Quando escrevi recentemente que «seria muito conveniente que Passos Coelho levasse para a mesa das negociações entre os dois principais partidos a necessidade imperiosa e urgente de encerrar institutos, fundações, empresas municipais e tantos outros organismos que só abrigam da chuva e arredondam a reforma de quem está dentro deles», não me passava pela cabeça que o líder parlamentar do PSD estaria hoje a desafiar o PS com a mesma exigência.
Sendo certo que a extinção das instituições parasitas é uma medida essencial para a sobrevivência da nossa esperança e profiláctica para a saúde do nosso regime, parece-me que acaba de ser dado um bom sinal que já tardava. Fico satisfeito por ter dito o mesmo que Miguel Macedo. Ou vice-versa.

A ideia que os problemas de crescimento e competitividade da economia portuguesa se devem a um Estado Social demasiado generoso e a custos laborais elevados é evidentemente absurda. Mas o liberalismo sempre foi simplista. E os liberais portugueses, como não podia deixar de ser, copiam as fórmulas de sempre. Não reformam nada; agem como o bêbado, que não procura as chaves onde as perdeu mas debaixo do candeeiro, porque é ali que tem luz.
Afinal, quem é que diz «que os problemas de crescimento e competitividade da economia portuguesa se devem a um Estado Social demasiado generoso e a custos laborais elevados»? Não será antes que o Estado tem vivido acima das suas possibilidades e que o custo da Administração pública (vulgo máquina do Estado) é mais elevado do que devia?
De onde vem a ideia redutora de que «os liberais portugueses, como não podia deixar de ser, copiam as fórmulas de sempre» e «não reformam nada»? Parece pouco razoável deixar de fora os sociais-democratas (o PS é social-democrata, como deve saber), que «copiam as fórmulas de sempre» e cujas reformas atabalhoadas nunca são concretizadas, são hiper-dispendiosas e sobrecarregam ainda mais a máquina do Estado quando o objectivo declarado é atenuar a sua dimensão e custos.
Se os liberais «agem como o bêbado», veja bem o quanto os sociais-democratas do PS reagem como o drogado. Ou seja: não reagem. “Pedrados” e sem imaginação criativa, ficam a insistir nos cenários irreais que a realidade desmente e acreditam que descobrem a fórmula mágica de cada vez que cobram mais à receita para pagar a sua despesa crescente.
Espero que tenha ficado menos “pedrada” e mais esclarecida, para que o seu pseudónimo comece a aproximar-se da realidade.
Old chap , concordo basicamente com o que diz e defende teoricamente ; não julgo, no entanto, ter o PSD força ou interesse em fazer muito diferente do PS (ambos sociais-democratas, como sabe.). Alías, se não erro demasiado, julgo que o PSD até tem mais culpa do que o PS, nessa coisa chamada “estatização da economia”, designadamente no aumento do numero de funcionários públicos, ou, nessa necessidade (um link qq) que o cidadão tem de estar de alguma forma ligado ao estado. Na realidade, um Liberal português, não tem qq partido que o represente; e se quer mesmo assim intervir, tem que ora votar no PSD, ora no PS e, ora no CDS. Sim, nesses três e dependente das pessoas que têm à frente. Agora, dizer que este ou aquele são partidos liberais, isso não!
Meu caro, o aumento de funcionários públicos para lá do necessário não corresponde à “estatização da economia”, mas apenas ao amiguismo.
Entendo o que diz e que não me parece fugir à realidade, mas a prática política está essencialmente nas mãos de quem está no poder. E nisso o PS tem a parte de leão. PS que é efectivamente social-democrata, enquanto o PSD procura situar-se (nem sempre com grande sucesso na busca de identidade pela amplitude do arco dos seus membros) entre a social-democracia (esquerda moderada) e a chamada democracia cristã hoje representada pelos populares europeus (mais à direita).
Quanto aos liberais (ou melhor: quanto aos neoliberais) de que hoje tanto se fala, é realmente uma falácia lançada aos mais distraídos, a qual só serve de desculpa bacoca para tentar justificar de forma saloia e apressada o ziguezaguear político destes tempos que vivemos.
Aí, um bom sinal.
Aqui, sinal 1 de tufão.
E andam para aqui uns ventos lixados!!
E não são os do tufão…
Posso imaginar, Pedro, Espero que acabe tudo bem.
Esta direcção do PSD parece querer limpar o Estado de todo o peso-morto que o atrofia.
Tarefa que me parece utópica e que, por isso mesmo, me agrada.
Oxalá, porque é bem preciso. A utopia inspira caminhos bem mais desejáveis do que aqueles que têm sido trilhados.
Exactamente a propósito do teu anterior post que aqui citaste, já ambos concordamos que PS e PSD são igualmente responsáveis por estas excrescências adiposas que estão disseminadas e abundam um pouco por todo o nosso corpo colectivo como país. E um estado guloso, gordo e consumista como o nosso, trouxe-nos até aqui, com os resultados conhecidos. Nesta perspectiva, podendo embora parecer estranho que seja precisamente um dos principais fomentadores desta gordura a exigir agora este novo regime alimentar, a verdade é que alguém terá forçosamente de o fazer. E não se pense que haverá outros caminhos, porque não os há. Para um comilão, emagrecer, fazer dieta, ficar reduzido ao estritamente necessário é custoso, todos o sabemos, mas é esse o único caminho para se ficar em boa forma física e ter mais saúde. E Portugal precisa rapidamente de aceitar de forma voluntária esse emagrecimento, sob pena de este lhe vir a ser imposto em intervenção de urgência – sem outra escolha – por um clínico qualquer enviado por uma dessas unidades internacionais especializadas neste tipo de tratamentos.
Estás carregado de razão. Continuamos de acordo.
Ainda não ouvi dizer que o Governo vai, como se impõe, acabar com a ERC-Entidade Reguladora da Comunicação Social, essa coisa inútil e indigna que custa milhões de euros ao País, sem qualquer proveito ou honra.
Nos últimos tempos, a ERC tem andado calada, a ver se escapa nos intervalos de chuva. Mas é claro que, se há organismo do Estado a eliminar para contenção da despesa, esse absurdo sorvedouro do erário público terá de ser o primeiro.
Talvez, Francisco. Mas olhe que não falta onde começar, acredite.
Caro João Carvalho,
afirmar que é necessária a extinção das instituições parasitas é fácil: como não são nomeadas as instituições que devem ser extintas não provoca grande “mossa” e na verdade não demonstra grande comprometimento da parte de quem o defende.
Se o PSD quisesse ser levado a sério nesta matéria devia acompanhar essa proclamação de intenções por uma lista, devidamente fundamentada, de instituições a extinguir e uma solução para os seus trabalhadores (quando digo solução não estou necessariamente a falar da sua integração em outros organismos do Estado). Acho que esta direcção do PSD já teve tempo suficiente para elaborar essa lista no contexto de uma reflexão sobre a dimensão do Estado.
Quanto ao João Carvalho, que partilha dessa visão com Miguel Macedo, proponho-lhe apenas que, à semelhança do seu colega de blogue Pedro Correia, inicie a rubrica “Cem instituições estatais que devem ser extintas” (de preferência com justificação). Para lhe demonstrar que concordo consigo, sugiro a primeira: Instituto da Juventude. Quanto à justificação, deixo-a ao seu cuidado.
Pode dar continuidade à sua lista, meu caro, que a começou bem. Todos nós conhecemos algumas dessas instituições a extinguir de olhos fechados. Mas a lista completa e fundamentada, que a faça quem deve.
Convém lembrar que algumas dessas instituições nem são do conhecimento geral, talvez por terem sido criadas à sucapa e escaparem à maioria das pessoas. Repare: em matéria de actualidade, seria um disparate considerar-me abaixo da média ou sequer um cidadão medianamente informado; porém, a título de exemplo, posso dizer-lhe que só com a “embrulhada” dos computadores Magalhães é que ouvi falar pela primeira vez na Fundação criada pelo Governo e que está envolvida no caso.
Posto isto, espero que também concorde comigo noutro ponto: nós, cidadãos e eleitores, pagamos impostos e escolhemos políticos para gerir o País em nosso nome, certo? Pois que o façam, que ninguém os obrigou a ser candidatos e a tomar posse. Cá estaremos de novo para eleições em que eles serão avaliados.
Por outras palavras: o seu desafio pode ser muito interessante para quem tiver tempo e paciência, mas eu acho que já será muito bom se cada um cumprir a sua parte e der conta das suas tarefas.
“Todos nós conhecemos algumas dessas instituições a extinguir de olhos fechados. Mas a lista completa e fundamentada, que a faça quem deve.”
Esse é que era o ponto principal do meu comentário. Já era altura de o PSD deixar de dizer simplesmente que quer extinguir instituições e reduzir a intervenção do Estado (fácil) e passar a concretizar (difícil). Daí a minha falta de entusiasmo com as declarações de Miguel Macedo. Veja que nem os Governos Civis, que “todos” (PS, CDS, PSD) concordam que “não servem para nada”, foram extintos e a sua extinção parece ter voltado a sair do discurso político.
Concordo. Mas não sei se é certo que o PSD não tenha já uma ideia da escovadela a fazer. O que sei é que o PS faz de conta que não é nada com ele.
A ideia do António Carlos é boa. E bem pode ser adoptada, aqui ou noutro lado. Eu, por mim, já comecei: recentemente propus no DELITO a extinção dos mais inútiis dos organismos públicos: os Governos Civis.
Caros João Carvalho e Pedro Correia,
Para facilitar a vossa rubrica “Cem instituições estatais que devem ser extintas” sugiro que dêem uma lista de olhos por estas listagens disponibilizadas no site do Banco de Portugal: é só escolher! as/MetodologiaseNomenclaturasEstatistica s/LEFE/Paginas/ListadeEntidadesparaFinsE statisticos.aspx
http://www.bportugal.pt/pt-PT/Estatistic