


NUMA SALA MESMO PERTO DE MIM
Quando estou a viver fora dos grandes meios urbanos, o que actualmente mais encontro são vantagens. Com algumas (poucas) desvantagens à mistura: não encontro muitos cinemas e não encontro muitos filmes à escolha. Resta o recurso à tecnologia caseira, que ganha nova dimensão quando as condições do mercado são limitadas. Foi esse recurso que me permitiu trazer e ver, numa sala sem pipocas e sem refrigerantes, o Gran Torino. Passou em minha casa ontem à noite.
Eastwood co-autor, Eastwood co-produtor, Eastwood realizador e Eastwood actor. Um estupendo filme do ano passado que conta com Scott Eastwood, o mais novo da família, e com Kyle Eastwood, o mais velho da descendência e co-autor do tema musical.
Não é apenas um dos filmes mais completos que Eastwood assina: Gran Torino é um retrato de vida que podia ser a vida dele mesmo. O clássico e cobiçado Ford Gran Torino de 1972 está lá, claro, clássico e cobiçado bem ao gosto norte-americano; mas não é pelo roncar dos mais-que-muitos cavalos do motor Cobra, pois não passa de mero adorno a servir de pretexto.
Clint Eastwood é como o Vinho do Porto: quanto mais história tem para contar e mostrar, melhor conta e mostra. E consegue provar que se mantém na escala ascendente que poucos como ele sabem percorrer, fruto da segurança e inteligência de quem é génio naquilo que faz e gosta de fazer.
Gran Torino não tem discussão: um argumento de enorme qualidade para uma interpretação magistral. E Eastwood não procura disfarçar a idade – antes a aproveita e a apresenta como factor de peso.