Propaganda em três tempos


jmmcc,

1. As novas instalações judiciais de Lisboa constituem agora palco de propaganda do governo. Nas Varas Criminais, os monitores de última geração promovem as acções do ministro da Justiça, através de uma filmagem em que o protagonista que conduz o espectador é o próprio ministro da Justiça. Alberto Costa contraria a indignação que a insólita iniciativa está a provocar, declarando que se trata apenas de informar de modo objectivo. Informar sobre as vantagens de se ter um ministro como ele, supõe-se.

 

2. A ideia é curiosa. Informar objectivamente sobre o que de bom um ministro faz é um dever, para que se perceba a razão pela qual os portugueses não cabem em si de contentes. Como é suposto todos os ministros acharem bem feito aquilo que fazem, não se vislumbra qualquer motivo para que os restantes ministros não se promovam de modo semelhante. Rodados os filmes e adquirido o equipamento, a única dificuldade parece ser encontrar lugares suficientes para transmitir todos os filmes do governo.

 

3. O caso mais complicado há-de ser a rodagem do filme sobre a actividade do ministro do Ambiente. A menos que seja aceitável uma curta-metragem sobre a sua inactividade. Com vista sobre a costa portuguesa, prolongada com vista sobre a costa espanhola, mais a costa francesa, a costa italiana e a costa grega. E intervalo para café. E uma alegoria inspirada no padre António Vieira, mas com um sermão às árvores. (Peço desculpa por não mencionar o nome dele, mas ninguém soube dizer-mo.  Só me dizem que existe.)

13 comentários em “Propaganda em três tempos”

  1. O Ministro do Ambiente chama-se Francisco Nunes Correia.

    … mas confesso: fui procurar à página do ministério. Também não sabia. Tem sido discreto, o senhor.

      1. Mas fazem um alarido na televisão… Pensei que fosse extraordinário!
        Acha que os cachalotes esperam até ao fim do Verão? eheheh

        :)))

  2. A melhor maneira de ilustrar o mandato do ministro do Ambiente, partindo do princípio de que existe mesmo, é um longo plano fixo, à Manoel de Oliveira, das areias do deserto.

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