Autarquias: as locais são melhores


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Num acto talvez de solidariedade pelo horário duro da lavoura, que nem se permite descansar ao domingo, fico a saber pela televisão que Paulo Portas foi o primeiro líder partidário a votar. Mas madrugar é para quem está habituado, quando não tem alguns custos ao nível das ideias. Certamente por isso, ouço-o falar aos repórteres sobre a importância das «autarquias locais» blá-blá-blá-blá, vistas as vantagens das «autarquias locais» blá-blá-blá-blá.

Eu também gosto muito das autarquias locais. Já não posso dizer o mesmo das autarquias nacionais. E nem me falem das autarquias multinacionais.

Santana e Carmona unha-e-carne


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Confirma-se, porque ambos o disseram: Carmona Rodrigues telefonou a Santana Lopes para lhe desejar felicidades.

Santana disse que Carmona lhe ligou cinco minutos antes a dizer: «Podes transmitir o meu abraço de apoio.»

Carmona disse: «Acho que não disse isso», «não corresponde à verdade». E também disse que acredita que as suas palavras possam ter sido interpretadas de forma errada por «pessoas à volta de Santana Lopes que as tentaram valorizar» e que só foi «o voto de um amigo para um amigo».

São estas provas de amizade profunda que me deixam emocionado. Fui sempre sensível ao diz-que-disse dos amigos…

Autarcas por conta própria


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Nos tempos difíceis que vivemos, Fátima Felgueiras, Ferreira Torres, Isaltino Morais e Valentim Loureiro são alguns dos melhores exemplos de iniciativa privada que merecem especial destaque. Todos eles começaram a trabalhar por conta de outrem, empregados neste ou naquele partido, e representam hoje casos de sucesso crescente. Qual é o segredo? Muito simples: estabeleceram-se e passaram a trabalhar por conta própria. E o certo é que, mesmo em plena crise, nenhum deles se queixa do negócio.

O homem que espirrou


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O Ministério da Saúde tem andado a promover cuidados para prevenir o surto de gripe A, designadamente, através de sketches televisivos. Um deles é curioso. Vê-se um balcão de atendimento com uma pessoa a ser recebida, atrás da qual se alonga uma fila de espera. A terceira pessoa que aguarda vez na fila é um homem e acontecem então três coisas simultaneamente: o homem levanta um braço e protege a boca com a mão para espirrar, a pessoa atendida deixa o balcão e chega a vez da pessoa seguinte, aquela que está à frente do homem que espirrou.

Acontece depois o seguinte: o homem que espirrou fica em segundo lugar e é o próximo a ser atendido, mas deixa a fila e abandona o local. Vai lavar as mãos e essas coisas todas que se sabe. Que é o mais natural. Está-se mesmo a ver que o homem que espirrou e que aguarda vez há vá-lá-saber-se-quanto-tempo desiste da fila para ir lavar as mãos quando está finalmente prestes a ser atendido…

Sócrates e Kaczynski, a mesma luta


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O primeiro-ministro português e o presidente polaco são massa do mesmo pão. Na sua essência, vê-se que são homens dedicados ao trabalho e que aquilo do descanso ao sétimo dia é um luxo de gente preguiçosa. Por óbvia falta de tempo, é natural que José Sócrates se visse obrigado a estudar, fazer exames e concluir a sua licenciatura aos domingos, esforço que culminou com êxito bastante para merecer uma carta de curso com alto sentido simbólico: foi-lhe passada num domingo.

Também Lech Kaczynski é um incansável. A sua manifesta falta de tempo para dar conta das responsabilidades que tem obriga-o a marcar os despachos para os domingos, que são os únicos dias que pode gastar a assinar documentos. Por isso é que lá conseguiu arranjar um momento disponível para assinar o Tratado de Lisboa. É no próximo domingo.

Os parvos do costume


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Smart cars (AP file photo)

 

Críticos de automóveis acabam de determinar o top 10 dos piores carros da década. Em primeiro lugar entre os piores (imagine-se!) está o conhecido Smart ForTwo. A classificação, claro está, só podia ser de experts norte-americanos. Quem mais poderia apontar defeitos como "sacrificar um monte de lugares para passageiros a troco de atingir uma velocidade pouco expressiva" e "ter  tendência para capotar como um SUV"? Ainda por cima (vejam só!) "vem equipado com uma caixa de velocidades manual". E ainda avisam: "O carro parece engraçado, mas assim que começa a ser conduzido apaga-se de vez o sorriso de quem se sentiu tentado."

Digam-me lá se isto não é uma parvoíce. Eleger o coitado do Smart original como o pior carro da década, só mesmo do outro lado do Atlântico. Afinal, para os europeus, o único defeito dele é ser caro para carro de bolso.

Sabia que…


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Leafy greens and eggs (Getty Images)

 

… alguns alguns alimentos naturais, daqueles que a gente é capaz de achar que fazem parte do cabaz mais indicado, podem estar entre os menos recomendáveis e até mais perigosos para a saúde? Pois veja o que dizem aqui. Bem… E depois dê-lhes um desconto, porque eles estão sempre a inventar cada coisa, não é?

Um tema a recentrar


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A propósito deste post mais abaixo e de alguns comentários ali recebidos, entendi oportuno acrescentar um contributo. A discussão «República versus Monarquia» é velha e inconclusiva. Muitas vezes até se introduz o absolutismo monárquico e a ditadura presidencialista no caso, apesar de serem elementos estranhos ao debate. Adiante.

As Monarquias modernas são constitucionais por motivos civilizacionais e as Repúblicas são democráticas por definição original (visto que as ditaduras não se enquadram no conceito republicano puro). Em ambos os casos, os Chefes de Estado podem ser vistos de forma idêntica, já que os Presidentes, como os Reis, não têm necessariamente de exercer a acção governativa ou interferir nesta, quando ela emana de um Parlamento eleito.

Estamos, então, a falar de regimes constitucionais, democráticos, livres e abertos, em que um Presidente é eleito para um mandato temporal pelo voto universal ou um Rei não-eleito é preparado para o ser por norma dinástica e sucessória e sem prazo prévio.

Assim, lembremo-nos agora do que diziam os nossos Liberais na sequência da Revolução de 1820: num regime constitucional, «o Rei reina, mas não governa». Acrescento eu: num sistema em que o governo emana do Parlamento, o Presidente preside, mas não governa.

 

Posto isto, mantemos a discussão e deixamos de lado o problema da boa governação? Repare-se que, em ambos os casos, estão balizados os direitos, liberdades e garantias constitucionais, bem como os deveres correspondentes, mas é impossível uma Constituição, monárquica ou republicana, ser garantia de si mesma e da sua prática, não é?

Ora, o que importaria é saber como garantir melhor governação. E isso não vejo como depende do Chefe de Estado. Porque, afinal, o mais alto representante do Estado, seja ele Rei ou Presidente, é precisamente isso e não outra coisa. Que vantagens um ou outro traz para a qualidade dos governos, que é a preocupação dos povos? Nenhuma, a meu ver.

Devo dizer, porém, que não pretendo descobrir nisto qualquer conclusão. A discussão prossegue e eu mais não quis do que contribuir com esta modesta achega para recentrar o assunto. Porquê? Porque dizer que uma Monarquia é mais propícia à "meritocracia" ou que uma República é mais adequada à escolha de "competências" (como sugerem, por exemplo, o João Távora, por um lado, e o José Gomes André, por outro, sem embargo do respeito que me merecem) parece-me pouco, muito pouco. Para não dizer que me parece coisa nenhuma, pois a qualidade da governação não se resolve no regime.

 

Enfim: se a discussão continuar no tempo, é preciso não desvirtuá-la. Ela tem de ser levada por caminhos mais substantivos e não pela via sinuosa de quem faz mais e melhor pelo país.

 

Imagem – Repúblicas e Monarquias

O comentário da semana


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«Acho que percebo o espírito do post. Porém, antes de chegar ao ódio de que fala o Pedro, diria o seguinte: a disputa política tem, e bem, uma forte componente agonística. Esta condição remete para a necessidade de táctica, estratégia e outros elementos associados à necessidade de ganhar ao opositor. Assim se enquadra a forte componente lúdica da política, em que a ordem e a tensão inerentes à actividade política conduzem às suas próprias regras e remetem, a partir daqui, para um conteúdo ético incontornável.

O problema não estará pois na componente agonística da disputa política, cheia de representações, cálculo, "exibições/simulações", destrezas que facilitam levar a água ao moinho… Enquadrada num forte conteúdo ético imanente à sua natureza, é uma disputa institucionalizada e integrada na vida social. O problema está na corrupção desta componente, manifestada em violência (ataques pessoais de toda a natureza que chegam à violência física), manha (intrigas, invenção de factos, deturpação deliberada das acções do opositor, modos de fazer que não se inscrevem nas regras próprias deste "jogo"), desejo de poder a qualquer preço, mesmo que não se conquiste de acordo com as regras estabelecidas.

Se, no limite, a corrupção da componente agonística descamba para o ódio de que o Pedro fala, perde-se por completo o sentido institucional desse combate, que se torna num campo aberto de luta das paixões e dos ódios pessoais. Deixar que o ódio fale é a subversão absoluta dos ganhos desta civilização e da nossa cultura. É uma contribuição decisiva para a agonia "disto" tudo…»

 

Da nossa leitora mdsol – Maria do Sol. A propósito deste texto do Pedro Correia.

Os autarcas em fim de festa


jmmcc,

São nem-mais-nem-menos do que 188, os autarcas que se recandidatam e vão ser provavelmente reeleitos para um derradeiro mandato. Graças à legislação que tardava sobre esta matéria, 188 deles têm os dias contados nas respectivas autarquias. É bom.

Contudo, perante o fim de festa que se aproxima, vai valer tudo, tipo "o próximo que se amanhe". Saberem eles de antemão que será uma última viagem rumo à reforma é capaz de ser uma tentação acrescida para não poupar o carrinho. É mau.