Se eu fosse militante do PSD…


jmmcc,

… apoiaria imediata e incondicionalmente a candidatura de Pedro Passos Coelho a presidente do partido. Em Portugal, existe muito a ideia de que alguém com ar limpinho e bem falante q.b. tem pinta de líder. Pouco importa o que já tenha feito na vida para o demonstrar, menos ainda se as suas palavras têm substância. Tem pinta e pronto.

Pois eu não vou muito nisso. Vejo Passos Coelho cheio de pressa para avançar – menos interessado em prosseguir o caminho em frente e mais interessado em seguir o percurso para cima – mesmo quando todos sabemos que é improvável (num quadro nacional de normalidade) que o próximo líder do PSD venha a ser candidato a primeiro-ministro.

A atitude desinteligente dos apressados não me parece um cartão de visita muito recomendável. Por isso, acho bem que Passos Coelho avance depressa, que chegue ao alto quanto antes e que caia antes de perceber o que se passou e que já todos sabiam. É bom que saia da frente, porque eu até embirro com gente excessivamente composta: falta sempre um toque negligé para dar um ar mais cosmopolita a uma figura de proa. Ainda por cima, líderes bem-vestidinhos é o que mais tem havido por cá.

A propósito: também embirro com aquelas permanentes insistências do tipo «há 15 dias atrás», «há quatro anos e meio atrás», «há um ano atrás», «há dois dias atrás». Já basta Luís Filipe Menezes para passar a vida a lembrar os acontecimentos «há tempos atrás». Quando é que o PSD começa a falar a sério do que quer para a frente? Não que eu seja parte interessada, mas não gosto de ver tanta gente a andar atrás de qualquer coisa excepto do que seria inteligente andar.

36 comentários em “Se eu fosse militante do PSD…”

  1. …”menos interessado em prosseguir o caminho em frente e mais interessado em seguir o percurso para cima …” João, como eu gosto desta sua clarividência! Bem como o toque de negligé ..:))

  2. Amen. Este tipo deixa há muito tempo a sensação de que entende a corrida a líder do PSD como uma espécie de concurso Ídolos. Um outfit arrumadinho, cabelo pintado e laca, voz eufónica e expressão facial estudada ao milímetro. E na performance, o desempenho de uma ‘ música ‘ alheia…
    Nada de genuíno, portanto, só uma imitação.

    A urgência, então, é lamentável. – Talvez deva apresentar resultados aos seus mandantes?
    Nem sequer entende uma coisa básica: que está a dar um triste espectáculo aos portugueses.
    É quase obscena tanta ânsia de mandar. O que daria bom aspecto, isso sim, eram menos apelos ao rolar de cabeças e mais sinais de reflexão e responsabilidade.
    Manifestamente, o passo é muito maior do que a perna.

    Mas tem razão: pode ser a oportunidade da lei de Darwin: façam-se umas selecções naturais na tola corrida para o abismo e livramos-nos num ápice dos fracos e menos aptos.
    Por favor não lhe apliquem rasteiras, a coisa tem de correr bem.

    1. Muito bem Chloé, e então o fecho, está lapidar:
      “Por favor não lhe apliquem rasteiras, a coisa tem de correr bem”. O que, convenhamos, não será tarefa nada fácil de conseguir se avaliarmos com atenção o lugar da contenda. Rasteirantes, rasteirados e até alguns rastejantes, são coisas que não faltam por aquelas bandas.

  3. Pos é, mas se eles não andassem atrás de qualquer coisa o país seria mais triste. Desde a saída do Cavaco, que quase todos nos rimos com esta farsa.

  4. É isso mesmo, João: Passos Coelho tem uma voracidade que me incomoda. Não confio muito em quem não tem sequer a capacidade de disfarçar a sede com que vai ao pote.

    1. Este comentário está um primor, em elegância e termos aplicados. Muito, em tão poucas palavras.
      Adorei …

    1. À farpela com certeza. Ou ainda haverá mais low cost em matéria de ideias, abaixo do nosso novíssimo e manso gato de estimação, José Sócrates? 🙂
      A miadela é tanta que só me apetece atirar-lhe whiskas para ver se se cala.

  5. Hum…

    Se há coisa que, neste momento, o PSD necessita, essa coisa chama-se paz. Mr. Pedro Passos Coelho foi mestre na arte de intrigar, mandar indirectas, atacar sem atacar (Ferreira Leite, pois claro)… em suma, contribuiu para tudo, menos para a paz no PSD.

    Se o ilustre Passos Coelho ascender à liderança do PSD, de imediato terá a oposição cerrada de muitos barões laranja, a começar pelos senhores ligados às hostes cavaquistas e ferreiraleitistas, que passarão a fazer a vida negra a Passos Coelho… tal como ele, até aqui, lhes tem feito a vida negra.

    Este estado de guerra no PSD pode ser bom para os jornais e televisões (mais notícias e mais blá-blá-blá) e até para quem olha para a política como espectador e s diverte com as guerras e intrigas entre passoscoelhistas, cavaquistas, ferreiraleitistas, jardinistas, marquesmendistas, barrosistas, santanistas, menezistas, marcelistas e istas afins.

    Mas, por outro lado, uma democracia saudável deve ter uma boa oposição, forte e responsável, com ideias e valores. Em permanente estado de guerra e sempre a escolher líderes de quinta categoria, o PSD nunca conseguirá ser essa oposição e vai transformando o PS numa espécie de União Nacional, versão democrática – ou, se quiserem, numa triste reedição daquilo em que se transformou o Partido Republicano Português depois do 5 de Outubro.

    Não, perfiro que, desde já, o PSD comece a trabalhar para ter um bom líder, uma figura forte, capaz de suceder a José Sócrates quando a alternância democrática assim o exigir. Passos Coelho? Hum… não, obrigado. Que se fique pela Assembleia Municipal de Vila Real e que se furte a abrir a boca para dizer generalidades e para atacar meio-mundo sem apresentar soluções ou alternativas para o que quer que seja.

  6. Estou contigo! Apoio desde a primeira hora, exactamente pelos mesmos motivos. E quanto mais depressa, melhor.
    Ainda lhe é difícil perceber que só dá espectáculo, que mostra o seu partido cada vez mais partido, que ele é a cisão principal que nem se consegue conter, tal é a pressa?
    Triste? Não, um tiro no pé.
    Mas apoio-o incondicionalmente, porque dentro em pouco ninguém se lembrará dele.
    E venha de lá o senhor que se segue … provavelmente mais comedido e menos maratonista.

    Quando ao ar bem vestidinho, não foi ele que ganhou o prémio mister sexy platina, mas porta-se como tal. Falta-lhe o toque negligé? Hum, se ele sabe ….

    E, a propósito, acho que emparceira bem com Luis Filipe Menezes, o artista que há anos atrás também apressadamente interrompia os congressos do partido, sedento de notariedade, da forma mais inoportuna possível, e acabava por sair de lá com a cara no chão ou lavado em lágrimas.
    Muito difícil perceber que palavras calmas e suaves são sempre o melhor ataque e a arma mais mortífera.
    Eles não sabem o que fazem …

  7. Não entendi se o autor do post é a favor ou contra PPC? Poderá até estar a disfarçar qualquer das hipóteses.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *