… uma baleia há muito extinta tinha o vício de morder e arrancar pedaços a outras baleias? Pois é: a descoberta deve-se a um grupo de cientistas do Museu de História Natural de Paris, que encontrou ossadas incriminadoras num deserto do Peru, e acaba de ser revelada num artigo que publicaram no jornal Nature.
Há 12 milhões de anos, o bicho (agora baptizado como Leviathan melvillei em memória do autor de Moby Dick, Herman Melville) atingia o comprimento de 13 a 18 metros, o que não é um exagero se comparado com muitas baleias actuais. Diferentes destas, porém, aquelas baleias tinham esse vício muito impróprio de morder, arrancar e comer umas boas postas às suas semelhantes, graças a uns belos dentinhos (alguns chegavam aos 36 centímetros). Umas predadoras gigantes de que ninguém desconfiava e que conseguiram viver tranquilamente, a coberto do estatuto de inocentes até prova em contrário (só agora obtida pelos investigadores).
Mesmo há 12 milhões de anos, não era comum seres vivos atacarem a sua espécie ou membros da mesma família. Hoje em dia, ainda menos. Excepto os seres humanos. Especialmente na Europa. Sobretudo em Portugal. Arrancam-nos couro e cabelo com a dentuça fiscal e ainda ficam a rosnar. Ou a mostrar a cremalheira, muito satisfeitos pela facilidade com que alimentam os vícios.



Certeira parábola, caro João.
É um gosto saber isso de ti, Joshua.
João, agora vemos onde foram eles buscar a inspiração, a um exemplo vivo da história de há 12 milhões de anos. Entretanto, cá para mim, nas idas e voltas perderam-se, daí a sensação de desgoverno…é que 12 milhões de anos é uma distância acentuada!
Lá tão longe e aqui tão perto, afinal…
É mesmo.
By the way, bom fim-de-semana João!
Obrigado, Sílvia. Para si também.