Ela com dois eles, ele com dois pês


jmmcc,

Diz chamar-se Isabel Meirelles com dois eles, é social-democrata, fartou-se de participar em programas televisivos sobre os Estados-membros da UE, concorreu contra Isaltino Morais à câmara de Oeiras, podia exercer como vereadora e está com o mandato suspenso por qualquer razão que não vem ao caso. Até aqui, tudo bem. O problema é quando começa a falar no seu peculiar dialêcto, sempre cuidadosamente afectado.

Dei com ela há pouco na televisão, a dizer de sua justiça sobre a permanência de Isaltino na câmara depois de condenado em recurso com dois anos de prisão efectiva. Concordo com tudo o que ela disse, excepto o seguinte: «O dr. Isaltino Morais devia sair pelo seu prôprio pê.» Ora, se ela tem dois êles, também ele tem dois pês. Por isso, se é para ele sair, que saia com os dois, não é verdade?

Sabia que… (36)


jmmcc,

… o Governo britânico acaba de apresentar aquilo a que o ministro da Defesa do Reino Unido chama o avião de combate do futuro? Se ainda não sabia, fica agora a saber: é o Taranis, um caça não-pilotado que incorpora altíssima tecnologia e capaz de grande autonomia, revelado ontem em Warton (Lancashire).

Porém, o ministro da Defesa britânico não devia chamar-lhe o avião do futuro. Se o apresentou, então já é um avião do presente. Se fosse do futuro, era impossível ser apresentado e, se foi apresentado, então já é do passado.

A menos que o Governo de Londres comece a ficar parecido com o de Lisboa. Nesse caso, ontem era o avião do futuro, hoje é o avião do passado, amanhã é o avião do presente, depois de amanhã é uma bicicleta sem pedais e no fim-de-semana é uma bola de golfe atractiva para conferir a mudança de paradigma basicamente em cima da mesa das não-verdades do rating na desculpabilização da empregabilidade.

Piroseira


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Eu também não sou nenhum criminoso e também clamo a minha inocência. Com a vantagem de não ter metido ao bolso dinheiro dos contribuintes e de entender que isaltinar é uma coisa pirosa. Por isto — pelo menos por isto — tem de haver uma diferença entre duas pessoas. E parece que há.

Estou mal habituado


jmmcc,

Se me disserem que eles são manetas, juro que peço perdão e respeitarei este texto escrito com os pés. Felizmente, o que lhe falta para ser escorreito é compensado pelo tamanho. Curto e estapafúrdio, portanto.

Aquela rapaziada é teimosa como um burro e tem manifesta dificuldade para entender uma coisa muito simples: que o DELITO DE OPINIÃO só é partidário da inteligência e que há-de continuar a mover-se livremente.

Inconsoláveis nessa sua limitação para descobrir sozinhos o que é evidente e chorosos por não poder trepar paredes nem coçar a urticária sem autorização superior, sujeitam-se à chacota permanente. Mais lhes valia gastar o tempo a comer pizzas com extra-queijo.

Oxalá lhes paguem bem, mas precisam de se esforçar mais para o merecer ou sujeitam-se a cair antes de chegar ao fim do arame. A sombra do desemprego que se aproxima é dramática, eu sei, só que escusam de mostrar serviço à minha custa, pois não tenho pachorra para alimentar ‘abrantinices’.

Por mim — que sou pessoa recolhida, que nunca passei perto da soleira da porta do partido que os enerva, que só conheço as lideranças partidárias e respectivas entourages pela comunicação social e, sobretudo, que tenho a sorte que eles desconhecem que é a de pensar e concluir pela minha cabeça — podem ficar calmos que não irei dar-lhes corda.

Não que lhes ache alguma gracinha, que não acho, mas porque estou muito mal habituado: só alimento o confronto com iguais ou melhores.

 

ADENDA — Ora ainda bem que me fiz entender.

Sócrates e os gregos


jmmcc,

Em jeito de comentário ao que o Paulo Gorjão muito bem escreveu aqui em baixo, sem dúvida que é espantoso o Governo não ter reagido à possibilidade posta a circular de que a Grécia correria o risco de ser forçada a sair da zona euro. Mas mais espantoso se torna depois de termos visto o gabinete do primeiro-ministro reagir ontem prontamente para desmentir que tivesse convidado alguma vez Paulo Portas para o Executivo.

Se um jantar em Fevereiro tem mais importância do que o processo europeu, é mau. Se Sócrates parece não querer saber (erro gravíssimo) dos gregos e do que aquele cenário seria para Portugal, é péssimo. Se o primeiro-ministro se porta como se gregos fôssemos nós, é um desplante.

Sabia que… (34)


jmmcc,

… ocorre hoje, domingo, um eclipse solar? Ocorre, sim, mas só será visto por pouca gente numa faixa estreita do hemisfério Sul do nosso planeta, ao contrário do que tem sido comum a eclipses mais recentes. O deste ano começará a tornar-se visível a nordeste da Nova Zelândia e a sombra da Lua irá cruzar o Pacífico Sul, escurecendo os céus por cima das Ilhas de Cook, Ilha da Páscoa e zonas sul do Chile e da Argentina. O eclipse total terá lugar em mar aberto, durante cinco minutos e vinte segundos.

No ano passado, o eclipse do Sol (o mais longo do século XXI) podia ser observado em quase toda a Ásia, não fosse ter ficado escondido por densas nuvens e mau tempo em muitas regiões. O próximo eclipse solar, em Novembro de 2012, poderá ver-se apenas do território norte da Austrália.

Enfim, o fenómeno de amanhã não vai obscurecer o nosso país mais do que já está. É um alívio, porque até podia o Executivo lembrar-se de aproveitar a escuridão para tentar surripiar-nos mais qualquer coisita dos nossos pobres bolsos.

Sabia que… (finalíssima)


jmmcc,

… não acredito em polvos? Pois bem: não acredito. Nem em oráculos. Portanto, acredito ainda menos em Paul, o oráculo. Para mim, os oráculos são como as bruxas: não existem, pero que los hay, los hay.

Agora que já sabe, posso confessar o que mais me transtorna nesse polvo de aquário feito vedeta tentacular. Com o Paul, caro leitor, acontece-me o mesmo que me acontece com o primeiro-ministro: não acredito nele, pero que lo hay, lo hay.

Sabia que… (33)


jmmcc,

… a crise tem colocado à venda no mercado imobiliário internacional mansões enormes por preços astronómicos e que algumas ainda vão mudando de mãos? É verdade. Apesar dos preços, há sempre uns milionários que entendem estar a pagar muito abaixo do que custavam há tempos, o que é bastante provável. É certo que algumas dessas propriedades imensas ficam a arrastar-se, à espera de quem se chegue à frente, mas há sempre uns ricos que não pagam a crise e que compram habitações permanentes ou de férias já prontas, para não ter de se preocupar com a concepção e construção de casas distintas para deslumbrar os convidados.

O problema da maioria dessas propriedades milionárias à venda é que ficam no meio do nada. Imagine só o que é chegar a casa com a limousine ou o helicóptero carregado de compras e reparar que se esqueceu de levar um frango, ou que já está em casa de chinelos e roupão de seda a ver o Quem Quer Ser Milionário? e descobre que está sem cigarros. O melhor é não se tentar, que a vida de milionário é uma maçada.

Nos cem dias de Passos Coelho


jmmcc,

Na sequência do post mais abaixo do Pedro Correia, acho oportuno entrar num detalhe sobre a liderança de Pedro Passos Coelho. Pouco ou nada se sabe das negociações — ou conversações — que têm decorrido entre o PSD e o PS com vista a encontrar consensos que permitam ultrapassar dificuldades nacionais de primeira ordem e que requerem medidas duras. Mas algo terá de transparecer. Vejamos.

Não parece ser muito importante conhecer o teor desses encontros, quando se percebem os resultados. No entanto, já parece natural esperar-se que os dois partidos, naquilo que os diferencia e opõe, cedam nuns pontos para acordar noutros. Ora, é aqui que muita gente gostaria de ver o PSD marcar terreno: as medidas de austeridade começaram a apertar os bolsos dos portugueses e viver vai ser bem mais problemático do que já é, mas ainda não se viu cortar despesas (escandalosas e brutais, por vezes) pela extinção de instituições que mais não são do que parasitas dos orçamentos.

Seria muito conveniente que Passos Coelho levasse para a mesa das negociações entre os dois principais partidos — as quais terão de prosseguir enquanto o PS estiver no poder — a necessidade imperiosa e urgente de encerrar institutos, fundações, empresas municipais e tantos outros organismos que só abrigam da chuva e arredondam a reforma de quem está dentro deles. Se é para isto, é preferível pagar-lhes para ficarem em casa e dispensar as entidades, que sempre se poupam despesas de funcionamento e encargos assim.

Se o líder do PSD não usar isto como moeda de troca, podemos esperar sentados que o Executivo de Sócrates tome a iniciativa. Passos Coelho terá então pela frente, como toda a gente, uma situação dramática que continuará a arrastar-se indefinidamente, a custar a todos o pão para a boca e uma série de tumores malignos cujos efeitos vão espalhar-se pelo sistema linfático nacional sem qualquer terapia que os trave.

A prazo, o PSD arrisca-se a herdar essa máquina parasita e terá de ser ele, nessa altura, a enterrar um legado indesejável apenas por não ter conseguido que o Governo o faça agora. O que, para Passos Coelho, significa receber uma situação ainda mais difícil do que o necessário e ter de ocupar-se com medidas inconvenientes perfeitamente dispensáveis.

É que ninguém acredita nele


jmmcc,

«As metas do governo [para a consolidação orçamental] são “absolutamente inexequíveis, com estas taxas de crescimento [económico]”. Resta acrescentar que estas taxas de crescimento económico são razoavelmente implausíveis. Vou repetir pela vigésima vez: supõem condições de crédito que a-ca-ba-ram (vide necessidades líquidas de financiamento da economia, já aqui muito corrigidas em baixa face ao PEC. Com jeito, mais três ou quatro exercícios previsionais, e o Governo ainda acerta.)»

Palavras acertadas de Jorge Costa, sobre um Executivo que não acerta uma previsão e que alimenta o vício de se esconder em demagogias mal construídas de cada vez que a realidade o desmente e em retóricas redondas sempre que se vê obrigado a corrigir os seus enganos. Actualmente, o facto só não tem mais importância por aquilo que se sabe: ninguém acredita no que é divulgado pelo Governo de Sócrates.

Se por lá se lembrassem de dizer que Portugal não tem condições para ser bem governado a partir de amanhã, a notícia seria boa e poderíamos passar todos esta noite em festa para darmos as boas-vindas a qualquer mágico que estaria para chegar logo pela manhãzinha. Porque nos esperaria seguramente sorte inversa. O mais assustador é que eles insistem que estão no bom caminho.

A pedrada no charco certo


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O inenarrável Vítor Ramalho acaba de fazer um sublinhado para o que chama «uma pedrada no charco» atirada por «um jovem de 85 anos», referindo-se à intervenção de Mário Soares nas “Jornadas Parlamentares” do PS. Vem mesmo a calhar este naco de prosa do Nuno Gouveia: «Nos últimos dias os socialistas voltaram à carga com a retórica anti-neoliberal. Primeiro foi José Sócrates a acusar a Comissão Europeia de ser neoliberal, apenas por esta ter criticado o uso da soviética Golden Share no negócio da Vivo. Depois foi Mário Soares, o amigo de Hugo Chavez, a pedir uma “união ibérica” contra a ortodoxia neoliberal europeia. Já hoje, Sócrates acusou o PSD de desejar colocar o “neoliberalismo” na Constituição da República.»

Como o partido em que Vítor Ramalho continua a ginasticar-se (para estar de bem com este PS e com outros que também moram no Largo do Rato) é que atolou o País, recomendo que leiam o resto do post, porque a merecida pedrada que o autor lança ao PS é que é uma certeira pedrada no charco socialista.

Sabia que… (32)


jmmcc,

… uma baleia há muito extinta tinha o vício de morder e arrancar pedaços a outras baleias? Pois é: a descoberta deve-se a um grupo de cientistas do Museu de História Natural de Paris, que encontrou ossadas incriminadoras num deserto do Peru, e acaba de ser revelada num artigo que publicaram no jornal Nature.

Há 12 milhões de anos, o bicho (agora baptizado como Leviathan melvillei em memória do autor de Moby Dick, Herman Melville) atingia o comprimento de 13 a 18 metros, o que não é um exagero se comparado com muitas baleias actuais. Diferentes destas, porém, aquelas baleias tinham esse vício muito impróprio de morder, arrancar e comer umas boas postas às suas semelhantes, graças a uns belos dentinhos (alguns chegavam aos 36 centímetros). Umas predadoras gigantes de que ninguém desconfiava e que conseguiram viver tranquilamente, a coberto do estatuto de inocentes até prova em contrário (só agora obtida pelos investigadores).

Mesmo há 12 milhões de anos, não era comum seres vivos atacarem a sua espécie ou membros da mesma família. Hoje em dia, ainda menos. Excepto os seres humanos. Especialmente na Europa. Sobretudo em Portugal. Arrancam-nos couro e cabelo com a dentuça fiscal e ainda ficam a rosnar. Ou a mostrar a cremalheira, muito satisfeitos pela facilidade com que alimentam os vícios.

O direito e o torto


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Uma conhecida autora da blogosfera, sob o modesto título «digo eu», desabafa assim: «só por andar um pouco arredada das bandas mediáticas é que ainda não dei conta do clamor dos irredutíveis defensores do ‘direito das crianças a um pai e a uma mãe’ contra cristiano ronaldo. decerto deve ser ensurdecedor. já está marcada alguma manif para a avenida da liberdade?»

Boa pergunta se o raciocínio não estivesse torto, porque o facto de não serem conhecidos da autora os dois progenitores não significa que a criança não os tenha. Mais: lembro-me do tempo em que uma criança podia ser filha de pai desconhecido, mas não me parece normal que possa ser filha de mãe desconhecida…

Sabia que… (marginal)


jmmcc,

… há um imbróglio sazonal com uma cadeia de agências de viagens que tem andado a mentir aos clientes? Claro que sabia, porque a história tem varrido os noticiários. Conforme se percebeu há pouco no Telejornal da insuspeita RTP, «o governo está atento à situação», o que pode significar tudo o que se quiser ou, mais provavelmente, significa coisa nenhuma.

Por falar em governo: não sei por quê, ocorreu-me que alguém bem conhecido poderia estar por trás dessas agências. Adivinhe se quiser, porque essa pessoa nada deve ter que ver com isso. Mas que o caso lhe assenta como uma luva, lá isso assenta.