Se é verdadeiramente extraordinário que, existindo há décadas um absoluto consenso sobre as políticas de preservação e alargamento do Estado Social na Europa, ainda haja quem procure chutar para canto falando em ortodoxia neoliberal como responsável pelo estado de coisas, não deixa de causar maior perplexidade a disponibilidade das pessoas, via comunicação social sem qualquer memória histórica, para aceitar essa patranha. Na verdade, o que mais custa no meio de tudo isto não é ver Mário Soares sacudir a água do capote. É ver o número de pessoas que se apressa em ajudá-lo na tarefa. Mas pensando bem, poderiamos nós esperar o contrário? Nós que vivemos no país que reabilita e promove quem tudo nacionaliza, dando-lhe a oportunidade de brincar às scutes com o resultado que se viu?
Sacode a água Mário, sacode a água
Adolfo Mesquita Nunes,

“existindo há décadas um absoluto consenso sobre as políticas de preservação e alargamento do Estado Social na Europa”
Mas tal consenso existe, de facto? Existe, hoje? Eu julgava que não existisse. Eu julgava que, ainda há pouco tempo, por exemplo, o Compromisso Portugal andava a pedir que o sistema de reformas passasse à capitalização individual, acabando portnato com o Estado Social nesse setor.
Consenso ao nível governativo Luís… Não se pode culpar o Compromisso Portugal do estado das coisas, ou pode?
Mário Soares joga com a tradicional falta de memória dos portugueses. Logo ele, que se gabou de meter o “socialismo na gaveta”.