De pequenino se torce o pepino e se começa a odiar a escola


cronicasnofeminino,

De acordo com o novo calendário escolar ou proposta dele, as crianças do 4º ano poderão vir a ter aulas até 5 de Julho. Esta extensão de calendário será apenas para as crianças com dificuldades, pobres delas, duas vezes castigadas, uma porque têm dificuldades, seja lá o que isso for num quarto ano de escolaridade, mas depois de ter ouvido que uma criança ia mal preparada do infantário para o primeiro ano do Básico vale tudo, a segunda porque não terão descanso nem tempo para ser o que são: crianças. Algo me diz que é escola a mais e infância a menos. Feliz de mim e de outros como eu que tinham tempo para brincar na rua em Junho quente, sem preocupação de aulas no dia seguinte, Verões que se arrastavam lânguidos e felizes. 

13 comentários em “De pequenino se torce o pepino e se começa a odiar a escola”

  1. Concordo!
    Hoje, as crianças têm demasiada escola, o que não quer dizer que aprendam mais. Falta-lhes tempo para brincar livremente, sem estarem “encaixadas” em actividades programadas e/ou orientadas.
    Tempo e espaço livres são extremamente importantes para um crescimento saudável, e até para uma melhor assimilação do conhecimento.

    1. Mais tempo na escola não significa melhor aprendizagem. Desconfio até que escola de Setembro a Julho possam ter o efeito contrário. Há que arranjar outras estratégias, ser mais exigente ao longo do ano e deste ciclo. As crianças vivem ensanduichadas entre mil e uma actividades, às vezes para suprir a ausência dos pais, escola e trabalhos de casa.

  2. E é com medidas destas que pretendem dar um ar de “competentes”… Perdoe-me o desabafo (na linguagem do ministro, plebeísmo) mas há quem não coise nem saia de cima, ou dito ainda doutra forma, a quem não sabe até os coisos estorvam.

    1. Não tenho a menor dúvida de que Crato neste caso e noutros está a fazer uma operação de charme: os pais livram-se das crianças até 5 de Julho e o país acha que ele fez muito pela educação.

      1. Ai Leonor como eu te dou razão! “Os pais livram-se das crianças”, antes de perceberem o pouco tempo que, na vida deles, representa “o tempo” que lhes dão…

        1. Fico sempre surpreendida e incomodada quando ouço os pais a dizer que estão ansiosos que a escola comece porque já não podem aturar os filhos em casa. Pensava que ter os filhos consigo seria desejo de todos os pais, Helena. Afinal nem para todos.

  3. A eterna substituição da família pela escola… Coitados, talvez os reformadores tenham boas intenções. Talvez até sirvam casos (necessidades) reais.
    Concordo, Leonor: que boa era essa liberdade dos verões e como, no fim, se ansiava pelo retorno à ‘ordem’ das aulas e dos colegas.
    O certo é que escola a mais, em quantidade, não cura o défice da escola a menos, em qualidade.
    Talvez seja a realidade que temos de rever, e não o conceito.
    Para mal da escola…

    1. Devo ter andado toda a vida mal preparado, escola e Liceu acabavam pelos feriados de Junho e recomeçavam no início de Outubro…oh tenebroso mundo de ignorância em que vivi…

      1. Mas em verdade se diga que durante o meu tempo de escola era assoberbada com tantos trabalhos de casa que quase não tinha tempo para brincar. Desde esse tempo até agora nunca se conseguiu um equilíbrio.

    2. Laura, tendo em conta a situação actual isto não vai lá com boas intenções. Crato conhece bem o ensino em Portugal e o que está a fazer é a mascarar o problema. Ponham as crianças a ler e a escrever como deve ser, a interpretar e a raciocinar, não deve ser difícil. E ainda: quem não sabe, chumba, quem sabe, passa. No Básico, tanto quanto sei não se fica retido em alguns anos. Se faz sentido? Nenhum.
      Nesta altura do ano, ainda não saiu o diploma da estrutura curricular. Andamos assim sem saber quais as disciplinas e que carga horária terão. Têm de ser feitas matrículas já, elaboração de horários posteriormente e requisição de professores. Assim é impossível.
      Crato está hipotecado ao Gaspar e o que faz em alguns casos só tem um objectivo: poupar dinheiro não melhorar a qualidade do mesmo, algo que já tinha começado a ser feito por Maria de Lurdes Rodrigues. Nada de muito novo até ver.

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