
«Acho que percebo o espírito do post. Porém, antes de chegar ao ódio de que fala o Pedro, diria o seguinte: a disputa política tem, e bem, uma forte componente agonística. Esta condição remete para a necessidade de táctica, estratégia e outros elementos associados à necessidade de ganhar ao opositor. Assim se enquadra a forte componente lúdica da política, em que a ordem e a tensão inerentes à actividade política conduzem às suas próprias regras e remetem, a partir daqui, para um conteúdo ético incontornável.
O problema não estará pois na componente agonística da disputa política, cheia de representações, cálculo, "exibições/simulações", destrezas que facilitam levar a água ao moinho… Enquadrada num forte conteúdo ético imanente à sua natureza, é uma disputa institucionalizada e integrada na vida social. O problema está na corrupção desta componente, manifestada em violência (ataques pessoais de toda a natureza que chegam à violência física), manha (intrigas, invenção de factos, deturpação deliberada das acções do opositor, modos de fazer que não se inscrevem nas regras próprias deste "jogo"), desejo de poder a qualquer preço, mesmo que não se conquiste de acordo com as regras estabelecidas.
Se, no limite, a corrupção da componente agonística descamba para o ódio de que o Pedro fala, perde-se por completo o sentido institucional desse combate, que se torna num campo aberto de luta das paixões e dos ódios pessoais. Deixar que o ódio fale é a subversão absoluta dos ganhos desta civilização e da nossa cultura. É uma contribuição decisiva para a agonia "disto" tudo…»
Da nossa leitora mdsol – Maria do Sol. A propósito deste texto do Pedro Correia.

Ainda que concorde na generalidade com o teor do comentário e que o situe no plano do “dever ser”, não é menos certo que o que a História nos tem demonstrado é que a componente agonística quase sempre sucumbe face ódio.
E os exemplos multiplicam-se…
Chapeau (para a verve). Além do mais concordo com o conteúdo.
Muito obrigada. O estímulo vem todo desta equipa que admiro e de que me habituei a gostar.
É merecido. Tenho a certeza de que o Pedro há-de subscrever a escolha, quando regressar.
Agora que regressei, subscrevo. Excelente escolha.
Belíssimo este comentário da Maria do Sol, muito bem escolhido como comentário da semana. Parabéns.
O post do Pedro que o originou (só hoje o li) é arrepiantemente verdadeiro na maioria dos casos. Mas os heróis que não são movidos pelo ódio – como os que ele refere – não acabam mal. Pelo contrário, serão eternas referências de outras motivações que movem montanhas, exactamente porque são mais raras. Esses sim, ficam como exemplos para a humanidade.
Mandela é um deles e – felizmente! – ainda está vivo.
Só podia ser este o comentário da semana, na minha modestíssima opinião. Excelente e muito oportuno.