Fui contido, quando ontem escrevi aqui sobre o mau gosto de Saramago. O facto é que ele tem o desplante de expor que «a Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana», mas confunde logo a seguir a Biblia com o desempenho da Igreja ao longo dos séculos: «as guerras de religião estão na História, sabemos a tragédia que foram», e as Cruzadas foram crimes do Cristianismo que envolveram a morte de muitos milhares de pessoas, entre culpados e inocentes.
Saramago persegue a religião com tanta raiva que mistura a Bíblia com acontecimentos históricos da Igreja, dos quais só aproveita o que lhe interessa. Para ele, a Igreja é o lado negativo das Cruzadas, é a Inquisição, é o apoio às ditaduras. Para ele, a Igreja nunca arrepiou caminho, nunca reconheceu os erros gravíssimos cometidos por homens que a formam, nunca teve mártires que morreram por grandes causas da Humanidade, nunca teve gente que pagou caro por proteger os fracos dos déspotas, nunca partiu para chegar despojada a todo o mundo com a missão de ajudar, ensinar, curar, apoiar, etc., sem olhar a raças e credos.
Igreja, para Saramago, é golpe. Não o golpe que ele diz, mas um golpe publicitário. Dá-lhe jeito baralhar as coisas. Contudo, sai-se mal, porque era suposto ele mostrar-se mais esclarecido nos conhecimentos, mais claro nas ideias. E esta é a razão pela qual as suas maquinações são de tão mau gosto, além de doentias.








