Justiça célere


jmmcc,

Tintim esteve no Congo em 1931. Acusado de racista em 2011, um tribunal de Bruxelas decide hoje em que data será julgado.

Ainda bem que o processo vai seguir sem demora, porque Tintim ainda vai ser acusado pela associação belga contra a nudez por atentado ao pudor…

… pelo coronel Kadhafi por estragos no deserto…

… e pela federação dos fox-terriers europeus e outros Milous de Bruxelas por maus tratos.

É sempre bom sabermos que, ao contrário do que tem constado por aí, a justiça na UE está cada vez mais célere. Mesmo em Portugal, onde o Tio Patinhas foi recentemente acusado de fazer bom dinheiro sem declarar os lucros e sem pagar impostos — e ainda por cima branqueava o plim na piscina — o processo já está a decorrer, imparável, com aquela celeridade que é imagem de marca do nosso regime.

12 comentários em “Justiça célere”

  1. Oitenta anos depois, a correcção política impõe a censura a uma obra de arte. Aguarda-se agora que toda a obra do Mark Twain, por exemplo, vá também ao critério do lápis azul. E, por cá, que suceda o mesmo aos ‘Lusíadas’, cheios de versos politicamente incorrectos. E não esqueçamos a Bíblia: capítulos inteiros merecem ser riscados do mapa. E muitos quadros dos grandes mestres da pintura ocidental.

    1. Pedro, Twain já foi ao lápis azul. Os americanos até têm um verbo para isso: to bowlderize (http://en.wikipedia.org/wiki/Bowlderize). O Tintin já foi, e também ao Lucky Luke trocaram o tabaco por um cardo. Estou à espera que o Holden Caulfield deixe de fumar também, e que os Orcs de Tolkien processem os Elfos de Rivendell e Lothlorien por difamação e preconceito racial.

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