Não há-de ser o trânsito congestionado nas pontes lisboetas sobre o Tejo nem o fim das carreiras fluviais a impedir que as pessoas resolvam a sua necessidade de transportes. Com toda a facilidade própria da iniciativa privada…
Aproveite o Dia de S. Martinho para conhecer, através do Sapo, o roteiro para as melhores castanhas. Em Lisboa e no País.
O Governo vai eliminar da proposta de Orçamento do Estado para 2012 a norma que proíbe as contratações de novos funcionários para as autarquias, conforme divulgou o Jornal de Negócios. A notícia acrescenta que a Associação Nacional de Municípios Portugueses já informou todos os autarcas disso mesmo, através de um documento onde se lê: «Em situações excepcionais, devidamente fundamentadas, e mediante autorização dos órgãos municipais, pode determinar-se a abertura de procedimentos concursais».
Procedimentos concursais? Con-cur-sais?! Se não deixarem os autarcas continuar a fazer rotundas, eles hão-de matar o tempo a fazer cada vez mais exercícios intelectuais que não lembrariam ao professor Malaca Casteleiro. Vale a pena? Face ao risco de vermos a linguagem autárquica conseguir agravar o famigerado acordo ortográfico imposto pela política, sugiro que nos manifestemos já a favor de mais umas dúzias de rotundas. É melhor isso do que dar-lhes ideias. Eles que esqueçam a língua.
Nas investigações ao BPN, a Polícia Judiciária é capaz de ter descoberto mais um crime. Desta feita, trata-se de uma provável burla qualificada em que aquele banco-da-nossa-desgraça teria pago uns 5,2 milhões de euros por um conjunto de supostas antiguidades da Mesopotâmia e do Egipto. O que pode ter acontecido resume-se assim: voaram os 5,2 milhões de euros, as peças não são do Antigo Egipto nem da Mesopotâmia de antanho, alguém encheu a carteira e a gente continua cada vez mais enterrada.
O caso do BPN não é aquele que só tem ilibados e que ainda não tem acusados? O caso que tem alguns beneficiados e que tem um país quase inteiro de lesados? Se for, não haverá uma boa notícia por aí que possa aliviar-nos, para variar? A gente tem saudades de sorrir, mesmo que seja só por um dia. Alguma coisa boa?
Inspirado neste ligeiro, o habitáculo deste pesado pode ser um transporte de sucesso. Mas consome mais, como facilmente se percebe…
— Até dá graça, porque é uma mulher, mas a verdade é que rouba tanto ou mais do que a maior parte dos homens — disse à comunicação social um militar da GNR sobre uma mulher procurada por mais de 300 crimes de burla e roubo e agora finalmente apanhada. — Eu, que me lembre, nunca conheci nenhum com tantas participações.
O caso desta Dona Filomena, ex-funcionária da Direcção Regional de Agricultura do Alentejo, é realmente insólito. Mas o comentário do militar da GNR não é muito favorável para a corporação, no que respeita à igualdade entre homens e mulheres. Ou a GNR precisa de praticar mais essa igualdade, ou tem de dar mais formação aos seus homens.
Silvio Berlusconi perde a maioria e anuncia a sua despedida, mas não sem dizer que a Itália fica a perder com o seu afastamento. Trata-se de um erro de paralaxe, próprio de quem olha a realidade de esguelha. A Itália já perdeu (andou sempre a perder) com a permanência de Berlusconi. Mas ele ganhou. Ganhou, por exemplo, ao ter feito muitas vezes o que lhe deu na real gana e dispensar-se de encarar a lei. Não faltam motivos para ver nos excessos de Don Silvio um (mais um) retrato de uma geração de políticos europeus que não deixarão saudades. Para qualquer europeu, é menos um cromo. Adeus.
O actual porta-voz do PS veio a público declarar que «o ministro que propõe mais meia hora de trabalho aos trabalhadores portugueses é o mesmo ministro que quer cortar as opções de transporte a esses mesmos trabalhadores». Tem memória curta, o PS, já esquecido dos seus ministros de má memória que arrastaram Portugal para a situação em que caímos.
Teixeira dos Santos, por exemplo, depois de garantir que sete por cento seria o limite aceitável para os juros da dívida externa proposta aos mercados, acabou por parecer disposto a aceitar que os juros atingissem 70 por cento, se tivesse havido tempo. Foi preciso esperar uns meses após a queda do governo para vir dizer (imagine-se) que esteve em vias de se demitir. Realmente, não faltam motivos para os socialistas estarem cheios de pressa de sacudir a incompetência e o ridículo que os cobriu.
O que terá levado agora o PS a misturar duas áreas de actuação do ministro que veio hoje pôr em causa? O que terá levado agora o PS a entender que os trabalhadores que tiverem de trabalhar mais meia hora por dia são os mesmos que poderão sofrer com uma redução dos transportes?
O PS deve andar muito baralhado. Já consegue ver o resultado de uma decisão que Álvaro Santos Pereira não tomou, mas ainda não consegue perceber o logro gigantesco das promessas juradas e não-cumpridas e das despesas compridas e cumpridas daquele ex-ministro Mendonça.
«Os juros da dívida soberana de Itália atingiram hoje o valor mais alto», na casa dos 6,5 por cento. A foto tem o seu quê de familiar. Berlusconi é o novo Sócrates europeu: alvo de crescentes divergências entre os seus pares, insiste que tem condições para continuar e que não tenciona demitir-se.
Olhando bem para a foto, vê-se a versão italiana de Teixeira dos Santos a avisar o primeiro-ministro de que os juros da dívida externa estão a chegar ao limite (!) de sete por cento. O que, como se sabe, não aquecerá nem arrefecerá a intuição (?) do chefe.
«(…) a pensão dorreformados é a pensão dorreformados.»
Francisco Louçã
No bloco noticioso das 9 horas da RTP1 acabo de ver pela enésima vez a Rita Marrafa de Carvalho, que está há uma temporada no Brasil com uma equipa da televisão pública, talvez à procura de Duarte Lima.
Ainda ontem voltei a ver a Márcia Rodrigues no Telejornal, que está há dias na Grécia com uma equipa de reportagem, julgo que a transmitir por palavras próprias a crise grega e as várias caras de Papandreou que são transmitidas e noticiadas por todo o mundo para todo o mundo.
Quem é que disse que a RTP custa muito dinheiro ao País? Não parece. Custa é muito dinheiro aos nossos bolsos, mas isso não a impede de levar uma vida fácil. O que tem o seu quê de pornográfico e fere os bons costumes.
O socialista afastado e actual presidente da Mota-Engil Jorge Coelho desistiu há dias, segundo foi discretamente noticiado, da subvenção que recebia mensalmente do Estado. É uma boa notícia, depois da divulgação anterior e muito menos discreta — que comentámos aqui — em que o visado se revelava um verdadeiro filantropo com o dinheiro dos nossos impostos, ao ensaiar uma explicação desconcertante sobre o destino que dava àquele abono: «Aplico o dinheiro todo em instituições de solidariedade.»
Desta feita, só temos de nos congratular perante a nova atitude de Jorge Coelho, que passa a ter de aplicar rendimentos próprios nas iniciativas pessoais de solidariedade. É mais um bom exemplo para os que conservam — sem que precisem — as subvenções vitalícias que andamos todos a pagar injustamente. Melhor exemplo ainda por demonstrar que socialista não pode ser uma palavra vã.
Se tarda a dar uma mãozinha ao País, vê-se que anda pelo menos a arrumar a casa. É capaz de ser bom começar assim. Até porque jamais conseguiremos saber em que outros casos e quantas vezes isto foi (e ainda estará a ser) feito às escondidas por aqueles que se julgam instalados para sempre.