A “parte gaga”


jmmcc,

«Fazem o possível para transformar a liberdade dos blogues numa liberdade respeitosa» – disse Sócrates quando ontem foi «ver se era (era ou é?) verdade que diziam (diziam ou dizem?) muito mal dele na blogosfera». Claro que toda a liberdade é respeitosa. Por muito que isso seja às vezes difícil. Mas não era preciso incomodar-se com essa "parte gaga", porque os seus assessores estão perfeitamente informados sobre o que se diz dele na blogosfera. Era só perguntar-lhes, que é para isso que todos pagamos. Ou, em alternativa, levar um bocado do "choque tecnológico" para casa e ir acompanhando a coisa pessoalmente.

Promessas e reedições


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Numa espécie de reedição pouco imaginativa do que fez antes, Sócrates prometeu resolver na próxima legislatura a situação dos 25 mil jovens desempregados que não têm direito ao  subsídio. Ora, se as promessas de Sócrates são o que se sabe, as promessas de emprego, essas, já começam a parecer uma fixação.

Quem está pouco contente com as ofertas de emprego de José Sócrates é Francisco Louçã, que o acusou de tráfico de influências por ter oferecido a Joana Amaral Dias um elevado cargo institucional se esta apoiasse as listas socialistas. Só que esta oferta de emprego especial tem mais que se lhe diga: a própria convidada já teve anteriores dificuldades para resistir às tentações recebidas de fora e nunca se sabe se não estaria disposta a reeditar o seu afastamento do BE. Talvez Louçã estivesse mais a avisá-la do que a falar para Sócrates.

A confusão e o tamanho da coisa


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Li no Público Última Hora que o «PS pisca o olho à esquerda e faz brilhar Inês de Medeiros e Vale de Almeida», teoria que a notícia explica em duas frases.

1. «Políticas sociais, mais atenção à Cultura e casamentos gay: as ideias com que os socialistas vão a votos têm protagonistas a condizer.»

2. «As escolhas dos independentes Inês de Medeiros e Miguel Vale de Almeida para lugares elegíveis nas listas do PS às legislativas parecem vir (vir?) ao encontro de ideias fortes de José Sócrates para a campanha eleitoral: a aposta na Cultura, os casamentos gay e as preocupações sociais.»

O primeiro ponto deixou-me curioso sobre os «protagonistas a condizer» com políticas sociais, Cultura e casamentos gay. Já o segundo baralhou-me: se Inês de Medeiros representa a Cultura e Miguel Vale de Almeida representa os casamentos gay, as questões sociais não têm rosto e não são para aqui chamadas, ou é o Miguel que acumula?

Já li que Vale de Almeida acha isto «um desafio de todo o tamanho» e aproveito para lhe lembrar um velho ditame que se mantém em pé: tamanho não é qualidade.

Desminto categoricamente…


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… por minha conta e risco, a notícia de hoje que diz que «15 novos casos aumentaram para 189 o número de pessoas infectadas no País» com a gripe A. Pelo contrário, garanto-vos que muitos velhos casos diminuíram para muito menos de metade o número de pessoas infectadas no País com a gripe A.

Chamar os bois pelos nomes


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Sobre o terminal de contentores e a actuação do governo na concessão reconcedida e desfazada no tempo, Mário Lino não se limita a rejeitar as conclusões fundamentadas do Tribunal de Contas. O ainda ministro das Obras Públicas afirma que este não encontrou nenhuma ilegalidade, nem recomendou a anulação do contrato». Mais: acha até que é um procedimento normal o Tribunal de Contas enviar o seu relatório sobre o caso ao Ministério Público.

Errado. Começo a entender que já tudo possa ser considerado normal, mas faço questão de lembrar que o normal e desejável é o Tribunal de Contas encontrar tudo limpinho, tudo claro e em ordem, e não enviar coisa alguma para investigação criminal. Eu entendo a actual anormalidade normal das coisas, mas prefiro continuar a chamar os bois pelos nomes, se me dão licença.

Faça-se a justiça de reconhecer que o Tribunal de Contas tem cumprido bem o seu importante papel. Não encontrou qualquer ilegalidade, nem recomendou a anulação do contrato? Então fez o quê? Fez o elogio do negócio?

O que os políticos mandatados hoje em dia passaram a achar normal, mais não é do que uma perversa inversão dos valores que temos obrigação de preservar. Já que eles não cuidam disso, como lhes competia.

Chamem a polícia


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O insólito contrato recontratado de concessão do terminal de Alcântara cheirava a esturro desde o primeiro momento em que pôs a cabeça de fora. Longe ainda de se conhecer muita coisa sobre ele. Tão longe que o governo até omitiu documentação que ainda favorece mais os já favorecidos. Ora, só esconde quem tem a consciência pesada. Ou falta dela.

Querem o contribuinte a pagar, se aquele obscuro e suspeito contrato não for muito favorável aos favorecidos? Que pague o Mota, o Engil, o Coelho, o Jamé, sei lá. Alguém que pague. Pela minha parte, ficam a saber: chamem a polícia, que eu não pago. Se o País continua a trilhar este caminho da sem-vergonhice pegada, não quero pagar mais nada.

Não sou pai de pançudos. Recuso-me a pagar escandalosas negociatas milionárias contra os interesses do Estado sem nunca ver responsáveis obrigados a pagar por mim, a pagar ao Estado, a pagar-me, a pagar-nos. Vão chamar pai a outro. E chamem a polícia, já disse.

Intolerável


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A câmara socialista de Loures acaba de receber uma preciosa ajuda: a diligente secretária de Estado dos Transportes anunciou que o governo (actual) quer fazer chegar rede do metro a Loures. O calendário, Ana Paula Vitorino sabe-o na ponta da língua, apesar de nem sequer estar nos planos de alargamento da rede que são do conhecimento público. Em poucas palavras, pode dizer-se que a obra será lançada lá para 2012 e pode ser que esteja concluída em 2015, se não chover.

Bernardino Soares, que quer conquistar a câmara de Loures, veio denunciar a interferência. E a verdade tem de ser dita: Bernardino Soares está cheio de razão. Estas tropelias do governo são intoleráveis.

Sócrates prometeu…


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… que o custo dos carros eléctricos, a partir do próximo ano, não será superior ao preço dos outros carros. Só dois pontos ficaram por esclarecer:

– o tipo de carro que irá servir de base para o custo dos eléctricos;

– se também serão abrangidos os carros eléctricos de dois andares.

Mas não é importante: trata-se apenas de uma promessa de Sócrates.

Soma e… atchim!… segue


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Afinal, quando é que começamos a ser informados diariamente do número de casos de gripe A já curados? A tentativa para afastar o alarme social não justificaria isso? Já sabemos que houve mais dez casos registados, mas será que houve cinco, dez ou doze casos dissipados? Quantos doentes existem, quantos estão hospitalizados e quantos estão a tratar-se em casa?

Somar, toda a gente sabe. Por que motivo só se divulga o somatório e as curas registadas são deixadas em segredo? Será que, em vez de consultarmos os serviços de Saúde, teremos de marcar consultas através da direcção-geral dos astrólogos, videntes, feiticeiros, cartomantes, bruxos e afins?

Eastwood e um potente Ford de 1972


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1972 Ford Gran Torino Sport SportsRoof

NUMA SALA MESMO PERTO DE MIM

 

Quando estou a viver fora dos grandes meios urbanos, o que actualmente mais encontro são vantagens. Com algumas (poucas) desvantagens à mistura: não encontro muitos cinemas e não encontro muitos filmes à escolha. Resta o recurso à tecnologia caseira, que ganha nova dimensão quando as condições do mercado são limitadas. Foi esse recurso que me permitiu trazer e ver, numa sala sem pipocas e sem refrigerantes, o Gran Torino. Passou em minha casa ontem à noite.

Eastwood co-autor, Eastwood co-produtor, Eastwood realizador e Eastwood actor. Um estupendo filme do ano passado que conta com Scott Eastwood, o mais novo da família, e com Kyle Eastwood, o mais velho da descendência e co-autor do tema musical.

Não é apenas um dos filmes mais completos que Eastwood assina: Gran Torino é um retrato de vida que podia ser a vida dele mesmo. O clássico e cobiçado Ford Gran Torino de 1972 está lá, claro, clássico e cobiçado bem ao gosto norte-americano; mas não é pelo roncar dos mais-que-muitos cavalos do motor Cobra, pois não passa de mero adorno a servir de pretexto.

Clint Eastwood é como o Vinho do Porto: quanto mais história tem para contar e mostrar, melhor conta e mostra. E consegue provar que se mantém na escala ascendente que poucos como ele sabem percorrer, fruto da segurança e inteligência de quem é génio naquilo que faz e gosta de fazer.

Gran Torino não tem discussão: um argumento de enorme qualidade para uma interpretação magistral. E Eastwood não procura disfarçar a idade – antes a aproveita e a apresenta como factor de peso.