Enfermeiros contratados por quatro euros à hora. Passos Coelho bem avisou, o melhor é zarpar daqui para fora. Este país não merece ninguém. Pelo menos com políticos destes.
Sem mais comentários e mesmo um título é difícil
cronicasnofeminino,
Enfermeiros contratados por quatro euros à hora. Passos Coelho bem avisou, o melhor é zarpar daqui para fora. Este país não merece ninguém. Pelo menos com políticos destes.
Há muito tempo que há fraudes no sector da saúde, umas que conhecemos e que julgamos menores, outras que estão agora a vir a público.
Mas para os senhores que mandam, é mais fácil cortar no pessoal e na assistência médica e medicamentosa do que fiscalizar e moralizar.
Nem mais. Fiscalização exige-se! E em muitos outros aspectos.
E, no entanto, existe uma impressionante procura por formados em enfermagem em países como Inglaterra, Espanha, Alemanha, etc.
Não digo que a emigração seja a solução mais apta e viável; certamente acarreta muitas dificuldades e pesares… mas lá está, é uma solução.
Esse tipo de noticia -a meu ver- apenas expressa conformismo, comodismo e inaptidão. As melhorias de qualidade de vida, pelo contrário, exigem desprendimento, coragem e adpatação.
E assim sendo quem insiste me cá ficar e tentar fazer alguma coisa por ‘isto’ é um merdoso conformado? É essa a visão do governo. Quantos menos menos trabalho, o problema é que quantos menos menos receita, o resultado está à vista.
Porquê um “merdoso conformado”?
Tudo isso é uma questão de “selecção natural”; sim.. também a isso se aplica.
Basta pensar no dogma das “cunhas”, em que tantos aproveitam para criticar – quando na maioria das vezes meramente se deixarem estar na apatia do queixume.
Bem sei que não ‘soará a rosas’, mas muita da desgraça se deve à preguiça conformista. Alguma responsabilidade pessoal há de haver, não?
Claro que há responsabilidade pessoal, mas, diga-me, os enfermeiros são culpados de lhes estarem a oferecer uns meros 4 euros por hora? E acha justo? É que se for por essa lógica vamo-nos todos embora e o último que feche a porta. Não me parece que seja esse o caminho.
Sabe o que me deixa -tal tema- a pensar, Leonor?
No dogma nacionalista e populista da “cunha”. A verdade é que ela, inclusive, obriga a iniciativa para ser criada. É muito fácil esparrar-se na critica, mas invariavelmente ela tende a advir da apatia e do simples conformismo.
Não se trata de não ter empatia com as dificuldades de alheios; trata-se sim de exigir adaptação e iniciativa. E sejamos honestos, isso é algo que falta a ‘demasiada’ gente.
A selecção natural é um processo no reino animal.
Afinal a inteligência humana não serviu de nada para nos distinguirmos dos animais?
É verdade que há muita alimária financeira que tende a ver as coisas nessa base… e por isso estamos nesta crise de valores morais – que origina a crise económica.
Se o cérebro for apenas visto como uma vantagem competitiva, no sentido de eliminar competidores, então será que o Presidente dos EUA (não o Obama), deveria premir o botãozinho nuclear para acabar com a competição de uma vez por todas. Será isso?
Há uma coisa que se chama humanismo, e que era suposto ser a grande moral da civilização ocidental.
Não deixou de ser uma forma de selecção… foi uma selecção moral, que levou a um entendimento entre os cidadãos, um compromisso de colaboração não servil que potenciou a sociedade para outro patamar produtivo e inovador.
Tem razão, a apatia parece demasiada, porque as formas de protesto não funcionam… por exemplo, tem alguma sugestão inovadora para o “combate à cunha”?… algo que não tenha passado por nenhuma cabeça até agora?
Pois é, quem já passou por alguns degraus, vai percebendo que as ordens irracionais vêm sempre de mais acima… nunca há poderes autónomos.
Ou seja, infelizmente qualquer pequeno problema descamba numa estupidez de topo, e agora o topo está até idealizado – são uma entidade abstracta, sem rosto, a que se chama “mercados”.
E é claro, os mercados ganham muito (a curto prazo) com o sistema de compadrio e com o servilismo.
Quando perdem a longo prazo… obrigam os estados a financiá-los de novo. Círculo engraçado este, não é?
Peço desculpa, da Maia, apenas agora vi o seu comentário; mas nem podia ir mais ao encontro do que comentei, anteriormente.
A questão das cunhas, então….
Quando menciono “selecção natural”, obviamente refiro-me à analogia que se cria entre quem deseja algo -e age- e quem se afunda num conformismo de apatia. Resultado, certamente, de muitos anos de ‘abonos socialistas’…. mas enfim, cada coisa no seu lugar.
Quando expresso a minha opinião é no sentido de algo exigir do próprio feudalismo que se tornou o povo. Não peço o impossível, antes sim -e meramente- a simples desagregação da apatia.
Demasiadas vezes falamos com o coração nas mãos, e isso inevitavelmente obriga-nos a distanciarmos-nos de uma visão mais estóica do que nos rodeia.
Há umas semanas, uma vizinha contou-me que a filha, que é enfermeira, estava a ganhar 2 (dois) euros à hora. E a fazer turnos de 16 horas numa enfermaria onde havia 2 (dois) enfermeiros para uns 70 doentes.
Miserável.
Mas se os enfermeiros aceitam trabalhar por esse preço, que tem a Leonor que protestar?
E repare a Leonor que os enfermeiros têm muita sorte, relativamente a outros profissionais, porque podem, com relativa facilidade, emigrar. Há diversos países que procuram contratar enfermeiros portugueses, como se vê nas notícias logo ao lado da lincada. Se os enfermeiros não estiverem satisfeitos com os salários que lhes são pagos em Portugal, têm a solução de emigrar, ao contrário da Leonor e de muitos outros.
E porque tem o Luis Lavoura de vir para aqui protestar com a minha opinião? E quem lhe disse que eu não posso emigrar? Discordo com essa perspectiva de mandar as pessoas embora, mas é como tudo o mais, é fácil para quem está sentadinho na cátedra e não ganha 4 miseráveis euros por hora. É o que temos mais por cá. Queria saber se ganhassem miseravelmente se tinham estas ideias peregrinas de mandar as pessoas embora. É tudo muito lindo até um dia a mesma sorte nos bater à porta, além de ser uma questão de dignidade.
Também discordo. Ninguém mandou ninguém embora. Nem a minha mãe me mandou para fora de casa, veja lá. Eu é que achei que estava bem melhor lá fora. E olhe que lá fora se está de facto bem melhor. Só não vê quem não quer. Sempre fomos um país de emigrantes. Mais, além de de o sermos, normalmente voltamos com ideias, mente aberta (coisa que aqui em Portugal não existe para nada – veja-se este celeuma com o Passos), mais dinheiro e vontade de aplicar o que aprendemos. Cá protestamos por tudo, pelos outros, pelo que não ganhamos, pelos conselhos que nos dão, pela opinião dos outros, pela opinião que os outros têm da nossa opinião. Está sempre tudo mal. Uma tragédia.
Quando a mim, com os tempos que correm sair de Portugal é uma oportunidade para se viver realmente bem numa verdadeira sociedade que aqui, por causa deste tipo de pensamento limitado nunca será nada mais do que apenas isto.
Quem tem amigos lá fora sabe bem que não é drama nenhum, muito pelo contrário, ser bem tratado ganhar bem e viver bem. Mas pronto, proteste-se!
O que vale é que eles ‘andem’ aí.
Não acha que é um drama que para se ser bem tratado e reconhecido e se fique de mente aberta tenha de se abandonar o país? Eu acho que é vergonhoso que tenhamos de sair para sermos tratados condignamente. Não acho que seja drama nenhum mudar nem partir mas não porque o PM nos apontou a porta de saída. Se quem governa o país não vê outro remédio para os cidadãos algo está mal, muito mal. Só não vê quem quer. Cumprimentos ao Primeiro-ministro e beijinhos ao Relvas.
Não me parece que o que se passa actualmente seja novo nem culpa do Passos ou do Relvas, para quem me estou absolutamente nas tintas. Alias, partilhar a ideia de que a vida é curta e por vezes temos de ir por nós e não por mais ninguém nem por um país, não me faz afilhado de nenhum deles.
O que vejo é que a forma como dei o exemplo de “sair de casa”, desde sempre muitos saíram, outros foram-se acomodando, ora porque compraram a casa o TDI o cão, casamento e férias na Tunísia, ora porque ainda não tinham entendido que isto da “União Europeia” não é só a bandeira das estrelinhas, é também adoptar alguma da “precariedade” boa dos restantes países.
A profissão para a toda a vida acabou à largas decadas, a casa e emprego fixo numa região também. Contudo, dado a todas as condicionantes houve quem mantivesse a ideia de ficar, ora nem todos têm esta missão quase inglória para honrar, dai que tanto aperceberam-se que isso não era tudo e rumaram a outros destinos.
Depois, sabe-se lá porquê ao mínimo tremor afinal Portugal está mesmo mal e temo de ir embora. O homem menciona o assunto e cai o carmo e a trindade, como se fosse novidade ou até um mau conselho.
Eu se fosse a ele tinha dito de outra forma, mentia e dizia que estava tudo bem, falava no futuro e outras banalidades, com a verdade está visto que não lidamos bem.
Nada de novo debaixo do sol. Os seus argumentos parecem a ‘voz do dono’.
Alguém falou do emprego para a vida? Acho errado e abjecto que o Primeiro-ministro aponte a porta de saída a quem cá está e nojento que se pague 3,96 euro a um enfermeiro e que a empresa receba 5,96. Este é o pa+is real. O resto são os chavões de sempre: emprego para a vida, zona de conforto, blá blá blá.
A voz do dono é a minha opinião. Se a minha opinião coincide em alguns pontos com aquilo que não concorda sou forçado a ser “Relvas” ou “Passos”?
Parece-me bastante grave essa forma de ver as coisas. É uma opinião baseada na minha experiência de vida, do que já tomei contacto e o que outros à minha volta vão partilhando.
Não é preciso ser um génio para perceber que o chavão do emprego para a vida é exactamente a ideia que se tem quando não se quer mudar para melhor.
Se aqui ganho mal, mudo-me para outro.
“Tratados condignamente” …
Não confunda “condignamente” com pagamento, segundo a tabela salarial do país de acolhimento…por via de regra substancialmente superior ao nosso…
Quanto ao resto.. minha Srª, já fui emigrante, conheço muito bem a forma como na maioria dos países, o trabalhador português é “tratado”… e se sujeita a trabalhos, horários (vencimentos até) que por cá não admitia..(. ou melhor, refilava!
A descriminação é bem visivel…
Mas, como diz o Mingas : ” Se refilares… levas porrada”
Não esteja a acrescentar coisas que não disse. Evidentemente ‘condignamente’ não tem apenas a ver com o salário mas não há qualquer dúvida que também tem. Ou acha que pagar 4 euros à hora a um enfermeiro é tratá-lo condignamente? Ou 1,5 à hora a uma empregada de café? 240 euros por mês é tratar alguém condignamente? Deve estar a brincar. Gostava saber de que vivem quando falam assim. Quanta insensibilidade social!
Se a notícia for verdadeira,estou 100% com os enfermeiros.
Agora… cheira-me que esta notícia é tao verdadeira como a aqui publicada , sobre o Hospital de Viseu-
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O lóbi da “saúde” é o mais poderoso do país…e os jornalistas e jornais “alinham” … ou, no mínimo, caiem na marosca!
Muda como o vento.
FD:
O sistema que você enuncia baseia-se na premissa simples: “quem não está bem, muda-se”.
Era basicamente o que se dizia aos servos na Idade Média, pelo que poderá verificar no que dá esse raciocínio.
Os servos têm sempre a possibilidade de procurar outro senhor, que os trate melhor.
O problema é que, só olhando para si, para os interesses circunstanciais, o processo arrasta toda a sociedade para um esquema feudal. Essa arrisca ser a herança social que deixamos à geração seguinte.
Já muita gente foi e voltou, não serão os primeiros, nem trarão mais do que a constatação das diferenças e semelhanças. Até já tivemos bastante migração, resultante do fim do comunismo… e o que eles fizeram cá? – Foram tão vulgares quanto os restantes.
Porquê? Porque sob a capa da democracia impera um poder, uma plutocracia que usa a burocracia de forma a perpetuar um poder secular há muito obtido, e que se alastra em múltiplos campos.
O sistema ilude bem, já que a maioria da população – que nunca atinge o topo, nem percebe bem como é opaco e cúmplice esse topo, da esquerda à direita.
Pior, a maioria acaba por ceder ao esquema de funcionamento, e nunca fazem parte da solução, vão perpetuando o problema.
Se julga que vai mudar isso, apenas lhe desejo a maior sorte, porque a lista de falhanços tem sido total… mas é sempre salutar pensar que connosco será diferente – mas também é o que todos pensam.
Não me parece que o exemplo dos “servos” da idade média esteja sequer perto do que se passa nesta discussão.
O defender de interesses nem sequer se punha no feudalismo, até porque essa noção não existia por quem trabalhava, não existia alternativa.
Contudo concordo consigo sr Tocqueville, a questão burocrática é mais que óbvia no impedir da ascensão de algo ou alguém, ou pelo menos dificultar, ao poder.
Contudo está aqui algo a falhar. Quem disse que ia mudar o quê? Fala-se de ordenados e de condições, eu defendo que tenho direito às soluções. Uma delas é a emigração, ou pelo menos à mudança de trabalho, à procura, ao tentar alcançar algo melhor, só isso.
Que as pessoas não percebam, que queiram elas sim ser servas de um mau ordenado e de más condições de trabalho, bom, eu sim desejo boa sorte.
Meu caro, eu estava a falar em termos globais…
Justamente, os servos não defenderam os interesses, e veja então o sistema onde ficaram!
É claro que é legítimo procurar melhores condições noutro lugar, mas o problema é que essa fuga pode ser circular, porque o problema português é apenas uma manifestação de um problema maior.
Ou seja, se tiver 10 enfermeiros a emigrar por um salário, é diferente de ter 1000… simplesmente porque quem contrata poderá justamente escolher quem se oferecer pelo valor mais baixo.
Essa solução migratória conhecem-na os países africanos, onde todos sabem bem a lenga-lenga do “se não estão bem, mudem-se”, e eles até tentaram, só que depois fecharam-se as fronteiras.
Aliás os movimentos xenófobos resultam justamente do aceitar de imigração mais barata… ou seja, o problema não é apenas da desertificação do país de origem. Causa ainda um desequilíbrio de direitos no país de acolhimento. Se nem num lado, nem no outro, houver resistência, protestos, você está no caminho de plutocracia despótica, ao estilo da Idade Média. Percebe agora a comparação?
Inteiramente de acordo, Da Maia. A opção de emigrar é perfeitamente legítima, claro, mas não pode ser a solução para um país. É uma batota falaciosa, porque não só não resolve os problemas que levaram ao êxodo como cria novos problemas nos países que acolhem um excesso de emigrantes insatisfeitos. A opção de emigrar tem de ser livre e por razões menos frágeis.
4€ é um exagero, há por aí enfermeiros a pontapé. Eu quero é arranjar uma empregada doméstica e não encontro por esse preço. Está na hora de mudarem de profissão…
Piadinha.
Claro, tem toda a razão, e porque não passarem fome?
Desculpe lá Sr. Luis Lavoura, não tem pensado ultimamente em emigrar não?
E passeiozinhos a pé pela Ponte 25 de Abril, em dias de nevoeiro ? não?
Bolas que você é mesmo chato…
Embora ache que é um provocador, e faz de propósito, para tirar as pessoas do sério…
Hum, ou está a fazer um levantamento sobre a reacção das pessoas a provocações. Claro só pode ser isso!
Tome um diazepam e descanse um bocadito, certo?
MELGAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
O Lavoura é um clássico, cr
Cr, o Luís Lavoura não emigra do Delito, quanto mais do país…
Pago 6€ à hora à minha empregada doméstica…
O que dizer?
– Que as soluções que geram mais problemas, não são soluções, são apenas mais problemas…
Contrate um enfermeiro!
Tenho diversos amigos enfermeiros, todos à pouco tempo porque também são das minha idades, alguns a trabalhar em Portugal, outros no estrangeiro. Ora, o que todos em em comum é a opinião de que nos últimos anos se formaram enfermeiros em demasia. Que não houve o cuidado que tiveram, por exemplo os médicos e agora os advogados, para limitar o acesso aos cursos que foram proliferando. Isto é o resultado de um excesso de oferta de mão de obra, num país em que não há grande capacidade para investimento. Se não tiverem quem se ofereça, das duas uma: ou aumentam o preço pago, ou o serviço não é realizado. Se tiverem enfermeiros dispostos a trabalhar por esse valor, é porque o preço é justo. Também sou licenciado e quando comecei a trabalhar ganhava menos que 3,96 €/Hora. Porque hão de os enfermeiros não estar sujeitos às mesmas regras de que afectam outros profissionais?
E como quando começou a trabalhar ganhava cerca de 3 euros à hora acha bem que os outros também ganhem. Belo argumento. Algumas pessoas estão desesperadas e aceitam o que houver. Neste país todos são culpados de tudo, ou porque escolheram a profissão ‘errada’ ou porque se indignam perante a situação do país. Culpa neles. Que nunca nenhum de nós precise da solidariedade de alguns comentadores que por aqui aparecerem. Morreremos à fome e esmagados pelos donos da razão que diligentemente apontam o dedo aos outros. Os únicos impunes neste país são os políticos e o governo.
Não é porque aceitei trabalhar por esse valor que os outros devem fazer o mesmo. Quando andava na universidade também pensava que nunca me sujeitaria a trabalhar por meia dúzia de patacos. Ora, quando acabei o curso andei 3 meses à procura de emprego e todos me pediam experiencia profissional, que eu obviamente não tinha. Surgiu uma oportunidade de ir para Lisboa, ganhar menos de 4 € à hora e eu, falei com os meus pais, que se disponibilizaram a apoiar no que fosse preciso, pois precisava mesmo de adquirir essa experiência. Hoje ganho quase o dobro e só passaram 3 anos. Penso que foi uma aposta ganha. Também quem contrata estes profissionais, aproveita-se certamente dos recém licenciados que lhes vêm ser negadas oportunidades por falta de experiência profissional. É também nessa base que devemos centrar esta discussão. Certamente que haverá enfermeiros desempregados com alguma experiência profissional e não me parece que venham a concorrer a estas posições. E também sendo este valor pago pelo SNS-ARS-Lisboa ainda me congratulo mais pois o Estado dá a possibilidade aos recém licenciados, permitindo alguma uma contenção de gastos no Ministério da Saúde. É que para a maior parte dos empregadores, estágio, mesmo que remunerado, não é experiência profissional.
Estamos a falar de coisas diferentes, Emanuel. Naturalmente que ganhar experiência é bom, alguns estágios não são remunerados, diria a maior parte deles hoje em dia, é preciso arriscar, mas não devemos ser vilmente explorados e, se somos, tal situação deve ser denunciada.
No seu caso, teve os seus pais que o ajudaram e por isso privilegiou a experiência. E quem tem família para sustentar? E quem tem contas para pagar? E filhos em idade escolar? Vive desses 4 euros à hora? Quem lida com jovens em idade escolar tem uma percepção muito concreta de como a vida dos portugueses está a ficar insustentável. Só não vê quem não quer. Não sei como se pode oferecer a alguém com formação especializada 4 euros e ainda como é que a empresa lucra mais do que isso por hora. É uma indignidade.
Uma indignidade.
É o que acho. Uma ofensa.
É obvio que não é o preço justo pelo trabalho prestado (por regra, se efectuado com o minimo de qualidade) e é obvio que não permite a quem o recebe, uma vida condigna. No entanto, este preço/hora decorre da lei da oferta e da procura… Enquanto houver quem aceitar trabalhar a este preço ( e aceita, porque obviamente PRECISA DE TRABALHAR), o preço não vai aumentar. Simples! Há excesso de oferta para a procura – e não é de hoje que se sabe que a oferta universitária é desade quada face às necessidades do mercado. Há que reorganizar universidades e reorientar o ensino – o problema é o do costume: ninguem põe em causa o poder estabelecido. Por outro lado, emigrar não é desgraça nenhuma, antes pelo contrário. Por essa europa fora, os jovens estudam e trabalham por periodos mais ou menos prolongados em diversos países, falam diversas linguas e assimilam culturas diferentes. E nós? Pelo conforto de casa e com preconceito de trabalhar no estrangeiro… e por isso, não tarda muito e mesmo para quem tenha cursos superiores, nem emigrar será solução (condigna…).
Já respondi acima, acho indigno que se ofereceram 4 euros à hora por um trabalho especializado e de enorme responsabilidade. E também já disse, emigrar não é problema se essa for uma decisão individual, adaptamo-nos bem, mas porque o país está miserável e cada vez pior é claro que esse desapego provocará mágoa. O que acho curioso é que ninguém menciona sequer a separação, o drama de se ter de deixar filhos que precisam de atenção ou pais idosos que precisam exactamente do mesmo. É capaz de ser triste não acompanhar o crescimento dos filhos com inevitáveis danos para o equilíbrio destes ou vir cá para o funeral do pai ou da mãe. Nada disso conta. Ide, Ide embora! É capaz de não ser assim tão fácil, a menos que o governo também nos limite o direito à família e à vida pessoal.
Emigrar tem de ser uma opção, não pode ser uma obrigação. Infelizmente estamos a ver os nossos jovens (e alguns menos jovens) a deixarem familia e amigos para poderem sobreviver, muitas vezes em condições pouco dignas. Temos um País que pretende livrar-se da responsabilidade de “olhar” pelo seu povo! É triste, muito triste.
Os “novos abrantes” andam muito agitados nestes dias, não conseguem acorrer a todas…
Mas correm bastante. A estratégia é a mesma que já ando a escrever por aqui há uns anos. Basta escrever uma linha, como se pode ver por este post, a beliscar o querido líder para se defender o indefensável.
Triste e revoltante.
Tantos homens que ” caíram mortos “, tantas lutas, tantas revoltas, tantas gentes unidas, para chegar a este estado miserável de vida.
Um dia haverá em que pagaremos para trabalhar, enquanto os patrões e estado engordam lambuzados em caviar e perdizes.
Nenhuma boa pessoa, solidária poderá concordar com a exploração do homem pelo homem, temos pois que nos indignar com isto, pois claro, e o estado neste caso é como o assassino, que manda outro matar ( ainda lava as maõs como o Pôncio ) pois está a pactuar com estas empresas que exploram as pessoas.
Que dizer Leonor ?
é triste. Muito triste!
Eu também achava que ninguém conseguiria concordar com uma ofensa destas mas enganei-me. Pergunto-me onde andam essas pessoas solidárias, cr. Triste e revoltante.
Exma. Leonor Barros não vou comentar os comentários que li acerca desta sua nota de indignação porque – opinião minha – alguns deles mereceriam porventura uma resposta menos polída. Digo-lhe apenas o que me parece ser o “cherne” desta questão: enquanto a única solução apontada por governos, troikas e UE’s se basear apenas no empobrecimento, e na aceitação de que devemos e merecemos ser humilhados, algo vai certamente continuar a estar podre neste cantinho à beira-mar plantado
Tire o ‘exma.’ José, Leonor Barros chega e muito bem. Este conformismo e permanente acusação de que merecemos este tratamento nauseia-me, é só o que lhe digo. Gostava de saber se estes todos que comentam assim também ganham 4 aviltantes euros à hora por um trabalho altamente especializado.