Quase não mudou. A maior diferença é que nessa altura o Rossio era habitado, vivia lá gente. Agora não mora lá ninguém. É uma praça fantasma de uma cidade em grande parte também fantasma.
Lisboa com suas casas De várias cores, Lisboa com suas casas De várias cores, Lisboa com suas casas De várias cores… À força de diferente, isto é monótono. Como à força de sentir, fico só a pensar.
Se, de noite, deitado mas desperto, Na lucidez inútil de não poder dormir, Quero imaginar qualquer coisa E surge sempre outra (porque há sono, E, porque há sono, um bocado de sonho), Quero alongar a vista com que imagino Por grandes palmares fantásticos, Mas não vejo mais, Contra uma espécie de lado de dentro de pálpebras, Que Lisboa com suas casas De várias cores.
Sorrio, porque, aqui, deitado, é outra coisa. A força de monótono, é diferente. E, à força de ser eu, durmo e esqueço que existo.
Fica só, sem mim, que esqueci porque durmo, Lisboa com suas casas De várias cores.
Sinto uma certa nostalgia pois não conheci Lisboa nesse tempo.
Quase não mudou. A maior diferença é que nessa altura o Rossio era habitado, vivia lá gente. Agora não mora lá ninguém. É uma praça fantasma de uma cidade em grande parte também fantasma.
Talvez não tenha mudado na aparência, mudou na essência…que é talvez o mais importante.
Sem dúvida.
Lisboa
Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores…
À força de diferente, isto é monótono.
Como à força de sentir, fico só a pensar.
Se, de noite, deitado mas desperto,
Na lucidez inútil de não poder dormir,
Quero imaginar qualquer coisa
E surge sempre outra (porque há sono,
E, porque há sono, um bocado de sonho),
Quero alongar a vista com que imagino
Por grandes palmares fantásticos,
Mas não vejo mais,
Contra uma espécie de lado de dentro de pálpebras,
Que Lisboa com suas casas
De várias cores.
Sorrio, porque, aqui, deitado, é outra coisa.
A força de monótono, é diferente.
E, à força de ser eu, durmo e esqueço que existo.
Fica só, sem mim, que esqueci porque durmo,
Lisboa com suas casas
De várias cores.
Álvaro de Campos, in “Poemas”
Uma lembrança de… Mestre.
Bravo, Ana! Esta foi “de Mestre”, como diz o João.
São todos os que aqui escrevem que me inspiram…Realmente estou muito contente por vos ter encontrado a todos.
É um gosto termos passado a contar consigo, Ana Mestre.
Muito bem lembrado 🙂
Este postal deu-me uma ideia para a série “passado presente”. Já cá volto.
Estou curioso.