«Há aqui vários tipos de ilícitos em cima da mesa.»
Repórter Patrícia Machado no Jornal da Tarde sobre o interrogatório judicial em curso a agentes da PSP, na RTP-1
«Há aqui vários tipos de ilícitos em cima da mesa.»
Repórter Patrícia Machado no Jornal da Tarde sobre o interrogatório judicial em curso a agentes da PSP, na RTP-1
Ser português, psiquiatra e julgado no Porto é uma coisa e ser francês, director-geral do FMI e julgado em Nova Iorque pode ser outra. Não porque uma violação deixe de ser uma violação, mas porque um psiquiatra português não impõe medidas de austeridade gravosas nem cobra juros de usurário a países amigos.
É esta visão global da justiça no Porto que contrasta com a visão estreita da justiça em Nova Iorque, se as coisas se passarem como estou a contar que venham a passar-se. Acabem com as lamúrias e aprendam, cambada de ignorantes, porque Portugal tem quase mil anos de existência e os EUA têm pouco mais de mil dias.
A nossa visão global baseia-se na nossa longa experiência a lidar com normas históricas. Coitados dos norte-americanos, que têm de conduzir-se por leis meramente actuais.
Jaguar E Type (GB, 1961/1975)*
Renault 4 L (França, 1961/1992)*
* — Nasceram ambos há 50 anos e o facto anda a ser comemorado internacionalmente. O que é natural, nos dois casos: o E Type mereceu que até Enzo Ferrari reconhecesse que era o mais belo carro jamais concebido; o 4 L conheceu grande sucesso em todo o mundo.
Graham Blue Streak Coupe (EUA, 1932)*
* — Este invulgar Graham Coupe e o raro Curtiss Aerocar Land Yacht pertenceram ao banqueiro norte-americano Hugh McDonald (1920–2001), nos anos 30, quando utilizou o carro e o atrelado para viajar de casa, em Long Island, para o trabalho, em Nova Iorque.
Uma vez, ao lembrar a sua juventude em São Francisco, “in a world that didn’t have radio, much less television or the computer“, o velho banqueiro disse: “So we read.” Banqueiros assim também já não deve haver muitos.
Num país tantas vezes dirigido por especialistas em esquemas que apenas beneficiam os próprios, sugiro uma marosca que, pelo menos, tem algumas vantagens para todos. Eu explico.
1. O dito novo acordo ortográfico decidido por políticos que nem governar sabem (e que nos cobre de vergonha) fez cair as consoantes mudas, entre outras coisas, mas, estranhamente, não fez cair a consoante mais muda de todas, que é a primeira letra das palavras que começam por H (p.e.: heliporto).
2. A quase totalidade dos heliportos deste país pertence a instituições públicas e ao Estado em geral.
3. Diz-se que as obras públicas costumam fazer passar umas percentagens interessantes por baixo da mesa para alimentar fraquezas.
4. Os homens do FMI são capazes de criar algum embaraço a essas fraquezas tão vulgarizadas entre nós.
Ora, a solução é simples. Trata-se de mandar repintar a letra que indica a localização dos heliportos nacionais, substituindo o H por E.
Vantagens:
— a nova ortografia obriga a corrigir e a melhorar em termos de coerência o famigerado acordo ortográfico;
— essa correcção fundamenta plenamente uma obra de pintura de grande envergadura nas muitas pistas nacionais;
— tal obra pode ser entregue por ajuste directo com fundamento na urgência que se impõe;
— uma obra assim sempre há-de render coisa que se veja por baixo da mesa, precisamente num período em que parece não haver mais nada a sacar para satisfazer as fraquezas que se sabe;
— pode até render mais ainda se forem feitas alterações após a adjudicação da obra, como seja pintar a letra em itálico ou em negrito.
Além disso, Portugal fica com eliportos pintados de fresco por um justificadíssimo motivo linguístico de força maior e quando os omens do FMI perceberem o esquema já será tarde.
Pela minha parte, não precisam de agradecer a ideia: são 15 por cento. Somos todos umanos, não é?
Não foi a REFER uma das empresas públicas que quiseram fugir à redução dos vencimentos por se achar cheia de razões para não cumprir a legislação que o determina? Gosto do slogan da REFER: “Vias para o Futuro”. Traduz o futuro dourado dos gestores que pagamos.
Já agora: que e quantos aumomóveis têm os administradores da REFER e há quanto tempo? Que tal premiá-los com um TGV para cada um com uma ajudinha da RAVE, a empresa pública da “grande família” que gere a rede nacional de alta velocidade que não temos?
A propósito: CP, REFER, RAVE e IMTT — alguma destas instituições públicas, tão necessárias para gerir a fantástica rede ferroviária que ainda nos sobra do século XIX, não dá prejuízo?
«O doutor Cavaco Silva não tem qualquer legitimidade para apelar à unidade dos portugueses, sobretudo depois dos discursos que teve oportunidade de fazer quando foi reeleito pelos portugueses.»
O representante do Bloco de Esquerda no Corredor do Poder, RTP-1
Já houve uma espécie de provedor do cliente para os clientes da TMN. Na verdade, não era um provedor, mas algo a que o servidor chamava serviço de provedoria, o que não é a mesma coisa e dilui na prática o conceito, visto tratar-se de um serviço interno sem qualquer independência ou capacidade de análise com a devida equidistância.
Para lá chegar, ligava-se o 800204420. Actualmente, ligar para este número significa ouvir uma gravação que indica um fax e um e-mail para se chegar à tal provedoria. Ou seja: a provedoria do servidor de telemóvel não atende telemóveis. Se aquele mesmo número for tentado por um telefone fixo, mesmo que seja da PT Telecom, então a indicação é a de que tal número nem sequer se encontra atribuído.
Se acrescentar a isto as vezes que recebo chamadas da (ou em nome da) TMN com número “confidencial”, as mensagens que a TMN me envia a tratar-me por “tu” para promover as mais variadas porcarias e toda a sorte de atropelos ao respeito que me é devido, só tenho uma saída: a próxima vez que o servidor me contactar não lhe darei tempo de me dizer até já. Digo-lhe adeus. Se não reconhece e não respeita um cliente de dez anos, está na hora de lhe virar as costas.
Para aqueles que ainda não acreditam que é com trabalho que isto lá vai, o recente período de cinco feriados permitiu comprová-lo amplamente. Vejam só. Enquanto a maioria dos portugueses folgou dias a fio como a cigarra, um pequeno grupo de estrangeiros do FMI ocupou o Ministério das Finanças a trabalhar como a formiga e, num abrir-e-fechar-de-olhos, aumentou rapidamente o nosso défice. Acreditam agora?
Estou em pulgas. Já vi O Noivado Real e preparo-me agora para gravar nos próximos dias O Regresso do Noivado e O Noivado Volta a Atacar. Dá gosto ver como uma velha monarquia cheia de tradições, mesmo com fraquezas visíveis, se faz respeitar.
Nada disso nos dá uma república centenária em que, sempre que conseguimos abanar as orelhas, logo aparece quem nos enterre outra vez o toutiço na lama. Nada disso nos dá um regime que nem consegue dar-se ao respeito. A menos que a culpa seja do William. Ou será da Kate? Sócrates ainda não lhes apontou o dedo acusador de quem sabe que a culpa é sempre dos outros? Ó, como ele é lento!
«Os “dragões” saíram do Estádio do Dragão a umas rigorosas 15h30 e trocaram as voltas aos que julgavam que o percurso rumo a Lisboa seria feito pela A1. A opção, primeiro pela A29, A25, A17 e depois pela A8, provocou o efeito surpresa» blá-blá-blá. Este lead de uma notícia mal redigida tem vários detalhes sem rigor gramatical. Porém, permite encontrar o motivo por que o governo demissionário tanto quis construir três autoestradas Porto–Lisboa. Influências suspeitosas do FC Porto? Seria outra surpresa.
Tintim esteve no Congo em 1931. Acusado de racista em 2011, um tribunal de Bruxelas decide hoje em que data será julgado.
Ainda bem que o processo vai seguir sem demora, porque Tintim ainda vai ser acusado pela associação belga contra a nudez por atentado ao pudor…
… pelo coronel Kadhafi por estragos no deserto…
… e pela federação dos fox-terriers europeus e outros Milous de Bruxelas por maus tratos.
É sempre bom sabermos que, ao contrário do que tem constado por aí, a justiça na UE está cada vez mais célere. Mesmo em Portugal, onde o Tio Patinhas foi recentemente acusado de fazer bom dinheiro sem declarar os lucros e sem pagar impostos — e ainda por cima branqueava o plim na piscina — o processo já está a decorrer, imparável, com aquela celeridade que é imagem de marca do nosso regime.

Tão amigos que eles são. Não nos dão 600 milhões pelo risco colectivo que vivemos com o PS no governo, mas acenam-nos com 600 milhões de comboio de ricos para continuarmos a ter uma vida arriscada. Não consigo imaginar que propostas terão feito à Irlanda, mas começo a perceber por que é que a Alemanha obrigou a Grécia a comprar submarinos. É a resposta à crise.
Bruxelas aconselha-nos a poupar? Não. Aconselha-nos a gastar uns milhares de milhões de euros para termos um TGV que não conseguiremos pôr a andar. Em suma: a Europa está mesmo em crise. E cada vez com mais carris de bitola estreita em vez de miolos.
«Basílio Horta diz ter aceitado “com gosto” o convite para encabeçar a lista do PS em Leiria e continua a afirmar-se como “um democrata-cristão”.» Ser cabeça-de-lista numa eleição é própria de um democrata, sim. Já mais duvidoso é ser-se cristão e apoiar aqueles que nos arruinaram. Mas cada um sabe de si, não é?
Um bom cristão dorme com a consciência tranquila. E quem não foi atirado para a ruína também. Nada como ser-se democrata-cristão em casa socialista.
… «PS aposta na continuidade, PSD nos independentes». Não há dúvida: se não optar pela abstenção, a maioria dos eleitores — que vota nesses dois partidos e não vota por seguidismo cego — tem a escolha facilitada.
Não sei se os independentes são muitos e são bons, mas passo-me todo só com a ideia de continuarmos a ter este circo miserável. Continuidade? Socorro.
«Depois do congresso de Matosinhos, Manuel Carrilho disse, e repetiu por escrito, que o primeiro-ministro era um “candidato eficaz”, mas, desgraçadamente, um “governante medíocre”. Há aqui um equívoco. Se Sócrates não fosse um candidato eficaz, nunca seria um governante, medíocre ou esplêndido. A primeira obrigação dele é ganhar e Sócrates conseguiu até agora ganhar.» É assim que começa a crónica mais recente de Vasco Pulido Valente, «O triunfo da asneira“. Asneira do respeitável cronista, desde logo. Equívoco?
Estou-me nas tintas para o que Carrilho passou a dizer depois de Sócrates lhe ter tirado o bem-bom e fazê-lo regressar à base. Acho que Carrilho, se tem alguma coisa a dizer de Sócrates, deve começar por dizer-lho na cara. O que me espanta é Pulido Valente ser capaz de concluir que um candidato ineficaz não pode dar um governante. A realidade desmonta este raciocínio ‘abstrôncio’. Sócrates já provou que é um candidato ineficaz, ao perder a maioria absoluta que já teve e que tanto quis conservar. Mesmo assim, continuou governante. Primeiro, foi medíocre. Depois de provada a ineficácia, foi ainda menos.
Um candidato fraco chega a governante quando os candidatos adversários são ainda mais fracos. Manuela Ferreira Leite, por exemplo, era uma candidata pouco ou nada eficaz e, no entanto, se não tivesse dado ouvidos a Pacheco Pereira e outros “conselheiros” que a ajudaram a dividir o PSD com eleições legislativas à vista, teria derrotado José Sócrates sem grande esforço. Pulido Valente já soube isto, mas deve andar distraído com a Líbia de Kadhafi e os fantasmas do islamismo.