O comentário da semana


jmmcc,

 

«Concordo consigo quando escreve que a Constituição não é intocável. Não é, não tem sido, nem deve ser, pois, tal como toda a legislação, vai necessitando de ajustes com o passar do tempo. Todavia, é sempre perigoso proceder a uma revolução, seja em qualquer diploma legal, seja, sobretudo, na Lei Fundamental que é o pilar da nossa Democracia e do nosso sistema político, social e económico.
Para além de concordar com o ponto 1 e deixando o 2 para o fim, concordo com o ponto 3. De facto, até consigo compreender o que penso que seja o objectivo da alteração linguística. Mas, tal como escreveu e bem, a expressão proposta é demasiado vaga e acaba por estar bem mais perto do despedimento livre do que do actual regime por vezes rígido. Talvez com a negociação se possa encontrar um termo mais adequado e que não abra as portas ao despedimento livre.
Ponto 4. Esta matéria vai ao encontro daqueles que defendem um regime presidencialista. E não vale a pena vir o PSD tentar esclarecer, afirmando não pretender dar mais poderes ao PR. Como escreveu Vital Moreira, no Causa Nossa, é mangar com os portugueses. A proposta traduz-se, de facto e sem qualquer margem para dúvidas, numa alteração do cariz semi-presidencialista, atribuindo mais poderes, quase ilimitados, ao PR, no que tange à relação com o governo.
Finalmente, quanto ao ponto 5, do PCP e do BE não é de esperar outra coisa. Quanto ao PS, acredito que será um misto entre tentar aproveitar eleitoralmente a proposta e defender a sua matriz, pois, quer se goste ou não, quer tenha corrido bem ou mal, o PS tentou sempre desenvolver o sector social com investimentos e medidas nessa área. A reacção, por exemplo, de António Arnaut sobre a proposta na Saúde é perfeitamente justificada, pois foi ele que criou o SNS e o actual modelo de Saúde.

Vamos então ao Ponto 2, à Saúde…

 

A tendência para a gratuitidade não é uma fraude, ou semi-fraude. Bem pelo contrário. Tal como na Educação (sobre esta área, o José Gomes André não se pronunciou), a Saúde é considerada, para muitos, umas das áreas em que o acesso deve ser livre, universal e sem quaisquer condicionalismos, sobretudo económicos. Para quem defende, tal como eu, que o Estado deve ter a menor intervenção possível na sociedade, mas ao mesmo tempo deve ter uma intervenção relevante em determinados sectores, acabar com o actual regime de Saúde e de Educação é subverter o princípio fundamental da igualdade de acesso. Por muito que se defenda e se tente criar mecanismos de compensação aos mais carenciados ou de “desconto” aos mais pobres, acabará por suceder o que aconteceu na Justiça, com o famigerado Apoio Judicário, sector este onde os mais pobres não pagam custas judiciais nem honorários ao advogado (mas este é um dos que têm pouca experiência e necessita do regime de acesso do direito para ter clientes e trabalho) e os mais ricos podem pagar, enquanto a classe média nem tem direito ao apoio judiciário nem dinheiro para pagar os elevados valores. É que nesta matéria, este governo (supostamente socialista) limitou o acesso à Justiça e transformou-a em duas justiças, a dos pobres que terão de se contentar com um advogado pouco experiente e a dos ricos que podem pagar aos melhores advogados.
Note-se que até nos EUA, o melhor exemplo de sistema capitalista do mundo, alterou o seu sistema de Saúde. Tal como vimos nos filmes e nas séries (Serviço de Urgências, por exemplo), os mais pobres ou tinham um golpe de sorte ou morriam durante a espera. Os mais ricos tinham tudo o que o dinheiro pode pagar ao seu dispor. Na prática, a proposta do PSD resultaria nisto. O mesmo se aplica à Educação, em que quem tem dinheiro tem os melhores professores, porque podem pagar os melhores colégios, enquanto que os pobres não têm acesso às melhores condições possíveis só porque não as podem pagar, competindo injustamente com os mais favorecidos no mercado e sem as mesmas armas e oportunidades.
Tudo isto se resume numa questão prévia a qualquer discussão. Achamos, ou não, que existem pessoas melhores que outras, não porque tenham maiores capacidades ou virtudes, mas apenas por causa da sua proveniência social, familiar ou condições económicas.

 

 

O mesmo critério aplica-se à Monarquia. Faz-me confusão que haja quem defenda que os cargos devem ser ocupados não por quem tenha mérito ou qualidades para as funções a eles inerentes, mas por quem seja filho de quem já lá esteja. Onde está o mérito?
Não existe, naturalmente, uma desigualdade entre os homens. À partida, à nascença, todos somos iguais e deveremos ter as mesmas chances. Entendo que haja quem considere que sim, que alguns são, por natureza, melhores, acham-se melhores, seja por causa da família de onde vêm, seja por terem mais dinheiro e, dessa forma, poderem comprar o que quiserem. Também há quem ache que os homens são melhores que as mulheres, que os brancos são melhores que as restantes raças. Entendo, pois trata-se de um ideal, de um conceito de vida. Mas discordo profundamente.»

 

Do nosso leitor Ricardo Sardo. A propósito deste texto do José Gomes André.

Sabia que… (40)


jmmcc,

… esta lancha J Craft Torpedo, que lembra muito um modelo dos anos 60 usado pelo James Bond, foi lançada no Mónaco durante o Yacht Show de Setembro de 2009 e é um must este ano? Pois é verdade, mas o revivalismo da embarcação fica-se pelo design, pois o famoso construtor sueco J Craft Boats não esteve com meias medidas: pegou nos melhores materiais e madeiras autorizadas, juntou-lhes dois motores Volvo Penta IPS 500 e dotou o conjunto com um controlo por joystick (a par do volante do Ferrari 250 GTO) que confere uma incrível e excitante capacidade de manobra. Instalações? Tem-nas para quatro pessoas mais um tripulante, tudo com requinte e feito meticulosamente.

Enfim, um brinquedo muito exclusivo de Verão, feito à medida para os nossos gestores públicos, consumidos com o problema de dar saída aos bónus e prémios de desempenho. É verdade que o imposto sobre iates e outras embarcações de recreio está pela hora da morte, mas perguntem ao Vale e Azevedo, que ele conhece diferentes modalidades para dar a volta à coisa.

  

Sabia que… (39)


jmmcc,

… foram recentemente encontradas espécies pré-históricas que ainda vivem nas profundezas do oceano? Acredite que sim e que algumas são bem bizarras. Esta vida marinha encontra-se muito abaixo da superfície e foi descoberta por cientistas numa missão sem precedentes que tem decorrido sob a Grande Barreira de Coral, o maior recife de coral do mundo, situado em águas australianas e autêntico santuário de biodiversidade: 2300 quilómetros de extensão, 20 a 240 quilómetros de largura, 2900 recifes, 600 ilhas continentais, 300 atóis de coral, 1500 espécies de peixe, 360 espécies de coral, 5000 a 8000 espécies de moluscos, 400 a 500 espécies de algas marinhas, 1330 espécies de crustáceos e mais de 800 espécies de equinodermos.

Com altíssima tecnologia de elevada precisão, os pesquisadores dispõem de câmaras que podem descer até aos 1400 metros de profundidade para registar o que vêem, o que já permitiu concluir que existem muitas espécies que se esperava encontrar, também muitas que não eram esperadas e ainda muitas outras que nem sequer estão identificadas.

Portugal dispõe igualmente de uma ampla costa marítima, de uma apreciável extensão de ilhas em pleno Atlântico Norte e de câmaras que descem bem fundo. Mas o que temos de mais bizarro é os presidentes dessas câmaras ficarem sempre à superfície com a tacha arreganhada.

Errado


jmmcc,

Lê-se aqui que «‘sollicitation de prostituée mineure’ não é sinónimo de proxenetismo (isto a propósito das notícias sobre Ribéry e Benzema)», ao contrário do que teriam noticiado «os jornalistas da RTP e da TVI (não sei se de mais alguns)». Errado. Até ver, o que se sabe é que a menor é prostituta, que ela mentiu voluntariamente sobre a idade e que os jogadores não sabiam a idade verdadeira dela. Por isso é que, também até ver, a acusação é de «solicitação de prostituição de menor» e não qualquer outra coisa.

Em França, a prostituição a partir dos 18 anos está legalizada. Aqui, a escrita em qualquer idade está facilitada…

Manipulação indecente


jmmcc,

A fotografia acima foi divulgada pela BP, manipulada, e dá a ideia que a BP quer fazer passar sobre o suposto controlo da fuga de petróleo debaixo do mar, no Golfo do México. Aqui ao lado está a fotografia original, antes do recurso ao Photoshop para alterar três imagens transmitidas pelos monitores, obtida e divulgada por John Aravosis, um autor do AMERICAblog. A primeira dá a ideia que a BP quer(ia) fazer passar sobre o suposto controlo da fuga de petróleo debaixo do mar. A segunda é a foto verdadeira e inconveniente que a BP decidiu manipular.

Da minha parte e de palpável mesmo, fica um desabafo: achei sempre um abuso indecente que uma petrolífera, por muito criteriosa que possa ser, tenha a lata de usar a imagem que a BP adoptou nestes últimos anos. Se alguma vez cheguei a ser cliente de qualquer produto da marca, deixei radicalmente de ser desde que conheci este logótipo. Por outras palavras: a BP já tinha começado a mentir há muito, porque a sua imagem de marca tinha passado a ser um caso autêntico e escandaloso de publicidade claramente enganosa.

Sabia que… (38)


jmmcc,

… há um animal tão raro e difícil de encontrar que já se pensava que estava extinto? É verdade. Chama-se lóris-delgado-vermelho (Loris tardigradus), é um pequeno primata mamífero que não ultrapassa os 17 centímetros de comprimento e faz vida nocturna. Parece que está confinado ao Sri Lanka, onde foi avistado pela primeira vez em 1937, e talvez ao sul da Índia.

Desde então, só foi visto quatro vezes, a última das quais em 2002. Longe de todos os olhares entre 1939 e 2002, pensou-se que tinha desaparecido definitivamente. Porém, este lóris acaba de ser encontrado nas florestas da região central do Sri Lanka, onde agora foi fotografado pela primeira vez enquanto descansava no ramo de uma árvore. É um macho adulto e a espécie pode realmente ter os dias contados, porque aquelas forestas têm estado a ser devastadas e substituídas por plantações de chá.

Se o bicho vivesse nas nossas florestas, só teria de estar preocupado com os incêndios nas matas, porque o resto é um descanso: cada vez se toma menos chá.

Falar da Constituição em português


jmmcc,

Diz Pedro Santana Lopes que «Marcelo Rebelo de Sousa sabe bem que Francisco Sá Carneiro me solicitou» qualquer coisa relacionada com questões constitucionais e que não vem aqui ao caso. O que vem ao caso é o meu espanto por uma bacoquice de Santana Lopes que eu não esperava dele, tão dado a pergaminhos (?) que é. Ninguém (e muito menos o próprio) deve dizer que outro lhe solicitou algo. Há uma hierarquia em solicitar e pedir: solicita-se de baixo para cima e pede-se de cima para baixo. Além disso, por simples bom gosto, ambos devem dizer que lhes foi pedido (e nunca solicitado), quando reportam o facto a terceiros, para não se inferir que se está a colocar o outro em plano inferior. Assim sendo, só quando se quer dar importância ao outro é que pode usar-se solicitar na primeira pessoa do singular: solicitei.

Por isso, pode ser que Sá Carneiro tenha pedido algo a Santana Lopes, mas seguramente não lhe solicitou. Mesmo que (por absurdo) o tivesse feito, Santana Lopes só devia dizer que Sá Carneiro lhe pediu. Não consigo imaginar Santana Lopes casado e a dizer “a minha esposa“, mas a piroseira é a mesma e fica-lhe mal. Ou pior ainda, já que a confusão entre pedir e solicitar não é apenas uma saloiada, mas um problema de bom português.

Feitios


jmmcc,

«A falta de carácter de Carlos Santos manifestou-se, pelo menos para mim, no blogue A Regra do Jogo, do qual fiz parte a seu convite. E por isso manifestei-me publicamente contra e afastei-me de imediato.» Estas palavras da Sofia Loureiro dos Santos deixaram-me a pensar: se eu tivesse feito parte de um blogue a convite do(s) seu(s) fundador(es) e percebesse que, afinal, não me revia nele e acabasse por me afastar, será que me manifestava publicamente? Acho que não. Manifestar-me-ia numa conversa privada com o(s) autor(es) do convite, naturalmente. E saía silencioso. São feitios.

Sabia que… (37)


jmmcc,

… há gente sempre disposta a mudar radicalmente de vida? Sabia, é claro. Os norte-americanos, por exemplo, para o bem e para o mal, são useiros e vezeiros nisso. Veja este caso, em que o protagonista decidiu criar uma espécie de «segundo acto» na sua vida e começou por trocar uma propriedade que parece que era muito decente por esta casinha… ambulatória. No fundo, não é mais do que uma caravana, só que passou a residência fixa — embora pouco fixa — e tem tudo para dar o ar de uma moradia rural e acolhedora. Vale a pena ver a arrumação e o décor interior.

Por cá, com a compra de automóveis (supostamente) congelada, podiam distribuir coisas destas entre os políticos em exercício, atreladas a uns quantos reboques. E mandá-los passear.

Frases do ano (45)


jmmcc,

“A manchete é um equívoco que certamente resulta de um mal-entendido.”

Helena André, ministra do Trabalho, sobre o aumento salarial da Função Pública em 2011 a que se referiu na entrevista que deu ao DN

4 dicas para enfrentar o calor


jmmcc,

1 — Mantenha o corpo fresco e beba água com frequência, mas convém fazê-lo em lugares diferentes.

 

2 — Procure frequentar a costa, mas tenha em mente que a luta por um lugar é sempre acalorada.

 

3 — Leve os animais de estimação à água, ou confie no instinto dos animais e deixe-se levar à água por eles.

4 — Não vá em mariquices, porque os trajes são pouco recomendáveis para enfrentar o tempo quente.

Sabia que… (Simplex)


jmmcc,

    

… o Simplex tem para cima de um século? É verdade: a gama dos Mercedes Simplex foi fabricada entre 1902 e 1909. Estes aqui à vista são (por ordem): um dos primeiros Simplex (de 1902), o Simplex 40HP e o Simplex Tourer (ambos de 1904). Nessa época, a marca alemã ainda não se tinha juntado à Benz e o logótipo era como aparece aqui.

Claro que ter hoje em dia um Simplex é ineficaz. Nada que a gente não esteja careca de saber: actualmente, o Simplex para nada serve.

    

Bom sinal


jmmcc,

Quando escrevi recentemente que «seria muito conveniente que Passos Coelho levasse para a mesa das negociações entre os dois principais partidos a necessidade imperiosa e urgente de encerrar institutos, fundações, empresas municipais e tantos outros organismos que só abrigam da chuva e arredondam a reforma de quem está dentro deles», não me passava pela cabeça que o líder parlamentar do PSD estaria hoje a desafiar o PS com a mesma exigência.

Sendo certo que a extinção das instituições parasitas é uma medida essencial para a sobrevivência da nossa esperança e profiláctica para a saúde do nosso regime, parece-me que acaba de ser dado um bom sinal que já tardava. Fico satisfeito por ter dito o mesmo que Miguel Macedo. Ou vice-versa.