Na sequência do post mais abaixo do Pedro Correia, acho oportuno entrar num detalhe sobre a liderança de Pedro Passos Coelho. Pouco ou nada se sabe das negociações — ou conversações — que têm decorrido entre o PSD e o PS com vista a encontrar consensos que permitam ultrapassar dificuldades nacionais de primeira ordem e que requerem medidas duras. Mas algo terá de transparecer. Vejamos.
Não parece ser muito importante conhecer o teor desses encontros, quando se percebem os resultados. No entanto, já parece natural esperar-se que os dois partidos, naquilo que os diferencia e opõe, cedam nuns pontos para acordar noutros. Ora, é aqui que muita gente gostaria de ver o PSD marcar terreno: as medidas de austeridade começaram a apertar os bolsos dos portugueses e viver vai ser bem mais problemático do que já é, mas ainda não se viu cortar despesas (escandalosas e brutais, por vezes) pela extinção de instituições que mais não são do que parasitas dos orçamentos.
Seria muito conveniente que Passos Coelho levasse para a mesa das negociações entre os dois principais partidos — as quais terão de prosseguir enquanto o PS estiver no poder — a necessidade imperiosa e urgente de encerrar institutos, fundações, empresas municipais e tantos outros organismos que só abrigam da chuva e arredondam a reforma de quem está dentro deles. Se é para isto, é preferível pagar-lhes para ficarem em casa e dispensar as entidades, que sempre se poupam despesas de funcionamento e encargos assim.
Se o líder do PSD não usar isto como moeda de troca, podemos esperar sentados que o Executivo de Sócrates tome a iniciativa. Passos Coelho terá então pela frente, como toda a gente, uma situação dramática que continuará a arrastar-se indefinidamente, a custar a todos o pão para a boca e uma série de tumores malignos cujos efeitos vão espalhar-se pelo sistema linfático nacional sem qualquer terapia que os trave.
A prazo, o PSD arrisca-se a herdar essa máquina parasita e terá de ser ele, nessa altura, a enterrar um legado indesejável apenas por não ter conseguido que o Governo o faça agora. O que, para Passos Coelho, significa receber uma situação ainda mais difícil do que o necessário e ter de ocupar-se com medidas inconvenientes perfeitamente dispensáveis.