Matemática ou a falta dela


cronicasnofeminino,

“Ministério promete quadro a 8000 professores” hoje na capa do Diário de Notícias. Por outro lado e “de acordo com o ministério, o número de professores efectivos que integram o concurso de mobilidade interna, no ano lectivo de 2012/2013, é de 5733″,  diz-se no Público.

Se bem entendi, existem neste momento mais de cinco mil professores do quadro sem lugar, e já nem falo dos contratados, e o Ministério da Educação, que engendrou legislação, mexeu airosamente na estrutura curricular com pompa e circunstância, aumentou o número de alunos por turma e os horários dos professores e remeteu esses quase cinco mil para a antecâmara do desemprego, quer que oito mil passem a integrar os quadros. Tudo isto numa altura em que Vítor Gaspar se prepara para cortar na Educação. Gostava de saber quem andam a tentar enganar. Já que o Crato é das Ciências Exactas, exactas e precisas na forma como desbaratinando a Educação neste país, podia pelo menos apresentar algo minimamente credível  ou será pedir muito?


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Todos os políticos têm sorte


cronicasnofeminino,

Os nossos políticos têm muita sorte. Somos tão mansos que aturamos tudo. Enquanto o povo é esmifrado até ao tutano por impostos, taxas, cortes, há quem ainda veja o seu rendimento aumentado. Poupem-nos a balelas inúteis sobre a culpa e o termos de pagar agora e façam-nos um favor: sigam o conselho que nos deram e emigrem. Este país está irrespirável e não é por causa dos portugueses.

Este país não é para crianças


cronicasnofeminino,

Um texto breve. Uma resposta curta. Uma ou duas frases e teriam respondido ao que era pedido. Quando adolescentes entre os 15 e 17 anos foram questionados sobre como gostariam que os pais agissem perante eles, correram rios de tinta e as respostas alongaram-se em lamentos, aspirações e confissões. Embora conviva numa base diária com adolescentes dessa idade e sinta que muitos deles o que desejam ardentemente são minutos de atenção exclusiva, alguém que se sente ao lado deles e ali fique, explicando, ouvindo, ali apenas para eles numa súplica velada de atenção, os textos apanharam-me de surpresa. Eram sinceros, sentidos e um grito de desespero por aquilo a que todas as crianças e jovens devem ter direito: alguém que os ouça, um ombro, alguém que os faça sentir menos sós na selva contemporânea de umbiguismo, obsessão pelo sucesso profissional e horários desumanos que retiram tempo ao que nos deve ser verdadeiramente importante com todo o valor do mundo mas sem custo que se lhe possa atribuir.

E vem esta conversa a propósito desta proposta do FMI. Ao que parece, ‘os dados mostram que Portugal já é o País onde as mães mais trabalham a tempo inteiro e também o que tem mais casais com filhos empregados‘. A natalidade está a decrescer e os apoios a quem tem filhos são praticamente nulos. Tendo em conta a situação actual, configura-se que para muitas mães esta possibilidade de ter contrapartidas para regressar ao mercado de trabalho antes do tempo consagrado na lei não seja sequer uma opção mas uma inevitabilidade. Se as crianças clamam por atenção, imagine-se com uma medida deste calibre. O melhor é deixá-las logo na maternidade, se ainda restar alguma por aí, e regressar no dia seguinte, dois dias depois talvez, ao trabalho. E livrem-se de ter partos complicados e outros contratempos. Que maçada essas coisas de mulheres. Tirem as vossas conclusões quanto ao trabalho destes senhores sobre o nosso país.

Seja solidário. Ajude o Dias Loureiro


cronicasnofeminino,

Tens razão, Rui, Frau Merkel não prima pela criatividade na indumentária. Muda-se a cor e está feito. Quem sabe não mandará tingir os seus casacos no alfaiate da esquina, se os houvesse, para não esbanjar. Honra lhe seja feita que, a adivinhar pela simplicidade da farpela, não gasta o salário do marido em faustosas fatiotas como acontece cá no burgo. Fiquei cheia de pena do Dias Loureiro. Trabalhar para sustentar as farpelas femininas deve ser muito difícil. Vida dura, a de alguns dos nossos políticos. Sabe-se lá a fominha que terá passado por uns Louboutin.

 

Divagações de Domingo que adormece


cronicasnofeminino,

Este foi um fim-de-semana profícuo em notícias que tocaram gente bem perto de mim e que por desvarios absurdos do Ministério da Educação se encontram neste momento de casa às costas depois de vinte ou mais anos de serviço. Se os professores não fossem necessários nada a fazer. O problema é que não se devem pedir estimativas quando os processos não estão terminados e com matrículas a decorrer. E coagir os Directores a assinar declarações também não me parece muito ético nem sequer decente numa sociedade que se diz democrática. A questão de fundo prende-se, contudo, com todos nós, professores, pais e alunos que verão as suas opções cortadas e não conseguirão encontrar um lugar, arriscaria a dizer aos milhares, apenas pelo mais mesquinho economicismo. Esta situação é ainda mais estranha se repararmos que acontece no mesmo ano em que a escolaridade obrigatória se estendeu até ao 12º ano. Fechando turmas de dia e de noite fica por saber onde irão estudar os alunos e os adultos que tencionem dar seguimento sério aos seus estudos, sem equivalências da farinha amparo, deus a tenha em descanso.

E já que cortam a eito e olhando, por estes dias, as clareiras de deputados nas bancadas, pergunto-me para quando a redução destes na Assembleia da República. Se não estão lá é porque não fazem falta e, como tal, podemos dispensar alguns deles, poupar nas ajudas de custo, na água engarrafada e nos menus opíparos. Se, por outro lado, a ordem é para reduzir pessoal em todo o lado então que o façamos por igual ou existem intocáveis neste país?

 

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Ó Relvas, ó Relvas, folclore à vista!


cronicasnofeminino,

A Universidade Lusófona não detalhou as cadeiras em que Miguel Relvas miraculosamente se licenciou mas ‘entre a experiência profissional invocada para o processo de equivalência figura o de (…) presidente da Assembleia Geral da Associação de Folclore da Região de Turismo dos Templários‘. Mediante isto o Cantarinhas de Barro merece um doutoramento. Transpiram bem mais numa actuação do que Relvas numa licenciatura inteira. 

Esplendor no Relvas


cronicasnofeminino,

Passos Coelho tem-se debatido vigorosamente contra as Novas Oportunidades, menina dos olhos do governo Sócrates. Um dos mais controversos pontos diz respeito ao processo de RVCC, Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências. Neste processo, diabolizado, odiado, epitetado pelo Primeiro-Ministro como ‘certificação de incompetências’,  é esperado, grosso modo, que o candidato evidencie que já possui algumas competências adquiridas por vias não formais de educação. Este processo servia apenas certificação de nível Básico e Secundário mas hoje descobriu-se que, afinal, há neste país universidades que fazem exactamente o mesmo.

Ao que parece e pelo que aqui se diz Miguel Relvas inscreveu-se em 2006 na Universidade Lusófona e concluiu o curso de Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade em 2007, nos termos do Processo de Bolonha através de seis semestres. Diz-se ainda que o curso foi  “encurtado por equivalências reconhecidas e homologadas pelo Conselho Científico” da Lusófona “em virtude da análise curricular a que precedeu previamente”. O que é isto se não um processo de reconhecimento, validação e certificação de competências ou de ‘incompetências’ se dermos ouvidos a Passos Coelho? Aguardar-se-á o encerramento da Universidade Lusófona até 31 de Agosto à semelhança do que está a acontecer aos Centros de Novas Oportunidades?

 

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De pequenino se torce o pepino e se começa a odiar a escola


cronicasnofeminino,

De acordo com o novo calendário escolar ou proposta dele, as crianças do 4º ano poderão vir a ter aulas até 5 de Julho. Esta extensão de calendário será apenas para as crianças com dificuldades, pobres delas, duas vezes castigadas, uma porque têm dificuldades, seja lá o que isso for num quarto ano de escolaridade, mas depois de ter ouvido que uma criança ia mal preparada do infantário para o primeiro ano do Básico vale tudo, a segunda porque não terão descanso nem tempo para ser o que são: crianças. Algo me diz que é escola a mais e infância a menos. Feliz de mim e de outros como eu que tinham tempo para brincar na rua em Junho quente, sem preocupação de aulas no dia seguinte, Verões que se arrastavam lânguidos e felizes. 

Os exames nacionais ou uma questão de fôlego


cronicasnofeminino,

Eram 9.00 horas, deu o toque final e centenas de alunos entraram para mais uma aventura no maravilhoso mundo dos exames nacionais. Estranho é como Isabel Alçada ainda não se inspirou nesta verdadeira epopeia a que nos sujeitam a todos com ares de distribuir competência e rigor.

Seriam umas 9.15 quando me trouxeram a prova de Alemão. Folheio-a, deito-lhe um olho, perscruto-a de várias perspectivas e começo a resolvê-la. Além do grau de dificuldade mais elevado que nos dois anos anteriores, e acrescento desde já que não viria daqui mal ao mundo, este ano tínhamos mais uma novidade: só um verdadeiro Zatopek no que a língua alemã diz respeito conseguiria fazer todas as tarefas obrigatórias com calma e tempo para reflectir, um maratonista cheio de fôlego, um Schuhmacher a lutar pela pole position. Zatopeks não temos, Schumachers idem e até o Carlos Lopes já pendurou as sapatilhas há muito tempo, mas Usain Bolt teria dado jeito hoje. Podemos preparar muito bem os alunos, podem até ser todos excelentes, aplicados, empenhados, interessados mas não os podemos preparar para estas ‘idiossincrasias’ do Gabinete de Avaliação Educacional, GAVE para os íntimos. Se é a isto que chamam rigor devem estar equivocados. Aquilo era uma prova de maratona. Só os que têm fôlego se salvarão, não necessariamente os que sabem.

E serve tudo isto para dizer que não, os exames nacionais não são fiáveis, não têm coerência alguma de ano para ano, uns anos são assim, outros assado e outros nem por isso, apesar de serem exactamente os mesmos programas. Servem propósitos vários mas não aquilo para que alegadamente foram instituídos. Dizia Nuno Crato que o Ministério da Educação devia ser implodido, isto antes de se tornar eminente Ministro da Educação, porque agora, fazendo parte do sistema, faz o que outros antes fizeram: muito pouco de jeito. É pena. É preciso ter fôlego.

 

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Por que não se calam?


cronicasnofeminino,

Começam a faltar-me epítetos que não ultrapassem os limites da educação para classificar ‘gente’ como esta. Depois de afirmar que os salários devem ser reduzidos em Portugal, António Borges auferiu, em 2011, 225 mil euros livres de impostos. Ao que parece, os senhores do FMI que andam por aí a mandar os outros pagar impostos, estão isentos do pagamento de impostos. Este privilégio assiste aos que têm estatuto de funcionário de organização internacional. O mínimo que se lhe podia exgir era que calassem aquelas bocas e tivessem o mínimo de respeito por quem vive de uns ridículos euros e está reduzido a vidas miseráveis, também porque o Estado nos abafa com impostos e as assistências internacionais sufocam ironicamente quem alegadamente ajudam. Só não lhes chamo animais porque adoro bicharada e respeito-os infinitamente mais do que ‘coisas’ destas.