Depois de alcançar (honra lhe seja feita) uma inesperada percentagem de votos e um lugar confortável no Parlamento com um número importante de deputados, Paulo Portas deve andar com insónias: por um lado, andou sempre mortinho por integrar um governo, que é para o que está sempre disposto; por outro, angariou um leque do eleitorado a que fez uma data de promessas anti-PS e que tem tendência a engrossar à custa do PPD/PSD, assim ele não desiluda quem acreditou no CDS-PP.
Convenhamos que este dilema tira o sono a qualquer um. Ou melhor: trilema. Porque uma parte dos novos votantes foi seguramente atraída pelo trabalho vigoroso de Nuno Melo, cujo regresso seria de toda a conveniência, mas também seria uma traição.
Enquanto isso, não falta no PSD quem esteja a observar o PP, como não falta no PP quem esteja a observar o PSD, para ver quem se chega à frente na resposta ao apelo do PS. Pelo-sim-pelo-não, depois de se reunir ontem com Sócrates, Portas dirigiu um insólito discurso ao País com ar de estadista que pode servir para tudo. Até para preparar uma aproximação ao governo sem deixar muito mal os seus eleitores.
Se vier a dar jeito, aquela espantosa alocução de ontem foi o primeiro sinal para uma outra sempre possível sobre o "imperativo nacional". Onde é que eu já ouvi isto?

Não ouvi a alocução de Portas. Pode lincá-la aqui?
Tente aqui:
http://www.rtp.pt/noticias/?headlin e=20&visual=9&tm=9&t=Paulo-Portas-apresentou-caderno-de-enc argos-ao-primeiro-ministro.rtp&article=287016
Obrigado.
Presumo que Portas não deixará de sucumbir ao ‘imperativo nacional’. Sócrates agradece.
Está a referir-se ao Miguel? Não acredito.
O Miguel preocupa-se mais com os ‘imperativos comunitários’.
Hehe…