«As metas do governo [para a consolidação orçamental] são “absolutamente inexequíveis, com estas taxas de crescimento [económico]”. Resta acrescentar que estas taxas de crescimento económico são razoavelmente implausíveis. Vou repetir pela vigésima vez: supõem condições de crédito que a-ca-ba-ram (vide necessidades líquidas de financiamento da economia, já aqui muito corrigidas em baixa face ao PEC. Com jeito, mais três ou quatro exercícios previsionais, e o Governo ainda acerta.)»
Palavras acertadas de Jorge Costa, sobre um Executivo que não acerta uma previsão e que alimenta o vício de se esconder em demagogias mal construídas de cada vez que a realidade o desmente e em retóricas redondas sempre que se vê obrigado a corrigir os seus enganos. Actualmente, o facto só não tem mais importância por aquilo que se sabe: ninguém acredita no que é divulgado pelo Governo de Sócrates.
Se por lá se lembrassem de dizer que Portugal não tem condições para ser bem governado a partir de amanhã, a notícia seria boa e poderíamos passar todos esta noite em festa para darmos as boas-vindas a qualquer mágico que estaria para chegar logo pela manhãzinha. Porque nos esperaria seguramente sorte inversa. O mais assustador é que eles insistem que estão no bom caminho.

… e na sua realidade
Nesse leilão de ilusões
de tão vis demagogias
não se abonam as razões
de tantas patologias.
Sem a noção da realidade,
numa lógica ficcionista,
assim vive a futilidade
de conteúdo oportunista.
Essa marcha libertadora
não levará a nenhum lado,
qual direcção reveladora
de um pensar enregelado.
Só de pensar que eles podem pensar até fico mais assustado, Amêijoa.