Palavras perdidas


jmmcc,

Vivemos num país de palavras perdidas, em que muita gente gasta muito tempo a falar muitas palavras para dizer coisa nenhuma. A política encarrega-se de provar todos os dias aquilo a que me refiro. Com o intuito primário de escamotear a realidade, com o medo básico de perder a face, assistimos permanentemente a declarações pomposas e a afirmações veementes destituídas de quaisquer implicações e, como tal, sem qualquer significado real.

Um dos casos mais caricatos a que tantos têm recorrido (e não só os socialistas, como hoje tem estado a acontecer) está condensado nesta frase simples: «Vamos respeitar a decisão do Tribunal Constitucional.» É mais ou menos como o criminoso grave apanhado em flagrante e mandado para prisão preventiva dizer assim: «Vou respeitar a decisão do juiz.» Ou como alguém que está a almoçar numa esplanada ao sol dizer assim: «Vou aceitar que ainda não é noite.»

9 comentários em “Palavras perdidas”

  1. É mais ou menos como o criminoso grave apanhado em flagrante e mandado para prisão preventiva dizer assim: «Vou respeitar a decisão do juiz. – João Carvalho

    Precisamente. É isso mesmo.

  2. A frase que refere também me chamou a atenção – a afirmação solene de que vão respeitar a decisão do TC sugere que o contrário seria possível, ou seja, que seria legalmente possível ignorar o juízo de inconstitucionalidade do mesmo TC.
    Tal não é possível, como se sabe.
    Fica a ideia de que há gente no PS que não sabe isso.
    Isto lembra-me uma intervenção extraordinária do ministro da agricultura (Jaime Silva ? Não tenho a certeza) que um dia na TV declarou que as decisões do governo prevaleciam sempre sobre as decisões dos tribunais, porque… o governo resulta de uma votação democrática e os tribunais não (sic); e disse-o de uma forma convicta, via-se que a pobre criatura acreditava piamente na barbaridade que estava a dizer.

    1. Realmente, de um bárbaro só podemos esperar barbaridades. Essa não cheguei a ouvir, mas ouvi-lhe uma vez outra mais simples e do mesmo quilate: «supônhamos». Ou seria «fáçamos»?

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