Dois terços dos serviços violam a lei dos prémios de desempenho e o Estado gastou acima do previsto no Orçamento nos primeiros seis meses do ano. Por outras palavras: o Governo consome mais em lugar de reduzir as despesas e continua a haver na Administração pública quem se vá abotoando à margem da austeridade. São notícias animadoras. É um descanso, não é?
Muito animador…
jmmcc,

Admirado, João? O congelamento das reformas serve para quê? Não, não são as reformas de 25.000€, são as mais pequenas que são em maior numero. Grão a grão enche a galinha o papo, diz o ditado. Aqui os grãos são maiores e os papos também.
Só que não é para todos os papos, claro.
Pois não! Estes papos são aqueles que se querem aproximar o mais rapidamente possível das reformas acima de 15.000€, porque depois podem não ter oportunidade.
Pois podem.
Mais outro “annus horribilis”…
Com o défice derrapado
e tão difícil de controlar,
este Governo empapado
é infelizmente exemplar.
Com os sonhos desvanecidos
entre milagres tão brumosos,
esses sonhos entorpecidos
revelam-se assaz fumosos!
Pode dizê-lo, meu caro. Pode dizê-lo.
Longo mas vale a pena….
” Um povo imbecilizado e resignado, humilde e mecambúzio,
fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora,
aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias,
sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice,
porque nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas,
um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem,
nem onde está, nem para onde vai;
um povo, enfim, que adoro, porque sofre e é bom,
e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até á medula,
não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantemineiros e sevandijas,
capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação,
da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedem, entre a indeferença geral, escândolos monstruosos,
absulutamente inverosímeis no Limoeiro.
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto moderador; e este,finalmente tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A Justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer de saca rolha.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido,
iguais um ao outro nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero,
e não se malgando e fundindo, apesar disso,
pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar”
GUERRA JUNQUEIRO 1898
Efectivamente só as moscas … mudaram!!!!
Muito bem lembrado. Os nossos “clássicos” (que não o são pela antiguidade) continuam com uma actualidade que devia ser impensável. Mas não é, infelizmente.
Longo, mas valeu a pena.
Incrível verosimilhança.