… entre os 1397 casos de gripe A registados entre nós. Parece que começa a haver alguma sensatez nos dados que se divulgam. Antes assim.
Mais de 800 curas…
jmmcc,
… entre os 1397 casos de gripe A registados entre nós. Parece que começa a haver alguma sensatez nos dados que se divulgam. Antes assim.
«Deixe-me falar aqui um bocadinho com a sua esposa.»
(Sónia Araújo, no Verão Total, RTP-1)
Ao fim de três dias, parece que Sócrates conseguiu descobrir uma explicação para a subida de 0,3 por cento do PIB no segundo trimestre do ano. Por isso, esqueceu o discreto dia de ontem para explicar o aumento gritante do desemprego, mas retomou o dia de anteontem para embandeirar em arco sobre o PIB: Portugal é «um dos primeiros países que mais rapidamente saiu da condição de recessão técnica».
Acho brilhante e fico quase orgulhoso. Só que, quando ouço Sócrates falar em recessão técnica, o modo como isso me soa tem uma conotação familiar que me fere os ouvidos: traz-me à memória aquilo do inglês técnico, lembram-se? Ora, o resultado da aprovação no rigoroso exame a inglês técnico numa prestigiada universidade a gente já conhece: está mais ou menos ao nível do portinhol técnico que ele fala fluentemente com Zapatero.
Assim sendo, alguém se admira por eu ficar assustado com o que ele sabe de recessão técnica? Pois se ele nem sequer prestou provas por fax ou cartões de visita…

Poster original do Festival Woodstock
(15 a 18 de Agosto de 1969)
Woodstock Music & Art Fair
"An Aquarian Exposition – 3 Days of Peace & Music"
Este conjunto de malas encerra um conceito inovador que deverá revelar-se muito útil, visto responder às novas realidades. Vejamos.
A mala maior que se vê atrás serve para um uso mais tradicional: leva tudo dentro e dá um jeitaço a quem não quer saber de cantigas.
A mala maior e a mais pequena permitem transportar a parte mais volumosa do produto e, separadamente, luvas e coisas para o caminho.
A mala maior e a média servem para quem não gosta de surpresas e se previne antecipadamente: na maior, os 60 por cento que poderão ir parar ao Fisco e, na outra, os 40 por cento para seguir a vida tranquilamente.
As constipações devem combater-se ao «primeiro indício», sem dúvida. Este anúncio publicado aqui recorda uma velha receita para travar os sintomas de constipação. Tendo em conta que as constipações geram alguma fragilidade que nos torna mais vulneráveis aos vírus das gripes, talvez seja de investigar se o Mentholatum ainda existe por aí.
Portanto, já sabe: tente encontrar este produto, espere pelo «primeiro indício» e «aplique logo o Mentholatum no peito, na garganta e nas fossas nasais». No peito, não tem que saber. Na garganta, é no exterior. Já nas fossas nasais, fica ao seu critério. Alguns deputados, por exemplo, já têm sido vistos durante os plenários do Parlamento a proceder a esta aplicação.
O Portugal político é feito à imagem do Portugal televisivo: os habitués convidam-se mutuamente e andam todos a mostrar-se num círculo fechado imparável; o resto é a paisagem do costume, de uma pobreza desoladora em que mais ninguém conta.
Este desabafo refere-se a um monte de casos que seria maçador anotar. Basta o exemplo do dia, apenas porque vem mesmo a calhar. Marcelo Rebelo de Sousa escreve na imprensa e tem um programa semanal na televisão pública. Interrompeu para férias há uns dias e estará de volta daqui a outros tantos. Entretanto, é o entrevistado com direito a chamada de capa num jornal de hoje, como se entre os que querem-saber-o-que-ele-diz-sobre-o-que-quer-que-seja não estivessem já fartíssimos de o saber e condenados a confirmá-lo nos próximos onze meses.
Isto não são saudades. Isto é doença. É um vício instalado. Vivemos num país de rotundas. Portugal é um círculo vicioso. Ou um circo, onde o espectáculo também é rotundo e os micos se repetem à exaustão.
«Na opinião de Junquireo, que ontem já Junqueiro tinha atacado, em declarações ao semanário Sol (…)»
(Filomena Fontes, no Público Última Hora)
Poster da United Air Lines (anos 50)
Como diria Medina Carreira, a comunicação social aceita tudo quanto lhe é impingido como notícia. Nas últimas 24 horas, o exemplo mais flagrante é o da queda persistente da economia espanhola: Zapatero viu o PIB manter-se em zona negativa, embora abrandasse de 1,9 por cento no primeiro trimestre para um por cento no segundo.
Foi à custa desse dado que Sócrates e sus muchachos puxaram da sua habitual imaginação para estabelecer o contraste que julgam conveniente: Portugal apresentou o inesperado crescimento de 0,3 por cento e Espanha teve uma queda de um por cento. A notícia foi posta a circular e o PS deve estar a esfregar as mãos de contente.
Convém, no entanto, esclarecer o seguinte: não devem esquecer-se de que seria muito mais conveniente para nós que a economia espanhola crescesse, porque vivemos numa gritante dependência dos nossos vizinhos; ainda por cima, são eles que nos ficam com grande fatia das nossas débeis exportações.
Pode o PS continuar a esfregar as mãos de contente com essa noticiazinha. Pode, mas não devia, pois não se entende que tamanha miopia seja motivo para tanta alegria.









Sacos de viagem da Pan Am – Pan American World Airlines
(falida e extinta nos anos 90)
O INE acaba de divulgar que o PIB em Portugal apresentou um crescimento incipiente no segundo trimestre do ano. Foi melhor do que nada, só que foi inesperado e ninguém sabe por quê e se terá continuidade. Tudo o mais vai mal. Porém, aquele dadozinho minúsculo foi quanto bastou para Sócrates embandeirar em arco e correr a declarar que Portugal é dos primeiros países a dar sinais de que a crise mundial pode estar a ser ultrapassada e que isso se deve à correcção das suas decisões políticas.
O disparate é evidente: o próprio governo não controlou nem contava com o dado apresentado hoje e, nesta metade do terceiro trimestre, não faz a mais pequena ideia do que está na origem dele. Mesmo assim, a par de Sócrates, apressaram-se a vir os habituais mais-papistas-que-o-Papa, para acrescentar que Portugal "está no pelotão da frente" dos países comunitários a sair da crise.
O mais estranho é que muitos destes seguidores cegos também estão fartos de malhar na enésima entrevista que Medina Carreira deu ontem a Gomes Ferreira na SIC-Notícias. Não percebo o espanto que isso possa ter causado: ele sempre foi um pessimista convicto, sempre disparou em tudo o que lhe parece mal (e não é preciso procurar muito), sempre apontou situações de agravamento que já antes previra (e não é preciso levantar pedras para encontrá-las) e sempre usou o mesmo tipo de ditos a que ontem recorreu. Onde é que está então o espanto?
A única coisa que Medina Carreira ontem realmente fez notar é da mais mediana sensatez. O nosso primeiro problema é a economia e Portugal precisa urgentemente de produzir mais e de exportar muito mais. Portugal não consegue produzir e exportar mais e é óbvio que não está no nosso horizonte razoável que venha a fazê-lo. Torna-se necessário, portanto, atrair investimento que aumente a produção interna e amplie as nossas exportações (o mesmo é dizer que precisamos de mais Autoeuropas e coisas assim).
Medina Carreira disse como se faz: saber rapidamente por que é que os investidores externos nos trocam por parceiros do Leste; saber se é por causa dos salários, das leis laborais, da burocracia, dos impostos, dos tribunais ou do que quer que seja; saber se estamos dispostos a oferecer o mesmo que a concorrência e actuar em conformidade.
Lembro que estamos a falar em parceiros da UE, ou seja, em países com princípios semelhantes e directivas iguais aos nossos. Se, mesmo assim, as palavras de Medina Carreira foram chocantes, vou ali e venho já. Mas, se querem saber, até gostava de ir e não voltar. Porque, sempre que ouço dizer que Portugal está num "pelotão da frente" qualquer, arrepio-me todo com as novas desgraças que se desenham. Como se sabe, o País só costuma estar no "pelotão da frente" quando o batalhão a que pertencemos faz meia-volta-volver.

Um velho DC-3 da TAP – Transportes Aéreos Portugueses
CS-TDA, a restored C47, ex CS-DGA (19503),
belonging to TAP Air Portugal.
This aircraft was restored to celebrate




Sacos de viagem da BOAC – British Overseas Airways Corporation e da BEA – British European Airways (dissolvidas nos anos 70 para nascer a British Airways)


Antigos sacos de viagem da TAP


Antigos sacos de viagem da British Airways
(Quem não se lembra deles, quando Londres era o destino
irresistível dos anos 70?)
No longo artigo de José Sócrates publicado hoje no JN lê-se que a «atitude na governação», o «investimento público» e as «políticas sociais» constituem o que melhor distingue o PS da direita. Nas notícias de hoje, quem quiser pode encontrar alguns exemplos.
1. «Até fim de Julho ardeu três vezes mais floresta que em igual período de 2008», apesar dos óbvios favores do clima este ano e do recente anúncio do governo sobre os grandes avanços logrados nesta matéria. Um excelente exemplo da atitude na governação do PS.
2. «Auto-estradas 57 por cento mais caras do que as propostas iniciais», no conjunto das seis concessões mais recentes já adjudicadas (repare-se que são obras que ainda nem sequer começaram) e apesar de os cadernos de encargos impedirem alterações que impliquem desvantagem das condições contratadas. Um inegável exemplo do investimento público do PS.
3. «Portugal é um país sem estatísticas oficiais de impostos», a DGCI só tem dados desagregados até 2006, o INE largou a produção destas estatísticas em 2003 com dados de 2000 (e só voltará a elas «logo que possível», sem que se perceba por que razão é impossível fazê-lo), pelo que ninguém sabe quantos ricos temos, como está a nossa classe média e a verdadeira situação da pobreza, o que implica uma redistribuição feita a olho. Um belo exemplo das políticas sociais do PS.
O texto de Sócrates no JN de hoje, afinal, é um não-artigo. Recheado de coisas não-novas.
Pacheco Pereira está muito abespinhado com a ERC por esta ter querido afastar António Costa do programa do costume? Não. Será que ele está preocupado com a possibilidade de ser também preciso afastar António Lobo Xavier do mesmo sítio? Não. Ele está furioso é com a ideia de ter de fechar o seu programa por sua causa. Como é que o País, em momento assim decisivo, poderá viver sem a sua douta opinião em tantos e tão prolixos espaços? Este é que é o verdadeiro drama de Pacheco Pereira. E de Portugal, se querem saber. Só não entendo por que raio os boletins de voto não incluem o nome dele com uma quadratura à frente.
Sobre Raul Solnado, há quem diga isto: «Vivia fascinado pelas formas de cultura ditas superiores, era também um tipo interessado em tudo o que se passava. Esse substrato cultural começa a sentir-se no seu discurso. Coisa que eu depois também fiz à minha maneira». A apreciação é do Herman José e o sublinhado é meu. Ele esqueceu-se de dizer que Solnado nunca precisou de recorrer ao mau gosto, mas não se esqueceu de dizer de si próprio que também fez não-sei-quê que lhe parece bem.
Há gente para quem a planta dos pés foi feita para estar no ar: só se apoiam nos bicos. Herman faz parte dessa gente. É um mistério haver quem ainda os convide a falar.