Os Homens sem terra


claudiakover,

O homem que nasce, torna-se inesperadamente rei do seu Ser mas incapaz de reinar sobre a vida que lhe foi dada. Descobre, caminhando, que o mundo é uma ilha e que não há gruta que o esconda da sua própria pessoa. Mascara então o rosto, fugindo da responsabilidade, pois como pode um rei sem terra viver dependente do pão que lhe é dado?

Plano Nacional de Cinema


claudiakover,

Nota I: Eu adoro Tim Burton.

Nota II: Sim, eu não conheço todos os filmes desta lista.

Felizmente, na escola onde eu andei,  os filmes sempre foram incluidos no currículo. É claro que é importante que toda a gente veja um filmes de Hitchcock, Tim Burton ou Charlie Chaplin. No entanto, porque não usar filmes que explicam ou apoiam algo que os meninos estejam a aprender em filosofia ou história? Porque não integrar em vez de somar? Sim, temos o Romeu e Julieta. Mas o que é que os meninos vão andar a estudar quando virem o Eduardo Mãos de Tesoura? O meu problema não são os filmes escolhidos…com certeza serão todos fantásticos.Mas porque não escolheram o Matrix que tão bem se integra na Alegoria da Caverna de Platão e possibilita uma análise profunda e inesperada? Este é apenas um exemplo.

 

Consultem a lista aqui: http://www.publico.pt/Cultura/os-filmes-que-os-alunos-vao-ver—1563990.

a menina que não queria trabalhar


claudiakover,

Era tonta. Vivia numa rua flutuante, onde os pés não tocavam o chão.

Era de pensamentos leves, como chantilly salpicado de pepitas de chocolate, que a distraíam do seu derradeiro conteúdo.

Era atrasada. Como um relógio que não se alimenta.

Era teimosa na sua ignorância. Teimava que não sabia. Teimava que não havia onde procurar.

Era boa de desculpas. Desculpava o pé direito por pisar o esquerdo, sem nunca pensar como poderia dançar sem causar nódoas negras. Desculpava-se a si de si própria, sem nunca pensar que a sua terceira pessoa poderia com isso sofrer.

Era má de trabalho. Não trabalhava nem para ela própria.

Adormecer e acordar


claudiakover,

Acordar é como adormecer. É despertar para uma realidade inversa. É nadar no fundo do mar e por breves instantes não saber se estamos prestes a romper o espelho de água ou a descer ao fundo do mar.

Acordar é como adormecer. Um deles é nos mais querido que o outro. Um deles salva-nos do outro. Dependendo do momento que estamos a viver na realidade ou no sonho.

A coisa sem palavras


claudiakover,

Dar palavras a quem não se quer é prostituição emocional. A alma – se é que esta é a definição mais apropriada – pode por momentos abandonar o corpo quando sofre. Mas a alma não se descola das palavras, a não ser que esta seja corrompida, separando a expressão do sentimento real. O que fazer a estas palavras sem alma? O que fazer aos sentimentos reais que ficaram sem palavras? Por vezes, a ligação entre ambas perde-se por completo na mentira e no fingimento, sem nunca mais se encontrarem. É aí que a alma se separa da outra coisa, aquela que diz as coisas sem sentir.

Espaço


claudiakover,

Espaço. Há um determinado espaço que pode ser ocupado. Não há como preenchê-lo com mais do que o que lhe foi previamente destinado. Cabe uma pessoa. Cabe meia pessoa mais outra meia pessoa. Não cabem duas. Se eu quiser deixar uma pessoa se sentar, tenho, inevitavelmente que remover a outra.

No lugar ao lado, cabe o mundo. Neste, falta-lhe o espaço. Ou, simplesmente não lhe estava destinado caber mais nada.

Se eu sou só uma


claudiakover,

Se eu fosse só uma, como poderia contar comigo mesma?Terei todo um universo no meu interior? engolido à nascença por inteiro ou que se move e cresce sem aviso?

Se eu sou só uma, com quem dialogo internamente? Não deveriam os nossos pensamentos ser mais lentos, não nos sentiríamos prisioneiros da nossa própria mente?

Se eu nasci para ser só uma, porque não me encontro facilmente? Porque me angustiam as minhas próprias decisões, mesmo aquelas que tomo apenas na minha mente?

de momento


claudiakover,

Se não fosse o momento, morreria de tédio na espera pelo futuro. Na verdade, vivo o instante como se, se não o vivesse, este morresse também ele vítima do tempo.

 

Olho os sonhos a curto prazo, sem nunca pensar que um sonho, se chama sonho, por não estar na realidade.

 

Sou paixão. Não sei viver se não apaixonada. Por vezes, apaixonada por alguém. Sem paixão seria um corpo sem alma, um vagabundo sem rua, um poeta sem palavras.

 

Somos todos nós vítimas do momento: os que não o sentem, os que dele fogem, os que nele se afogam. Para todos, o mais doloroso será um dia saber que este momento terminou, sem nos ter avisado.

Devíamos ser Deuses


claudiakover,

(regressei. habitualmente regresso sempre. não reli este texto. perdoei-me qualquer coisa. sou apenas mortal)

 

Deveria haver um compartimento no nosso corpo reservado apenas para a saudade. Não teria de ser grande, porque a saudade no geral já é algo que aperta. Aperta o coração.

 

Deveria ser proibido sentir uma angústia que não se pode resolver. Proibido não por lei constitucional, mas por alguma regra incutida na infância. Sei lá. Deveria chegar-nos uma carta em casa com um comprimido que resolvesse esse nó.

 

Deveria ser possível fechar os olhos e encontrarmo-nos com pessoas em sonhos. Num mesmo sonho. Ao invés de sonharmos com alguém que, por sono pesado ou morte prematura, não se lembra do que sonhou.

 

Deveria ser fácil gostar das pessoas. Na realidade, é. Mas tal como sucede com todos esses outros “simples” sentimentos, complicamos um pouco, sofremos um pouco. Talvez para moldarmos os nossos caminhos mortais um pouco mais à semelhança das trágicas epopeias gregas.

 

Deveria ser tudo perfeito. Mas o “quase” é a palavra que mais se adequa ao ser humano. A única coisa “total” é o sentimento. Não se pode “quase” sentir.

 

No fundo, os nossos sentimentos são a única coisa que fazem de nós deuses. Mesmo que apenas por um segundo. E as palavras dos outros fazem de nós mortais. Porque não as podemos controlar. 

The ultimate kiss


claudiakover,

“The ultimate kiss”  é uma antologia de beijos, criada há pouco mais de um mês, com o intuito de trazer alguma alegria aos dias e momentos mais cinzentos. Podem “segui-la” no tumblr. Prometo pelo menos um beijo por dia. E para quem quiser saber mais sobre a história dos mesmos, conhecer outras curiosidades, como músicas ou livros sobre esse mesmo tema, convido-vos a seguirem “the ultimate Kiss” no Facebook. Sim, é só isso: beijos.

Em campo aberto II


claudiakover,

Quero ficar com os pés plantados neste lugar, sem nunca mais perder as raízes, nem deixar a chuva me levar. Quero ficar neste solo ainda que inóspito e sem previsão de florir em meu redor. Quero ficar aqui ao lado desta pedra, quer ela me contemple com desassossego ou de olhar gelado. Ele é pedra. Levanta-se com mais facilidade do que eu, que posso cair morta só com a força do puxão. Ele não tem época para ser levado. Eu sou flor, mas tenho em pedra o meu coração. 

A estúpida que eu sou


claudiakover,

Sou um pouco filha de toda a gente, abandonada pelo desejo inalcançável de ser grande e de infantilidade desprendida na mente. A estúpida que eu sou, achando que já sei viver, num mundo que só gosta dos pequenos quando estes também são pequena gente.

 

Deixo-me levar pela sabedoria do crescido, aquele que nem sabe desfrutar, e que não espera que um dia aos seus calcanhares vá chegar. A estúpida que eu sou, pensando que deixar de ser pequeno é começar a morrer e o fim do sofrimento alcançar.  

Sou um animal de duas cabeças


claudiakover,

Sou um animal de duas cabeças que matam a fome em pratos diferentes. Quando as lágrimas me caem ao peito não sei qual rosto consolar, pois penso com o coração. Sempre que o raciocínio sobe até um dos seus cérebros perco momentaneamente a claridade na visão. Gatinho às escuras até encontrar novamente a sabedoria de que todos nós somos dois, três ou quatro num só corpo pesado e de que a beleza só nasce quando abraçamos a nossa multiplicidade. 

Em campo aberto


claudiakover,

Pegou-me pelo braço. Não com a mão, simplesmente com as palavras. Arrastou-me de forma lenta, passo-a-passo. Provavelmente adormeci-lhe no ombro, sem dar pelo arrasto e sem lhe sentir o pulso. Provavelmente não senti nada, ou não dei conta do que senti, até me perguntarem o que sentia.

 

Vomitei rapidamente as palavras, estranhamente sem me deixar afogar em pensamentos. Quando abri os olhos, após terminar a última frase, estava noutro sítio. Estava longe do local onde achava que me tinham plantado.

 

As raízes tinham sido descosidas da terra de forma cuidadosa. Intactas, elas rodeavam os meus pés. Perguntaram-me se me sentia diferente, se sentia que alguém me tinha tirado de um vaso e colocado num campo aberto. Tive medo e disse que não. 

O que ando a ler (21)


claudiakover,

 

Escolhi o livro não pelo título, autor ou imensa vastidão de páginas, mas porque insisto em ler em alemão e foi esta a obra que a minha mãe me colocou na mala antes de eu partir para Istambul. O tempo para a leitura foi escasso, mas a obra “Comboio Nocturno para Lisboa” de Pascal Mercier fez me companhia em algumas noites de insónia. Não o terminei, nem a meio estou. Não por desgostar mas por falta de tempo e dedicação.

O livro inicia-se com uma fuga irracional (ou um acto de coragem dependendo do leitor) para a cidade de Lisboa. Um breve instante na vida do protagonista leva-o a arrancar-se da sua monotonia em Berna e a embarcar numa viagem que o levará a questionar todo o seu estilo de vida e decisões tomadas até então (a forma como viveu as discussões coma sua ex-mulher, a forma como exercera a sua profissão, etc.) Trata-se de um homem invulgarmente inteligente com fracas capacidades sociais e pouca vontade de mudar, que num dia chuvoso se encontra numa situação invulgar e encantadora. A busca por uma mulher portuguesa deixa o cair nos braços de uma obra de Amadeu Inácio de Almeida Prado, escritor português que falecera 30 anos antes, em 1975. O homem míope e que fugia a tudo – exactamente por se negar à evasão e se afundar na leitura dos seus amados livros – dá corpo ao terceiro romance deste autor suíço. A obra foi traduzida em 15 idiomas, tendo sido um grande sucesso na Alemanha, mantendo-se no top durante três anos. Um autor apaixonado por Pessoa, cujas descrições “thrillescas” nos levam a uma Lisboa mística que reflecte bem a sensação que tantos visitantes dizem ter ao visitarem a nossa capital, e que nós – por termos o privilégio de aqui vivermos – tantas vezes escolhemos ignorar.

Não sei o que me espera nos próximos dias em Lisboa (no livro, digo eu), mas sei que sempre que estou “lá por fora” sinto a falta desta cidade e de muita coisa que se representa neste livro: o vintage, o velho, o local remoto, romântico e por vezes esquecido e abandonado pelos seus próprios habitantes.

 

Espero que o Fernado esteja mais dedicado à leitura do que eu!

Back to the lost tracks


claudiakover,

Após um breve intervalo, regressa a rubrica. Desta vez, para além da música do dia deixo-vos também a playlist “The lost tracks”, que inclui todas as músicas divulgadas através desta crónica (e algumas que ainda estão para vir). 

 

Para hoje: Os Beast são uma banda canadiana que lançou o seu primeiro álbum – também este intitulado “Beast” – em 2008. “Mr. Hurricane” foi o primeiro single.

 

The lost tracks: Uma playlist que só cresce com músicas perdidas – algures entre o desconhecido, esquecido, ignorado ou ainda por descobrir. 

Porque há duas coisas que adoro: músicas de Natal e algo bem disparatado


claudiakover,

Sou daquelas pessoas que trauteiam músicas. Daquelas pessoas que trauteiam músicas de Natal o ano todo. Além disso, sou daquelas pessoas que adoram um bom “cheer up” com um vídeo que não tenha nada de subliminar, nem nada de inteligente para nos ensinar, mas cujo único objectivo é divertir-nos.

 

Único comentário: Infelizmente acho que há mulheres judias (conhecidas) bem mais giras do que os homens escolhidos para este video, mas valeu o esforço.

 

A eterna busca por Monroe


claudiakover,

“My week with Marilyn” – quero ver este filme. No entanto, no próprio trailer, e por melhor que seja o desempenho, já me debato com o eterno “aquela não é a Marilyn Monroe”. Ou seja, não me transmitiu a sensação de um Morgan Freeman no papel de Nelson Mandela. A representação pode ser maravilhosa, mas o “look-a-like” é, neste caso, muito traiçoeiro. Lembro-me de ver a série “The Kennedy’s” e de achar que Katie Holmes deu uma óptima Jackie, mas quando surgiu a personagem de Marilyn Monroe fiquei altamente desiludida. Não basta ter um busto grande, um sinal sobre o lábio e um cabelo loiro platinado. Neste caso (o de “The Kennedy’s”) juntou-se a isto um tom de voz doce e uma cena de paranóia. Não fossemos todos nós conhecedores destes clichés e de certas características tão distintivas – ao ponto de serem carnavalescas e de permitirem a qualquer homem se mascarar de MM – não saberia que aquela mulher, bebada e deitada no colo de Bobby Kennedy, era Marilyn Monroe. Não gosto especialmente de Michelle Williams, mas pode ser que tenha a maior surpresa de todos os tempos – espero que sim. Pessoalmente, eu teria escolhido Christina Hendricks – em Mad Men ela faz-nos lembrar MM, pelo papel em si e por outros motivos óbvios. Alguém que nos “faz lembrar Marilyn Monroe” já é extraordinário. E, sinceramente, gostava de ver como ela se sairia. Michelle Williams (actualmente nomeada para um Globo de Ouro), suponho que se saia bem, mas não me cria a mesma antecipação.

 

Christina Hendricks