Eficácia e ineficácia


jmmcc,

«Depois do congresso de Matosinhos, Manuel Carrilho disse, e repetiu por escrito, que o primeiro-ministro era um “candidato eficaz”, mas, desgraçadamente, um “governante medíocre”. Há aqui um equívoco. Se Sócrates não fosse um candidato eficaz, nunca seria um governante, medíocre ou esplêndido. A primeira obrigação dele é ganhar e Sócrates conseguiu até agora ganhar.» É assim que começa a crónica mais recente de Vasco Pulido Valente, «O triunfo da asneira“. Asneira do respeitável cronista, desde logo. Equívoco?

Estou-me nas tintas para o que Carrilho passou a dizer depois de Sócrates lhe ter tirado o bem-bom e fazê-lo regressar à base. Acho que Carrilho, se tem alguma coisa a dizer de Sócrates, deve começar por dizer-lho na cara. O que me espanta é Pulido Valente ser capaz de concluir que um candidato ineficaz não pode dar um governante. A realidade desmonta este raciocínio ‘abstrôncio’. Sócrates já provou que é um candidato ineficaz, ao perder a maioria absoluta que já teve e que tanto quis conservar. Mesmo assim, continuou governante. Primeiro, foi medíocre. Depois de provada a ineficácia, foi ainda menos.

Um candidato fraco chega a governante quando os candidatos adversários são ainda mais fracos. Manuela Ferreira Leite, por exemplo, era uma candidata pouco ou nada eficaz e, no entanto, se não tivesse dado ouvidos a Pacheco Pereira e outros “conselheiros” que a ajudaram a dividir o PSD com eleições legislativas à vista, teria derrotado José Sócrates sem grande esforço. Pulido Valente já soube isto, mas deve andar distraído com a Líbia de Kadhafi e os fantasmas do islamismo.

8 comentários em “Eficácia e ineficácia”

  1. Pacheco está para o conselho como o PS para a bancarrota, caro João.

    Acho que o inteligente Valente não compreendeu Carrilho. Com aparente eficácia comunicacional e mediocridade intrínseca, eis como o socratismo conduz a jangada lusa.

  2. O mal que Pacheco tem feito ao País, pertinazmente minando o PSD por dentro desde há vários anos, começa a tornar-se óbvio.
    Mas ainda estamos apenas no princípio, penso.

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