Uma conhecida autora da blogosfera, sob o modesto título «digo eu», desabafa assim: «só por andar um pouco arredada das bandas mediáticas é que ainda não dei conta do clamor dos irredutíveis defensores do ‘direito das crianças a um pai e a uma mãe’ contra cristiano ronaldo. decerto deve ser ensurdecedor. já está marcada alguma manif para a avenida da liberdade?»
Boa pergunta se o raciocínio não estivesse torto, porque o facto de não serem conhecidos da autora os dois progenitores não significa que a criança não os tenha. Mais: lembro-me do tempo em que uma criança podia ser filha de pai desconhecido, mas não me parece normal que possa ser filha de mãe desconhecida…

Não sei quem é esta autora, mas sei que deve estar com algum problema no teclado do computador que a impede de escrever as maiúsculas no início das frases e nos nomes próprios.
Quanto ao assunto do post, é um ‘não-assunto’, não é?
Por ser um não-assunto é que só teve direito a levar não-maiúsculas. Que é como quem diz: não teve direito, mas teve torto.
Só por curiosidade. Há 50 e tal anos, quando foi construída a Barragem da Bravura, havia centenas de homens a trabalhar. A maioria era filha de “pais incógnitos”
Não me custa acreditar no que diz, José.
Claro que toda a gente sabia quem eram as mães. Os pais… eram as mondas e ceifas do arroz na Comporta, Alcácer do Sal e outros lugares. Todos os anos centenas de mulheres, sobretudo raparigas, eram recrutadas no Algarve (mais no Barlavento) para aqueles trabalhos. Uma vez lá, a exploração não se limitava ao baixo salário, ao excesso de horas de trabalho, às condições miseráveis de alojamento, à impunidade dos maus tratos. Era praticada a todos os níveis.
Era uma visão muito ampla do recrutamento delas para aqueles trabalhos.
por acaso não acho que seja um não-assunto. acho que é um assunto e que tem que ver com o ar dos tempos. até agora qualquer idiota podia ter filhos e alcançar o estatuto de pai ou mãe. agora qualquer idiota com dinheiro pode ter filhos sozinho. não sei se será uma evolução…
Dá que pensar, efectivamente.