São peças que vão muito bem com certos políticos por essa Europa fora. O modelo do lado direito, um Big Mouth, pode ir direitinho para o primeiro-ministro grego.
Interessa pouco fazer o balanço do chamado IX Congresso dos Juízes Portugueses, que decorreu desta feita em Ponta Delgada, de 29 a 31 de Outubro. Importa mais, a meu ver, clarificar aquilo que a organização, a Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP), preferiu embrulhar e servir para confundir. Desde logo, é bom dizer de vez que uma iniciativa da ASJP, seja congresso ou passeio turístico, não é bem uma iniciativa “dos juízes”, mas apenas de juízes.
Também é útil ter presente que, ao contrário do que aconteceu, ninguém tinha o direito de falar em nome “dos juízes” ou sequer dar a entender que o fazia. Na verdade, a ASJP apenas representa a ASJP. Mais nada. Porque há juízes que pertencem a outra estrutura sindical e há, sobretudo, juízes que não pertencem a qualquer das estruturas e que até são críticos em relação à existência de sindicatos no seu meio. Estes, que valorizam a sua qualidade de membros de órgãos de soberania, acham que magistrados judiciais sindicalizados é uma aberração — um entendimento, aliás, muito respeitável.
Chamar ao congresso da ASJP “congresso dos juízes” ou aproveitar esse palco para falar “em nome dos juízes”, como se viu, é (foi) não só abusivo como muito inesperado. A bem da democracia, nada melhor do que deixar tudo muito claro — mais ainda no seio do poder judicial e de órgãos de soberania.
Confundir em lugar de esclarecer abona pouco a favor daqueles a quem — convém lembrar — entregamos involuntariamente uma parte dos nossos impostos para manter alguns dos seus privilégios escandalosos. E injustos.
A equipa da RTP de enviados-especiais-à-acusação-de-Duarte-Lima continua em invejáveis férias no Brasil. Pelo meio, já foi enviando reportagens sobre uma testemunha do crime que nada viu do crime, sobre a incapacidade para adivinhar o futuro manifestada por um procurador brasileiro, sobre uma porta de rua algures onde alguém viu alguém pela “última vez” e outros trabalhos de investigação palpitantes do mesmo teor.
Para quebrar a monotonia preguiçosa e bocejante dos tempos livres, proponho que a equipa da RTP apresente um encontro entre a Rita Marrafa de Carvalho e um cidadão brasileiro qualquer que diga com toda a frontalidade e coragem que nunca ouviu falar de Duarte Lima e de Rosalina Ribeiro. Há-de ser um momento televisivo de grande emoção e suspense.
De resto, não estou a pedir muito, porque a verdade é que eu também pago impostos para patrocinar a grande passeata da equipa da RTP de enviados-especiais-à-acusação-de-Duarte-Lima.
Soube pela televisão ao princípio da noite: um homem condenado por tráfico de droga e a monte há vários anos foi identificado ontem à tarde em Chelas, feriu um agente da polícia que recebeu tratamento hospitalar, conseguiu fugir, refugiou-se em casa e tem uma arma. Estava cercado pela PSP, que aguardava um mandado judicial para arrombar a porta e entrar.
Soube pela televisão agora às 9 da manhã: um homem condenado por tráfico de droga e a monte há vários anos foi identificado ontem à tarde em Chelas, feriu um agente da polícia que recebeu tratamento hospitalar, conseguiu fugir, refugiou-se em casa e tem uma arma. Está cercado pela PSP, que aguarda um mandado judicial para arrombar a porta e entrar.
Erradamente, ainda há muita gente que diz que a Justiça tem os olhos vendados. Não tem e nem precisa: a Justiça fecha os olhos e adormece facilmente.
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ADENDA — O homem saiu de casa e entregou-se, ao fim de mais de 16 horas de cerco policial, conforme os noticiários do início da tarde. Deve ter percebido que não conseguiria escapar e que, quando se completassem 17 horas de cerco, o mandado judicial era capaz de estar quase pronto.
Porque é que está uma equipa da RTP há dias no Brasil para dizer do processo contra Duarte Lima aquilo que todos dizem e que todos sabem por ouvir os outros dizer? Porque é que parece que vão ficar por lá até Duarte Lima aparecer ou até o processo estar concluído? Porque é que o correspondente da RTP no Brasil anda pela América do Sul a seguir o Presidente e o primeiro-ministro e a equipa de enviados-especiais-à-acusação-de-Duarte-Lima anda a dar a volta ao Brasil? Porque é que só alguns sentem a crise nos salários? Porque é que a gente lhes paga muito mais do que nós recebemos? Porque é que temos de continuar a sustentar a RTP?
De acordo com o Jornal de Notícias, secundado pela SIC-Notícias, «a Polícia Judiciária propôs ao Ministério Público uma nova acusação de Isaltino Morais por corrupção, devido à transferência de direitos de construção em terrenos da aldeia do Meco para a mata de Sesimbra em 2003, quando era ministro do Ambiente», decisão que pode ter-lhe rendido na altura 400 mil euros em “luvas”.
Reza ainda a notícia que «a proposta de acusação e os alegados subornos constam do relatório final da investigação da PJ» apresentado ao MP há sete meses. Por outras palavras:
— a hipótese de corrupção foi há oito anos;
— o relatório final da PJ estava pronto há não-se-sabe-quanto-tempo e chegou ao MP em Março de 2011;
— o caso ainda não-se-sabe-se-é-caso neste fim do mês de Outubro;
— já faltam verbas para mais desodorizantes.
Não se esfalfem tanto, que a gente já se habituou ao cheiro a suor judicial. Não adivinhamos se o presumido inocente é culpado ou não, mas estamos carecas de saber que se trata do mesmo homem que queria fazer de nós todos uns idiotas com aquela história do sobrinho taxista podre de rico na Suíça e que disse ter-se abotoado ao dinheiro dos nossos impostos que o Estado lhe entregara para campanhas eleitorais.
Dou por mim a pensar que deve haver muita gente em instituições judiciais dispensadas de pagar impostos. Alguém que os pague e que esteja no seu perfeito juízo consegue tolerar que a sua qualidade de contribuinte seja insultada e continuar a dormir com o trabalho por fazer?
A notícia reza que «os programas de informação da RTP apresentam “uma evolução positiva” no cumprimento do pluralismo político-partidário, “em alguns indicadores”, segundo a avaliação divulgada pela insuspeitíssima Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC).
O problema não está na avaliação da ERC, nem sequer na “evolução positiva” da RTP em termos de pluralismo político-partidário. O problema continua a ser nós sustentarmos uma RTP pública escandalosamente caríssima que consegue evoluir, mas não consegue cumprir o pluralismo.
«Sismo na Turquia — Governo reviu em alta o número de mortos para 596»
Notícia de rodapé na SIC-N
Vai começar amanhã, segunda-feira, um fórum internacional para debater a «harmonização dos direitos dos intépretes». Parece, no entanto, que o programa pode ser todo alterado, não só por ser difícil harmonizar os intérpretes, mas também porque consta que houve um mal-entendido na interpretação do que os intérpretes pretendem.
O deputado socialista Paulo Campos, ex-secretário de Estado das Obras Públicas e defensor do indefensável programa dos Magalhães, não é apenas um dos rostos da ruína nacional. Ele é também um dos rostos mais sorridentes da Assembleia da República.
No hemiciclo ou perante uma comissão parlamentar, a permanente tentativa para dar um tom irónico às suas intervenções é invariavelmente sublinhada pelo esgar de um sorriso forçado, sem nunca perceber que o único sorriso que lhe ia a calhar seria o amarelo.
Por essas e por outras, o homem está sempre a ser surpreendido pelos adversários que tanto subestima. É o caso de Luís Marques Mendes, que vê a possibilidade de o ruinoso negócio das SCUT com a Mota-Engil ser “um caso de polícia”.
Convém reter que esse foi um dos últimos negócios de monta com enormes prejuízos públicos projectados para um longo futuro, negócio que Campos defendeu esta semana no Parlamento com ironia despropositada e sorriso cínico. Já agora, registe-se também que ao lado dele está quem esteve por cima dele: o ex-ministro Mendonça.
Lima (Peru) tremeu. Duarte Lima também. Isto não augura nada de bom. Espero que a nossa Ana Lima já tenha ido à bruxa!
… Steve Jobs continua a intrigar muita gente até por causa de pormenores ligados ao seu modo de vida? Acho que sabia, mas talvez não saiba esta: Jobs conduzia há alguns anos um Mercedes-Benz SL55 AMG prateado, carro que usava e que era visto praticamente todos os dias, só que não tinha chapas de matrícula.
Dava nas vistas o seu hábito de estacionar mais ou menos em diagonal num lugar reservado a deficientes, no parque da sede da Apple, em Cupertino (Califórnia). Ora, é normal nos EUA o proprietário (com especial poder de compra) de um automóvel requerer e ser autorizado a possuir uma matrícula personalizada, que é paga a peso de ouro às autoridades. A legislação californiana estabelece o limite de seis meses para que essa eventual situação seja regularizada. Isto é: seis meses é o tempo legal máximo entre a aquisição de um carro e a posse oficialmente documentada da matrícula personalizada requerida`e respectiva colocação das placas no veículo.
Foi a partir disto que se descobriu agora como é que o Steve circulava no seu carro sempre sem matrícula. Na verdade, ninguém sabia que ele trocava o Mercedes de seis em seis meses, iniciando de cada vez um novo processo de requisição de uma matrícula personalizada.
No nosso país, o mesmo modelo topo-de-gama desportivo da Mercedes está reservado a poucos privilegiados. É certo que estiveram para ser compradas algumas unidades do cobiçado SL55 AMG — não me lembro se destinadas à grande e luxuosa frota da Águas de Portugal ou qualquer coisa pública do género — mas o processo não foi em frente por o carro só ter duas portas e dois lugares. Não dava muito jeito.
«Eça escreveu sobre os dias de hoje e já lá vão mais de cem anos».
Uma leitura rápida e recomendável. Sem surpresas, mas muito recomendável. Um encontro com Pedro Rebelo de Sousa, Francisco Seixas da Costa, Miguel Sousa Tavares, Mário Vilalva e Mariana Eça de Queirós.