Diz Pedro Santana Lopes que «Marcelo Rebelo de Sousa sabe bem que Francisco Sá Carneiro me solicitou» qualquer coisa relacionada com questões constitucionais e que não vem aqui ao caso. O que vem ao caso é o meu espanto por uma bacoquice de Santana Lopes que eu não esperava dele, tão dado a pergaminhos (?) que é. Ninguém (e muito menos o próprio) deve dizer que outro lhe solicitou algo. Há uma hierarquia em solicitar e pedir: solicita-se de baixo para cima e pede-se de cima para baixo. Além disso, por simples bom gosto, ambos devem dizer que lhes foi pedido (e nunca solicitado), quando reportam o facto a terceiros, para não se inferir que se está a colocar o outro em plano inferior. Assim sendo, só quando se quer dar importância ao outro é que pode usar-se solicitar na primeira pessoa do singular: solicitei.
Por isso, pode ser que Sá Carneiro tenha pedido algo a Santana Lopes, mas seguramente não lhe solicitou. Mesmo que (por absurdo) o tivesse feito, Santana Lopes só devia dizer que Sá Carneiro lhe pediu. Não consigo imaginar Santana Lopes casado e a dizer “a minha esposa“, mas a piroseira é a mesma e fica-lhe mal. Ou pior ainda, já que a confusão entre pedir e solicitar não é apenas uma saloiada, mas um problema de bom português.

Mas desde quando é que PSL sabe português? Basta ler 1 vez o seu blog para nunca mais lá voltar.
Concordo, mas não entendo por que é que V. precisa de se esconder para dizer isso.
Que parvoíce. Já agora e as mulheres? E Chopin? E o tom de voz? E a altura? E a cor dos olhos? E o número que calça? São tudo coisas que preocupam enormemente os portugueses ao que parece.
Parvoíce a sua. Quero lá saber se são coisas que preocupam enormemente os portugueses. Parece-lhe que este post é uma reflexão sobre o Santana Lopes? E acha que eu sou dado a reflectir sobre ele mais as suas bacoquices, piroseiras e saloiadas?
Ena! Que verniz. Estou esclarecido. Obrigado
Não tem de quê. Foi exactamente o que pensei: ele tem um verniz muito estaladiço.
Quanto a si, não volte a dizer-me que escrevi parvoíces. Quando o verniz dos outros estala por minha causa, fico muito sentido.
Caro João Carvalho: Voltarei a dizer aquilo que me aprouver e quando o entender. Por seu lado, tem o poder e direito de não aprovar o meu comentário neste blogue e não me passaria pela cabeça contestá-lo, tal como agradeço que não volte a passar pela sua taxativamente dizer-me de que forma posso ou não exprimir-me. Muito obrigado.
Nem precisa de agradecer, meu caro. Volte sempre, porque jamais me passaria pela cabeça impedir um comentário seu. Eu é que sou assim: aviso quando fico sentido, percebe? Não sei é se será abusivo concluir que V. tem esse hábito. Será?
Também tenho duas características que vêm ao caso e que talvez lhe dê jeito registar:
— escrevo sobre minudências linguísticas bacocas deste ou daquele sempre que me apetece;
— não vou às caixas de comentários de pessoas bem formadas chamar parvoíces ao que escrevem, nem aludir ao verniz ou ao chá (quando discordo, digo-o de forma límpida e decente e, de preferência, procuro explicar-me).
São feitios…
Embora muito curioso o tema que aqui expões, julgo contudo que haveria alguma razão na afirmação de Santana Lopes. Se, de acordo com o que explicas, «se solicita de baixo para cima e se pede de cima para baixo», não nos podemos esquecer que Sá Carneiro era bastante mais baixo que PSL. Assim sendo, justifica-se plenamente que quem está em baixo solicitasse algo a quem está mais acima.
Sá Carneiro solicitou algo a Pedro Santana Lopes, pois claro, está correctíssimo!… Aliás, consta que devido àquele seu ‘handycap’, FSC passava a vida a solicitar tudo a toda a gente no PSD, eheheh…
Eheheh… Põe-te a pau que temos por aqui um autor-comentador que não vai achar-te graça e ainda te toma de ponta…