Revelações


jmmcc,

«O ministro das Finanças está hoje em Washington onde deverá ter encontros com responsáveis do FMI, no qual se poderá incluir o diretor-geral Dominique Strauss-Kahn — revelou à Lusa fonte próxima da embaixada portuguesa» e revelou ao País a Lusa.

Para revelar que Teixeira dos Santos talvez vá encontrar-se com responsáveis do FMI em Washington, o melhor que a Lusa consegue arranjar é uma fonte próxima da nossa embaixada? Ao menos, podia dizer-nos se é uma fonte no mesmo quarteirão da embaixada ou alguma fonte que fique perto dos EUA, visto que os portugueses têm particular apreço por fontanários.

Se o ridículo pagasse imposto, a Lusa bastaria para Teixeira dos Santos não ter de ir ao FMI.

O som pelas orelhas


jmmcc,

«A pedido da direcção de Informação da TVI venho informar que as imagens do primeiro-ministro a testar o som, no púlpito, em São Bento, fornecidas pela RTP, não são para utilizar.» Ficamos a saber que S. Bento tem um púlpito, mas… quando um primeiro-ministro, preocupadíssimo com uma comunicação ao País sobre a chegada do FMI, pede a um Luís que lhe diga se fica melhor mostrar a orelha direita ou a orelha esquerda, está a testar o som?

Censos 2011 sem senso


jmmcc,

Está a decorrer o XV recenseamento geral da população de Portugal? Esqueçam. Quem não responder será multado? Esqueçam também.

Vejam só.

O nome completo não cabe nos impressos. A identificação (BI, NIF ou outro documento individual) não consta. Das múltiplas cópias, nenhuma fica com o cidadão.

Chegados ao século XXI, é com esta superficialidade que se faz um levantamento supostamente sério? Então estamos conversados.

Silva Pereira fracote


jmmcc,

Passos Coelho quer as contas do Estado bem feitas e às claras. Silva Pereira põe-se a perorar: as contas estão bem feitas e esta não é a altura certa para fazer fitas.

Não se entende Silva Pereira, que vai acabar por ir embora com uma imagem fracota. Alguma vez as contas do Estado foram bem feitas?

Ao cuidado dos que nos abanam


jmmcc,

«O presidente da Mota-Engil, António Mota, criticou hoje a “falta de planeamento” em Portugal ao nível das grandes obras públicas, o que justifica uma maior aposta do seu grupo na internacionalização.

Na sua opinião, uma das razões para a Mota-Engil investir na internacionalização é a “indefinição quanto a grandes projetos de investimento”, como o comboio de alta velocidade e o novo aeroporto.

“Nós não planeamos, Portugal não tem um planeamento estratégico naquilo que são infraestruturas” — lamentou.»

É verdade e António Mota não fez qualquer descoberta: Portugal tem sido incapaz de qualquer planeamento, estratégico ou não, e isso é um mal que vem de longe. Já quanto à internacionalização do grupo que trata por tu as grandes obras públicas, o melhor que podemos fazer é desejar-lhe felicidades e que mande de lá saudades. Porque o que menos precisamos por cá (há muito tempo) é da Mota-Engil, do BES, da Brisa, da Lusoponte e de todos aqueles do costume que vivem à mesa do Orçamento do Estado e que querem abanar-nos mais um bocado para ver se ainda cai algum.

Jornalistas e sapateiros


jmmcc,

«O líder do PSD (…) advertiu que desconhece qual a margem negocial que dispõe o Governo português.» Nesta frase (lead de uma notícia), não é apenas evidente que a palavra “qual” está a mais, mas é também errado escrever sobre “a margem negocial que dispõe o Governo“. Passos Coelho, por exemplo, indispõe o governo, o DELITO DE OPINIÃO também indispõe o governo e talvez possa dizer-se que José Lelo dispõe o governo. O que o jornalista pelos vistos não sabe escrever, mas corresponde ao que queria dizer, é o seguinte: a margem negocial de que dispõe o Governo.

Aquela preposição “de” estabelece toda a diferença entre a expressão certa e a expressão errada. Só não estabelece quem deve tocar rabecão e quem deve ser sapateiro.

Bye-bye


jmmcc,

Finalmente, tal como aqui previmos desde sempre. Adeus, TGV. Falta agora fechar a RAVE, que nunca devia ter existido e já comeu a sopa de muitos pobres. Só é pena ainda termos de pagar a teimosia estúpida de quem quis a todo o custo avançar com o que devia estar suspenso há muito e não se importou de assumir compromissos contratuais que estava na cara jamais ser capaz de cumprir. Pudera, não é? Ninguém lhes cobra responsabilidades e não lhes sai dos bolsos.

Já agora, era interessante — muito interessante mesmo — saber quanto custaram os novos projectos, as alterações e as encenações inventadas por este governo demissionário. Mas saber em números reais, que as troca-tintas do ainda ministro Mendonça já foram antes desmacaradas (lembram-se?) no que respeita a preços. Por muito menos, num país realmente civilizado, o ainda ministro que achou que todos nós tínhamos bitola estreita já estaria a entrar pela madeira dentro.

De bactéria a vírus


jmmcc,

Portugal nunca conseguiu saltar à espinha da Espanha para retribuir o desgosto histórico filipino-traumático dos séculos XVI/XVII. Bactéria ibérica, o nosso país enverga hoje o traje de vírus e tenta a todo o custo contaminar o gigante vizinho. Zapatero pode agradecer ao seu amigo Sócrates pela reconhecida perícia deste na arte de atacar tudo quanto esteja em baixo de forma.

Eu sei, eu sei: ainda que lhes falte coragem para contrariar em voz alta, há sempre meia dúzia de pessoas dispostas a defender o primeiro-ministro demissionário e a achar que exagero. Não faz mal. Para desfazer qualquer dúvida, é só perguntar a Sócrates se deseja mal a Zapatero. Pela resposta se saberá a verdade, que será sempre o contrário do que ele responder.

Saudades


jmmcc,

Soube-se já em Bruxelas que o pedido de auxílio financeiro de Portugal deverá provavelmente rondar os 80/85 mil milhões de euros. Ao mesmo tempo, o ainda ministro Teixeira dos Santos declarava ser “ainda prematuro estar a avançar qualquer montante” sobre a necessidade imediata do nosso país, mesmo que só aproximado.

Fica mais uma vez confirmado o extraordinário rigor e a plena consciência que o ministro-das-Finanças-que-nos-saiu-na-rifa sempre demonstrou durante todos estes anos. É realmente uma tristeza ver Teixeira dos Santos partir em breve para um rodapé da História. Como dizia o outro: que mande de lá saudades, que é coisa que cá não deixa.

Mantê-lo ou desmontá-lo


jmmcc,

Para tentar resolvê-la, só há uma maneira de enfrentar a crise financeira, económica e social: deixar de fingir que ela não começou por ser a crise de valores que realmente é. De outro modo, este circo não será desmontado. Poderá até tornar-se triste e pobre, muito mais triste e muito mais pobre, mas isso é a característica infeliz de muitos circos — que continuam a chamar-se circos mesmo sem o merecer.

Enquanto pode…


jmmcc,

… tenha o seu próprio Bugatti.

1. Imprima e recorte pelo picotado.

2. Dobre e cole cautelosamente.

3. Convoque uma conferência de imprensa para dizer aos amigos que tem um Bugatti em casa* e divirta-se à custa dos outros como se fosse o governo.

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* — Não chega a ser bem uma inverdade.

Retrato em final de banquete


jmmcc,

A oposição revogou o decreto que aumentava os limites de autorização da despesa pública e não fez mais do que cumprir o seu papel em tempo útil. A autorização legislativa que tinha permitido ao governo decretar como decretou não era, obviamente, uma obrigação, ao contrário do que o governo e o grupo parlamentar que o apoia pareciam querer sugerir hoje à tarde na Assembleia da República.

Jorge Lacão, que se fartou de perorar, indignadíssimo, contra as posições da oposição, foi hoje no Parlamento o retrato da falta de respeito pelo sacrifício que o desgoverno exige aos cidadãos. Um retrato em final de banquete só comparável ao do ainda ministro Mendonça, tal como o imagino se o deixassem aproveitar qualquer aumento da despesa pública antes de o mandarem para casa.

A bacoquice parlamentar


jmmcc,

Não é a primeira vez que registo isto, mas o insucesso com que o fiz antes desafia a minha teimosia. A Assembleia da República é um dos infelizes espelhos dos desmandos na utilização da nossa língua e mesmo que quisesse listar aqui os casos mais correntes seria fastidioso. Porém, não resisto a voltar à norma parlamentar sobre os vocativos que devem abrir cada intervenção: «Senhor presidente, senhores deputados».

Bacoca a inventar falsos requintes, talvez inspirada na quota destinada às mulheres, a maioria dos parlamentares (seguida por membros do governo como Jorge Lacão) decidiu estender a coisa e estender-se ao comprido: «Senhor presidente, senhoras e senhores deputados». Um preciosismo saloio, como facilmente se percebe cá fora e não se percebe no interior do Palácio de S. Bento. Preciosismo saloio porquê? Simples: apenas porque o substantivo “deputado” tem a forma feminina de “deputada”.

Portanto, quando os parlamentares ignoram que a forma masculina também aglutina gramaticalmente ambos os géneros e, nessa ignorância, não são capazes de perceber que «senhores deputados» é um vocativo q.b., só têm uma saída: «senhoras deputadas e senhores deputados». Não o fazendo e insistindo em «senhoras e senhores deputados», a asneirada é óbvia e lê-se assim: “senhoras coisa-nenhuma e senhores deputados”.

Que o Fernando Mendes no seu programa interminável na RTP-1 ainda não tenha conseguido aprender, ao fim de tantos anos, que não devia dizer inúmeras vezes por programa «meus senhores e minhas senhoras», mas sim «minhas senhoras e meu senhores», pode dar-se de barato. Que os nossos deputados se reduzam à mesma saloiada bacoca é que me incomoda.