Estado das Obras Públicas. É inenarrável a conversa que mantiveram, com Paulo Campos a referir-se a ele próprio na terceira pessoa, à jogador de futebol: «O Paulo Campos disse», «o Paulo Campos fez», «o Paulo Campos aconteceu»…

Foi um longo momento atabalhoado e quase me vi com pena dele. Foi quando decidi puxar da lupa e observar a historieta ao pormenor. Disse ele que falou com ela duas vezes: um telefonema inicial dele para saber se ela estaria disponível e um telefonema posterior dela para lhe dizer que não estava disponível.

Visto o caso assim à lupa, tirei duas conclusões. A primeira é que a Ana Lourenço merece ser felicitada pela pachorra para aguentar aquilo sem o mais pequeno ar de enfado ou ironia, excepto quando Campos, membro do governo, disse que nem sabia o que é o IDT (o Instituto da Droga e Toxicodependência).

A segunda conclusão tem mais peso em todo este embrulho. Joana Amaral Dias confirma que foi contactada, jura que nunca lhe passaria pela cabeça algo que não fosse declinar o convite e… foi por certo pensar para mais tarde ela própria telefonar e responder. Registe-se.

Palavras perdidas


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Vivemos num país de palavras perdidas, em que muita gente gasta muito tempo a falar muitas palavras para dizer coisa nenhuma. A política encarrega-se de provar todos os dias aquilo a que me refiro. Com o intuito primário de escamotear a realidade, com o medo básico de perder a face, assistimos permanentemente a declarações pomposas e a afirmações veementes destituídas de quaisquer implicações e, como tal, sem qualquer significado real.

Um dos casos mais caricatos a que tantos têm recorrido (e não só os socialistas, como hoje tem estado a acontecer) está condensado nesta frase simples: «Vamos respeitar a decisão do Tribunal Constitucional.» É mais ou menos como o criminoso grave apanhado em flagrante e mandado para prisão preventiva dizer assim: «Vou respeitar a decisão do juiz.» Ou como alguém que está a almoçar numa esplanada ao sol dizer assim: «Vou aceitar que ainda não é noite.»

O folhetim do convite


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Primeiro, foi Francisco Louçã a divulgar o "assédio" do PS a Joana Amaral Dias. A bloquista tinha ficado calada.

Depois, foi o porta-voz do PS a desmentir com veemência que José Sócrates a tivesse tentado fosse com o que fosse, o que só serviu para sabermos que Sócrates não o tinha feito pessoalmente, mas sem sabermos se alguém o fizera por conta própria ou em nome do PS ou do secretário-geral socialista. Joana manteve-se em silêncio.

A seguir, pareceu que o convite poderia ter partido dos socialistas de Coimbra. Joana continuou de boca fechada.

Hoje, as notícias dizem que a abordagem foi feita pelo secretário de Estado das Obras Públicas, que nega tê-lo feito em nome do PS ou estar mandatado pelo seu secretário-geral e também nega ter oferecido cargos aliciantes, ficando por saber-se que convite teria ele feito se tudo não passou de uma iniciativa pessoal. Joana conserva o caso em segredo.

Assim, resta desejar a Joana Amaral Dias que recupere da grave rouquidão e esperar que não seja gripe A. E não se preocupe que não ficará mal na fotografia, porque o fotógrafo tinha mais que fazer e já se foi embora.

Propaganda em três tempos


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1. As novas instalações judiciais de Lisboa constituem agora palco de propaganda do governo. Nas Varas Criminais, os monitores de última geração promovem as acções do ministro da Justiça, através de uma filmagem em que o protagonista que conduz o espectador é o próprio ministro da Justiça. Alberto Costa contraria a indignação que a insólita iniciativa está a provocar, declarando que se trata apenas de informar de modo objectivo. Informar sobre as vantagens de se ter um ministro como ele, supõe-se.

 

2. A ideia é curiosa. Informar objectivamente sobre o que de bom um ministro faz é um dever, para que se perceba a razão pela qual os portugueses não cabem em si de contentes. Como é suposto todos os ministros acharem bem feito aquilo que fazem, não se vislumbra qualquer motivo para que os restantes ministros não se promovam de modo semelhante. Rodados os filmes e adquirido o equipamento, a única dificuldade parece ser encontrar lugares suficientes para transmitir todos os filmes do governo.

 

3. O caso mais complicado há-de ser a rodagem do filme sobre a actividade do ministro do Ambiente. A menos que seja aceitável uma curta-metragem sobre a sua inactividade. Com vista sobre a costa portuguesa, prolongada com vista sobre a costa espanhola, mais a costa francesa, a costa italiana e a costa grega. E intervalo para café. E uma alegoria inspirada no padre António Vieira, mas com um sermão às árvores. (Peço desculpa por não mencionar o nome dele, mas ninguém soube dizer-mo.  Só me dizem que existe.)

Assim não vamos lá


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Este editorial de hoje e a oportuna chamada de atenção neste post mais abaixo sugerem uma reflexão que devia estar na ordem do dia entre nós, mas que os nossos políticos continuam a pôr de parte. E, contudo, tinha de considerar-se urgente como nunca, já que se mantém teimosamente em Portugal a confusão entre rendimento elevado e património elevado.

O património elevado é de ricos, que podem nem fazer nada porque as suas posses o permitem. Já o rendimento elevado é de quem trabalha e gere com sucesso, é de quem investe e cria. Ora, no nosso país, os dois casos são tratados do mesmo modo, para não dizer que, por vezes, o rico ocioso ainda sai beneficiado em relação ao investidor que trabalha.

Enquanto for assim, a deprimente falta de imaginação e competência, a insuportável falta de visão e ignorância dos que gerem a coisa pública deixar-nos-á cada vez mais fragilizados, num fosso crescente, agravado e descontrolado de injustiças sociais. O Estado precisava de cobrar com outra justiça, para redistribuir com justiça ainda maior. Com o miserabilismo habitual e a miopia tradicional não vamos lá. É pena, mas quem tem as ferramentas não sabe e não quer aprender a usá-las.

Só podemos lamentá-lo e fingir que acreditamos que vêm aí outras cabecinhas melhores. No nosso íntimo, sabemos que não. Tal como sabemos que boa parte das receitas do Estado continuarão a ser gizadas a martelo e muita redistribuição se manterá planeada a olho.

Sem passado?


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O Solitário Português, o assaltante de bancos que andou a sacar desde 2002, foi condenado. Segundo o que foi divulgado, provaram-se em tribunal 24 dos 26 assaltos a agências bancárias de que era acusado, pelo que apanhou um cúmulo de 14 anos de prisão. O aspecto mais curioso é o tribunal ter entendido levar em consideração o facto de o arguido não ter passado criminal, o que serviu de atenuante para a decisão da pena.

A justiça tem destas coisas engraçadas que a maioria dos comuns mortais jamais entenderá. O homem andou vários anos a roubar vários bancos. Certo? Se não tem passado criminal é só porque não foi apanhado antes. Certo?

O Blogue da Semana é…


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[Pala-1.jpg]… um acervo nostálgico sobre combóios que já anda há alguns anos pela blogosfera. Sou amigo do Jorge Rêgo desde a juventude (não me passaria pela cabeça fazer de conta que isto é por acaso) e sei que foi sempre assim: fotografia e velhos combóios, estações abandonadas e apeadeiros perdidos, modelos à escala HO e maquetas. Por isso mesmo, o Blogue da Semana que escolho e recomendo é o Caminhos de Ferro Vale da Fumaça. Os entusiastas da fotografia e do caminho-de-ferro pré-TGV irão encontrar ali um interlocutor à altura.

Cancelado e banido


jmmcc,

Banned from the Web

 

A partir de ontem, não deixam passar nada. Andam a espiolhar blogues à lupa e pente fino, armados de minúcia, e cancelam tudo o que não lhes agrade. É pena, porque eu tinha posto aqui em cima uma coisa mesmo engraçada, embora um bocadinho maldosa, mas o resultado foi o que se vê: entraram-me post adentro e zás!…