«O líder do PSD (…) advertiu que desconhece qual a margem negocial que dispõe o Governo português.» Nesta frase (lead de uma notícia), não é apenas evidente que a palavra “qual” está a mais, mas é também errado escrever sobre “a margem negocial que dispõe o Governo“. Passos Coelho, por exemplo, indispõe o governo, o DELITO DE OPINIÃO também indispõe o governo e talvez possa dizer-se que José Lelo dispõe o governo. O que o jornalista pelos vistos não sabe escrever, mas corresponde ao que queria dizer, é o seguinte: a margem negocial de que dispõe o Governo.
Aquela preposição “de” estabelece toda a diferença entre a expressão certa e a expressão errada. Só não estabelece quem deve tocar rabecão e quem deve ser sapateiro.

Rais parta isto. Afinal Lelo é com um ele ou com dois eles? Não se pode andar aqui a dispor do nome das pessoas. Acho que é uma margem de que não dispomos. No fundo, é um assunto que só a ele diz respeito.
Um ele. Eheh…
Tem toda a razão, João Carvalho.
Acontece que, aqui há anos, um suposto iluminado – o MEC!!! – veio botar sentença na matéria, com a ousadia própria dos ignorantes que se presumem sábios.
Muita gente passou a seguir o “mestre” e este continua a abundar em calinadas no Português que escreve, sem que ninguém se atreva a emendá-lo.
É o que temos.
Nem mais. Vamos mandando uma aqui e outra ali, à falta de melhor.
João, os nossos escrevedores qualquer dia vão estar ao nível dos nossos políticos (o «de» que assinalas, então, quase ninguém usa), políticos que me parecem já casos perdidos (tirando alguns deles, que são casos de polícia).
Rui, Lello é com dois éles; sei disso por experiência própria, pois uma vez escrevi apenas com um (para compensar, na vez seguinte escrevi com três éles).
Tens razão, António: quase ninguém usa aquele “de”.
É Lelo, António. Mesmo que fosse Lello (e creio que não é), existe uma velha norma que consagra o seguinte: em nomes próprios, na dúvida ou por desconhecimento, usa-se a grafia actual.
Sempre atento, sempre rigoroso, João.
Ainda bem que há quem o seja, porque essas são qualidades que têm faltado, e muito, aos teus compatriotas.
Infelizmente, Sérgio, sem grande sucesso.
Cada vez se escreve pior na Lusa. É uma vergonha.
É mais ainda uma falta de vergonha, compadre.
De facto, há coisas ainda piores por lá.